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CONSUMO

Quinta -feira, 04 de Julho de 2002

A TENTAÇÃO DA GÔNDOLA
Pesquisa revela que as compras por impulso em supermercados
fazem o consumidor gastar até 20% a mais do que o planejado

  • Quanto maior o salário, maior o gasto
  • Quem faz comprar mais - Homens
  • Quem faz comprar mais - Mulheres
  • Resultado por sexo
  • Abandono de compras devido à fila
TESTE: Controle seus gastos

Por Alexandre Bello

O supermercado pode ser uma tentação para quem faz as compras do mês. Os executivos de marketing usam uma série de técnicas com o objetivo de incentivar o consumo nas lojas: embalagens atrativas, aromas artificiais para despertar o desejo e promoções do tipo pague dois e leve três. Sem pensar muito, o consumidor pega um iogurte aqui, um biscoitinho ali e, quando menos espera, o carrinho está cheio. Só cai na real na hora de pagar a conta. Uma pesquisa feita pelo Programa de Administração de Varejo (Provar), da Fundação Instituto de Administração (FIA/USP), mostra que 37% das pessoas que entram no supermercado compram mais itens do haviam planejado e gastam, em média, 18,71% a mais do que o previsto. Tudo isto tem um nome nos dicionários dos marqueteiros: é a compra por impulso.

Homens também gastam

O estudo foi realizado a partir de entrevistas com 420 consumidores na porta de supermercados e hipermercados de São Paulo e teve o objetivo de conhecer o comportamento do consumidor, analisando quais os fatores que estimulam o fenômeno. A pesquisa revela outros dados interessantes. Quem acha que só as mulheres exageram nas compras pode cair do cavalo. Elas gastam, em média, 19,8% além do planejado, mas os homens vêm logo atrás, desembolsando 17,2% a mais do que imaginavam ao pisar no supermercado. "Imaginava-se que as mulheres compravam mais por impulso, mas a diferença é muito pequena. O estudo mostrou que os dois estão sujeitos aos estímulos de consumo", afirma o professor e coordenador da área de pesquisas do Provar, João Paulo Siqueira. Os homens também demonstram não ter paciência no caixa: quase 40% deles admitiram que abandonam as compras se a fila para pagá-las for muito grande.

É importante salientar que o consumo impulsivo não deve ser encarado como uma doença, e sim, como um assunto ligado ao marketing. De modo geral, as pessoas que compram por impulso são de faixa de renda mais alta e idade mais baixa, já que os jovens têm uma tendência a experimentar mais os produtos novos. Entretanto, a principal característica deste consumidor é não preparar a lista de compras. O estudo mostra que apenas 20% dos entrevistados habitualmente levam a "listinha" de produtos na mão. "Se você faz uma lista bem detalhada, o gasto sofre pouca variação. Por outro lado, quem não faz lista acaba pagando o preço", analisa Siqueira.

Acelere o carrinho

Um dos fatores que ajudam o consumidor a se controlar mais dentro do supermercado é a recessão econômica. A inflação freia o carrinho de compras. De acordo com o coordenador da pesquisa, a situação da economia influencia o nível de impulsão ao consumo na medida em que reduz o poder compra. "As pessoas ficam mais vigilantes", diz Siqueira. "O brasileiro está mais exigente e consciente, conhece mais os produtos e compara mais os preços."

Mesmo assim, o consumidor não consegue segurar a tentação. O estudo mostra que um dos principais fatores que estimulam a compra por impulso é a natureza do produto, que na maioria das vezes têm baixo valor unitário. Neste quesito, os campeões de procura nas gôndolas são baterias, pilhas, filmes fotográficos e salgadinhos. "Dificilmente, alguém vai comprar um carro por impulso. Agora, um salgadinho, ninguém resiste", afirma Siqueira.

Uma dica para economizar é correr com o carrinho e não perder tempo. O levantamento revela que, dentro do supermercado, o consumidor gasta R$ 2 por minuto. Outra coisa: pense bem antes
de levar os filhos às compras, quase sempre eles são os principais responsáveis pelos gastos extras. Mas quem resiste a um
"compra, mãe?".

 


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