| SEDE
PELO BRASIL |
| Sem
espaço para crescer na Europa, produtores de vinho de
Portugal atacam mercado brasileiro atraídos pela estabilidade
econômica e para recuperar terreno perdido para concorrentes
como chilenos e argentinos |
 |
Por
Juca Rodrigues
Os
portugueses descobriram o Brasil, de novo. Depois da invadirem o
setor de telefonia celular, chegou a vez do vinho. A falta de espaço
na União Européia, mercado saturado onde reinam franceses
e italianos, obriga os produtores lusitanos a procurarem consumidores
em outras terras. É o que dizem os empresários que
desembarcaram em São Paulo na última semana para participar
da Vivavinho/Expovinis 2003, feira internacional do setor.
Na
feira, que agora tem como sócia a Exponor, empresa promotora
de exposições pertencente à Associação
Empresarial de Portugal, AEP, eles chegaram às dezenas. Vieram
divulgar produtos como Encosta do Bussaco, Adega dos Pegões,
Quinta da Trepadeira e Três Bagos, nomes que soam estranhos
aos ouvidos tupiniquins, mas são algumas de suas melhores
garrafas. Para João Manuel Costa, diretor-geral da Exponor
no País, há um olhar diferente dos portugueses em
relação ao Brasil. “O mercado brasileiro é
muito interessante, há uma migração do consumo
do vinho de segunda para o vinho fino de mesa. Na Europa, o consumo
é de 50 litros por habitante por ano, já no Brasil
são apenas 2,1 litros. Os empresários estão
animados.” Costa ressalta ainda que a falta agressividade
fez Portugal perder espaço para países como o Chile
e Argentina. Agressividade foi o que não faltou no evento,
dos 162 expositores, 86 eram portugueses.
Dólar
baixo, estabilidade econômica e a enorme população
brasileira aguçaram os sentidos de nossos patrícios.
“Apenas 8% do vinho que exportamos vai para o Brasil”,
reclama José Costa e Oliveira, 53, secretário-geral
da Fenadegas, entidade que representa 91 adegas cooperadas, responsáveis
por 40% da produção total de Portugal. “O mercado
externo do vinho rende 700 milhões de euros por ano. Queremos
triplicar esta cifra em 10 anos e fazer do Brasil nosso terceiro
mercado”, assinala Oliveira. Hoje, o País é
quinto maior importador.
Em
2001, quase metade do vinho fino consumido no Brasil foi importado.
Foram 28 milhões de litros de outros países e 28,7
milhões da produção nacional, segundo a União
Brasileira de Vitivinicultura, Uvibra.
Esses
números alegram os importadores brasileiros, que vislumbram
crescimento no setor. “O Brasil tem potencial. Os portugueses
vêm para cá e vêem que é a terra dos sonhos.
Aqui na feira há de cinco a sete mil rótulos expostos,
só nossa empresa está expondo cerca de 100”,
diz Bruno Airaghi, 51, diretor de marketing da importadora Interfood,
que há anos traz uma das garrafas da terrinha mais conhecidas
no País, o “cult” Casal Garcia.
|