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As próximas estrelas do Mercado
Depois do susto americano, os dólares voltam com força total, levam a Bovespa ao recorde de 60 mil pontos e deflagram uma corrida empresarial por aberturas de capital que pode trazer US$ 10 bi ao País ainda em 2007

Por Leonardo Attuch e Milton Gamez

FÁBIO NOGUEIRA, DA BM: holding de crédito imobiliário já fez seu registro na CVM
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Opregão mal havia começado, quando, às 10h04 da quinta-feira 27, o mercado brasileiro de ações atingiu uma marca histórica – e surpreendente. Naquele instante, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo cravou 60 mil pontos, no quarto dia consecutivo de recordes. Foi como se depois do susto com a crise imobiliária americana, que fez grandes estragos há poucas semanas, a cobiça voltasse a falar mais alto que o medo, na psicologia maníaco-depressiva dos investidores. Essa nova maré de euforia, seja ela racional ou não, traz vários significados para o Brasil. No mercado financeiro, o “Ibovespa 60 mil” fez com que o valor das empresas nacionais listadas passasse de US$ 1,2 trilhão. Entre os economistas, a exuberância da bolsa reforçou a idéia de que o Brasil estaria se “descolando” da crise internacional – tese que também ecoou em jornais internacionais, como o Financial Times. Mais importante ainda foi a corrida que a alta das ações deflagrou dentro das empresas. A percepção geral é que, depois da turbulência, a janela para ofertas públicas de ações foi reaberta – e, como isso talvez não dure para sempre, ninguém quer perder tempo. Novos pedidos de emissões primárias (os chamados IPOs) foram registrados na Comissão de Valores Mobiliários, para alegria dos investidores estrangeiros, os maiores compradores desses papéis. “Até o fim do ano, o Brasil poderá ter um ingresso de até US$ 10 bilhões com os novos IPOs”, aponta Octavio de Barros, diretor de pesquisas econômicas do Bradesco. Serão mais R$ 20 bilhões num bolo de emissões que cresceu R$ 41,7 bilhões até agosto e soma quase R$ 95 bilhões desde 2004.

WELLINGTON CERQUEIRA
MOEMA
R$ 3 BILHÕES seria o valor das usinas de Marcelo Biagi, após um IPO da empresa na bolsa

Se a tendência se confirmar, o Brasil não só receberá uma enxurrada de dólares como também terá novas candidatas a estrelas no mercado de capitais. Muitas delas virão de setores emergentes, como petróleo, agronegócio e infra-estrutura, sem falar nas próprias bolsas – tanto a Bovespa quanto a BM&F já estão em fase adiantada de negociação dos seus IPOs. Se cada bolsa for avaliada em torno de R$ 10 bilhões, como esperam os corretores, elas despejarão no mercado de R$ 2,5 bilhões a R$ 3,5 bilhões em novas ações (leia quadro à página 32). É grande a lista das empresas que aguardam o melhor momento para buscar sócios nas bolsas. Bancos de investimento, como o UBS Pactual e o Credit Suisse, já têm mais de 40 transações engatilhadas e a fila de interessados continua aumentando. “As operações voltarão com força total”, prevê Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central e sócio da Rio Bravo. “Depois do corte de juros nos Estados Unidos, o apetite dos investidores em relação aos emergentes disparou.” Nessa corrida, o Brasil está à frente da China, diz Patrick Conroy, diretor do Banco Mundial e ex-executivo de bolsas em Hong Kong, Sydney e Chicago. “As boas empresas chinesas já foram à bolsa. Os olhos dos investidores estão agora voltados para o Brasil”, afirma.

Um dos protagonistas desse movimento será o empresário Eike Batista, que

ISMAR INGBER
STARFISH
R$ 2 MILHÕES é quanto as empresas de petróleo, como a de Doria, podem vir a captar de forma conjunta

pretende fazer dois lançamentos de ações ainda em 2007. Um deles, o da empresa de mineração e siderurgia MPX, pode criar uma companhia avaliada em US$ 1,5 bilhão. A LLX, braço logístico do grupo, poderia valer outros US$ 700 milhões. Eike também criou a OGX, que irá atuar no ramo de petróleo, e preferiu fazer uma captação privada. Com ela, Eike já tem US$ 500 milhões para entrar na próxima rodada de licitações da Agência Nacional do Petróleo, em novembro. Além da OGX, outras empresas do setor começaram a ser assediadas pelos bancos de investimento. Uma delas é a Starfish, criada por um grupo de engenheiros da Petrobras. “Com o petróleo a US$ 80, vários projetos de perfuração em terra se tornarão viáveis e muito lucrativos no Brasil”, aponta Rafael Doria, sócio da empresa. Neste momento, a Starfish está decidindo se fará uma oferta públiOutras empresas que estão no mesmo processo são a PetroRecôncavo, que tem o banqueiro Daniel Dantas como acionista, e a Aurizônia. O que se estima no mercado é que tais companhias poderão captar até US$ 1 bilhão para prospectar petróleo no território nacional. “Enquanto países como Canadá e Estados Unidos têm mais de dois mil poços terrestres em produção, o Brasil não chega a 100 ainda”, diz o empresário André Carvalho, sócio da empresa Ecman, que também busca oportunidades no setor. “Nós não seremos uma Arábia Saudita, mas podemos chegar perto dos americanos.”

Para os analistas, as ações no Brasil ainda não bateram no teto. Banco Credit Suisse projeta Índice Bovespa a 66 mil pontos até o fim do ano

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