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Cartão Aluguel bate à porta
O fiador sumiu? Não se preocupe. Vem aí o dinheiro de plástico que garante a locação

MÁRCIO KROEHN

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Quem nunca precisou recorrer a um fiador quando foi assinar um contrato de locação? Essa dor de cabeça parece estar com os dias contados para os 6,5 milhões de brasileiros que, segundo o Ministério das Cidades, pagam aluguel para morar. A Caixa Econômica Federal está desenvolvendo um serviço financeiro inovador para substituir o fiador como garantia de cumprimento do pagamento da locação de um imóvel. Provisoriamente chamado de Cartão Aluguel, o produto terá os mesmos moldes de um cartão de crédito convencional. A diferença é que o dinheiro de plástico, pela primeira vez, será usado para pagamento do aluguel. Caso fique inadimplente ou atrase a quitação de sua fatura, o portador pagará os juros habituais nesses casos. E o locador do imóvel nem ficará sabendo do problema. Receberá o dinheiro na data de praxe.

A novidade foi esmiuçada recentemente pela Caixa aos corretores paulistas. No dia 13 de junho, o vice-presidente de Negócios Bancários e Imobiliários do banco, Fábio Lenza, detalhou o projeto em reunião fechada no Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci). Os presentes ficaram entusiasmados, mas a Caixa preferiu manter o assunto entre quatro paredes. Por meio da assessoria de imprensa, Lenza afirmou à DINHEIRO que o produto é embrionário, não tem data de lançamento marcada e, portanto, ainda é cedo para falar sobre o assunto. Pode ser. Para que despertar a concorrência antes da hora?

O Cartão Aluguel deveria ter chegado ao mercado no início de 2007. O prazo foi esticado para o segundo semestre. O banco tem encontrado resistência das imobiliárias nas negociações sobre a taxa de administração que será cobrada pelas transações. Elas alegam que os valores envolvidos serão mais expressivos que a média recebida pelos estabelecimentos comerciais em geral e, por isso, merecem uma taxa mais baixa que a paga por eles (em geral, de 2% a 4%). De acordo com o Creci-SP, 60% dos aluguéis na Grande São Paulo têm valor médio de R$ 600, enquanto a compra média com cartão é de R$ 91.

6,5 milhões de brasileiros pagam aluguel para morar, segundo o Ministério das Cidades

O presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, conta que o setor pede há três anos ao governo um incentivo social que atenda as pessoas que pagam aluguel. A idéia surgiu durante o Conselho Nacional das Cidades. Inicialmente, o objetivo era buscar uma solução para a dificuldade das pessoas idosas em arrumar fiadores. Foi sugerido, então, o uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço como garantia de quitação do aluguel. Antes de saber se essa proposta era viável, o banco apresentou a solução do Cartão Aluguel. "Um cartão como esse ajudará a dar mais segurança para locadores e locatários", aposta Viana Neto.

O Cartão Aluguel será o concorrente direto do seguro fiança-locatícia, criado para quem não tem fiador. Essa garantia praticamente só existe no Brasil. A Porto Seguro lançou a apólice há 15 anos. "O seguro do aluguel é uma tendência das grandes metrópoles", diz Adilson Neri Pereira, diretor da Porto Seguro. O custo anual, pago pelo locatário, equivale ao valor de uma locação mensal. O pagamento, à vista ou parcelado, garante ao locador a quitação da eventual inadimplência até o fim do contrato. Essa modalidade tem crescido nos últimos anos. Na cidade de São Paulo, há cinco anos somente 7% dos aluguéis tinham garantia do seguro. Em abril deste ano, a fatia já aumentara para 15,5%. Em 30% dos casos, os locadores adiantaram três meses de aluguel. E os contratos tradicionais, com fiador, somavam 54,5%. Nessa toada, os fiadores serão cada vez menos indispensáveis.