| DO
MARANHÃO PARA O ESPAÇO |
Excelente
localização de base espacial brasileira pode colocar
o País no centro do mercado de satélites comerciais |
Por
Juca Rodrigues
O Brasil
caminha para ser uma das estrelas do mercado espacial mundial. O
responsável por este salto será o Centro de Alcântara, CLA, situado
no Maranhão, um dos melhores lugares do mundo para se lançar foguetes
ao espaço. Sua localização privilegiada, muito próxima a Linha do
Equador, permite o envio de cargas pesadas com grande economia de
combustível. É o caso dos satélites de órbita geoestacionária, que
representarão 54% dos lançamentos comerciais até 2007, segundo dados
da Euroconsult, consultoria européia especializada no setor. Enviar
ao espaço equipamentos de alta precisão como estes pode custar até
US$ 120 milhões, fora a carga. Isso torna a base maranhense uma
das mais atrativas dentre as 17 existentes no mundo para tal finalidade.
Encanto maranhense
| Agência
Espacial Brasileira |
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Futuro:
teste com o VLS,
o foguete brasileiro |
Estimativa
feita em 1999 pela Empresa de Infraestrutura Aeroportuária, Infraero,
aponta um potencial de faturamento para o CLA de mais de US$ 300
milhões anuais. O mesmo estudo diz que a renda anual indireta captada
pelas cidades de Alcântara e São Luís poderá chegar aos US$ 12 milhões
por ano. Uma missão chefiada pelo ministro da Ciência e Tecnologia,
Roberto Amaral, esteve na última semana na Ucrânia negociando
um projeto conjunto no qual um dos principais pontos é tornar o
Brasil centro de lançamento de seu novo foguete, o Ciclone IV. Os
ucranianos não têm base espacial em seu país. Já fizeram mais de
200 lançamentos de outra nave, o Ciclone III, de bases da Rússia
e Cazaquistão e são sócios da empresa americana Boeing na Sea Launch,
plataforma flutuante de lançamento localizada no Oceano Pacífico.
Este será o segundo entendimento do governo brasileiro para a utilização
de Alcântara.
| Agência
Espacial Brasileira |
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Espaço:
a
área do Centro de Alcântara
permite uma grande expansão |
Em
abril de 2000 foi assinado com os Estados Unidos um contrato polêmico,
visto por muitos setores da sociedade como prejudicial ao País.
Entre os termos assinados, por exemplo, está o controle da base
por funcionários americanos. A aprovação do acordo ainda depende
de aprovação do Congresso. Os EUA detêm 80% dos lançamentos totais
do mundo, incluindo aparelhos científicos e militares, possuem quatro
dos principais centros, entre eles o famoso Cabo Kennedy, mas têm
problemas que vão do excesso de ocupação à localização inadequada
para órbitas equatoriais. Além disso, perderam há tempos a liderança
dos lançamentos comerciais para o consórcio privado francês Arianespace,
hoje o líder com 80% do mercado, trabalhando com o apoio da Agência
Espacial Européia. Seu foguete é o Ariane, que é lançado da Base
de Kourou, na Guiana Francesa. A Euroconsult estima uma média anual
de 60 lançamentos comerciais. Nessa disputa pelo mercado de satélites,
governos e empresas privadas andam de mãos dadas.
Lugar para todos
Outros competidores são a Rússia, pioneira da era espacial com o
Sputinik, em 1957, China, Japão e Índia. Os primeiros têm tecnologia
e muita experiência, apesar de sua principal base, Baikonur, localizar-se
no vizinho Cazaquistão, antigo país-satélite da extinta União Soviética.
Os chineses despontam com o foguete Longa Marcha, cujos maiores
atrativos são os descontos nos preços. Já os japoneses gastaram
15 anos e quase US$ 3 bilhões para desenvolver seu próprio foguete,
o que já deu frutos: em 2000 eles assinaram um contrato de US$ 1
bilhão com a Hughes Space and Communication, dos EUA, para lançar
dez satélites até 2005. Embolando o meio de campo asiático vêm os
indianos, que mantém contratos de sensoriamento remoto
com empresas americanas. 
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