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  ESPECIAIS Sexta-feira, 30 de maio de 2003 
DO MARANHÃO PARA O ESPAÇO
Excelente localização de base espacial brasileira pode colocar
o País no centro do mercado de satélites comerciais

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Animações e Galeria de fotos
Principais foguetes e bases de lançamento

Por Juca Rodrigues

O Brasil caminha para ser uma das estrelas do mercado espacial mundial. O responsável por este salto será o Centro de Alcântara, CLA, situado no Maranhão, um dos melhores lugares do mundo para se lançar foguetes ao espaço. Sua localização privilegiada, muito próxima a Linha do Equador, permite o envio de cargas pesadas com grande economia de combustível. É o caso dos satélites de órbita geoestacionária, que representarão 54% dos lançamentos comerciais até 2007, segundo dados da Euroconsult, consultoria européia especializada no setor. Enviar ao espaço equipamentos de alta precisão como estes pode custar até US$ 120 milhões, fora a carga. Isso torna a base maranhense uma das mais atrativas dentre as 17 existentes no mundo para tal finalidade.

Encanto maranhense

Agência Espacial Brasileira
Futuro: teste com o VLS,
o foguete brasileiro

Estimativa feita em 1999 pela Empresa de Infraestrutura Aeroportuária, Infraero, aponta um potencial de faturamento para o CLA de mais de US$ 300 milhões anuais. O mesmo estudo diz que a renda anual indireta captada pelas cidades de Alcântara e São Luís poderá chegar aos US$ 12 milhões por ano. Uma missão chefiada pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, esteve na última semana na Ucrânia negociando um projeto conjunto no qual um dos principais pontos é tornar o Brasil centro de lançamento de seu novo foguete, o Ciclone IV. Os ucranianos não têm base espacial em seu país. Já fizeram mais de 200 lançamentos de outra nave, o Ciclone III, de bases da Rússia e Cazaquistão e são sócios da empresa americana Boeing na Sea Launch, plataforma flutuante de lançamento localizada no Oceano Pacífico. Este será o segundo entendimento do governo brasileiro para a utilização de Alcântara.

Agência Espacial Brasileira
Espaço: a área do Centro de Alcântara
permite uma grande expansão

Em abril de 2000 foi assinado com os Estados Unidos um contrato polêmico, visto por muitos setores da sociedade como prejudicial ao País. Entre os termos assinados, por exemplo, está o controle da base por funcionários americanos. A aprovação do acordo ainda depende de aprovação do Congresso. Os EUA detêm 80% dos lançamentos totais do mundo, incluindo aparelhos científicos e militares, possuem quatro dos principais centros, entre eles o famoso Cabo Kennedy, mas têm problemas que vão do excesso de ocupação à localização inadequada para órbitas equatoriais. Além disso, perderam há tempos a liderança dos lançamentos comerciais para o consórcio privado francês Arianespace, hoje o líder com 80% do mercado, trabalhando com o apoio da Agência Espacial Européia. Seu foguete é o Ariane, que é lançado da Base de Kourou, na Guiana Francesa. A Euroconsult estima uma média anual de 60 lançamentos comerciais. Nessa disputa pelo mercado de satélites, governos e empresas privadas andam de mãos dadas.

Lugar para todos

Outros competidores são a Rússia, pioneira da era espacial com o Sputinik, em 1957, China, Japão e Índia. Os primeiros têm tecnologia e muita experiência, apesar de sua principal base, Baikonur, localizar-se no vizinho Cazaquistão, antigo país-satélite da extinta União Soviética. Os chineses despontam com o foguete Longa Marcha, cujos maiores atrativos são os descontos nos preços. Já os japoneses gastaram 15 anos e quase US$ 3 bilhões para desenvolver seu próprio foguete, o que já deu frutos: em 2000 eles assinaram um contrato de US$ 1 bilhão com a Hughes Space and Communication, dos EUA, para lançar dez satélites até 2005. Embolando o meio de campo asiático vêm os indianos, que mantém contratos de sensoriamento remoto
com empresas americanas.

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