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Uma jogada de risco
Clube de futebol Palmeiras cria fundo de investimentos e transforma atletas em ativos

Por Márcio Kroehn

Qual é o melhor investimento? O goleiro Diego Cavallieri e os meio-campistas Valdívia e William ou as ações da Petrobras, da Vale do Rio Doce ou do Bradesco? Essa dúvida começará a habitar a cabeça do investidor apaixonado por futebol – principalmente se ele for palmeirense. Uma nova aplicação, que tem o passe de jogadores

como ativo principal, está prestes a entrar em campo. Com lançamento oficial marcado para a segunda-feira 21 de maio, o fundo privado Palestra Investimentos reuniu em um mesmo pacote 15 atletas do Palmeiras. Qualquer pessoa poderá adquirir uma participação no fundo, inclusive torcedores rivais. Criado por um grupo de empresários liderados pelo economista Luiz Gonzaga Belluzzo, o Palestra Investimentos poderá captar até R$ 30 milhões, em cotas de R$ 20 mil a R$ 75 mil.

Na Europa, os clubes já estão familiarizados com o mercado de capitais e têm até ações nas Bolsas (leia quadro).

Aqui, no país do futebol, o estágio das agremiações é, digamos, pré-capitalista. “O Brasil não tem um mercado de futebol organizado”, diz Belluzzo. Palmeirense roxo, ele viu nos atletas uma oportunidade de iniciar um novo tipo de captação de recursos. O Palestra Investimentos terá, no máximo, 30% da parcela do Palmeiras no passe dos jogadores escolhidos. O volante Martinez é um deles. Se for vendido, o Palmeiras receberá 25% do valor. É sobre esta parcela que o fundo poderá aplicar.

Os veteranos Marcos e Edmundo não entraram na escalação final.

Segundo Belluzzo, os dirigentes do Palmeiras garantiram aos administradores transparência nas negociações dos atletas e acesso à documentação. O fundo não será regulado pela Comissão de Valores Mobiliários, mas deverá seguir um conjunto de regras. Os conselheiros do Palmeiras estão proibidos de investir. “É para evitar o conflito de interesses”, explica o advogado Luiz Roberto Martins, que irá administrar o Palestra Investimentos em conjunto com o colega Sérgio D’Antino e o executivo do setor petrolífero Marcos Arnaldo.

PONTA-DE-LANÇA: Belluzzo monta primeiro fundo esportivo

Se funcionar, pode ser um bom negócio. O craque Robinho, a jóia preciosa do Santos, foi vendido por R$ 50 milhões para o Real Madrid. Vágner Love, a última promessa do Palmeiras, passou para o russo CSKA por US$ 5 milhões. Claro que o risco, num país que já teve duas CPI’s do Futebol, é elevado. Os cartolas, de um modo geral, têm má reputação como gestores. “O fundo tem um potencial interessante, mas o risco é muito alto para quem for investir”, diz o gestor financeiro Fabiano Calil.