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CONSUMO

Quarta-feira, 26 de maio de 2004
continua....
LIMPEZA NAS PRATELEIRAS
A partir de agosto estará proibida a venda de um dos produtos
mais usados pelo consumidor brasileiro, o álcool líquido. No seu
lugar, entra o gel

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Por Alexandre Bello

 
Modernidade: novo álcool em gel chega ao mercado com novas fragrâncias e cores  

Uma mudança nas prateleiras dos supermercados promete transformar radicalmente o hábito de limpeza nas casas dos brasileiros. O famoso álcool líquido de garrafa usado para dar brilho e tirar a sujeira dos utensílios domésticos sairá das gôndolas no próximo mês. Uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a venda do famoso produto de limpeza, a partir do dia 21 de agosto. Após a data, a venda de álcool puro ou diluído só será permitida nas farmácias e drogarias em embalagens de até 50 mililitros.

O candidato mais forte para roubar o seu posto é o seu irmão mais novo: o álcool em gel. A substituição, entretanto, gerou uma verdadeira briga de família para ver quem vai abocanhar um mercado que movimenta cerca de R$ 200 milhões por ano, segundo a Associação Brasileira dos Produtores e Envasadores de Álcool (Abraspea).

A empresa anglo-holandesa Reckitt Benckiser, maior companhia do mundo no setor de higiene e limpeza, saiu na frente nesta batalha. A multinacional está lançando 20 produtos e sua menina dos olhos é justamente a nova linha de álcool em gel, agora com novas fragrâncias, que chegará aos supermercados nas marcas Veja e Lysol. A idéia é causar uma reviravolta no mercado de álcool. A tarefa não será fácil. Atualmente, a participação de álcool em gel no setor é de apenas 6%. Por isso, a empresa investirá R$ 5 milhões na divulgação do produto.

A medida serviu de combustível para a Reckitt, que foi a primeira empresa a colocar no mercado brasileiro o álcool em gel para higiene do lar, em outubro de 2001. "Como o álcool líquido desaparecerá das prateleiras, nós acreditamos que os consumidores migrarão para o álcool em gel. Eles não vão mudar de hábito porque estão acostumados a usar o álcool na limpeza", afirma o diretor de marketing da Reckitt Benckiser, Camillo Pane.

De acordo com o executivo, a substituição dos produtos será progressiva. Apesar disso, a expectativa é que o álcool em gel movimentará de R$ 150 a R$ 170 milhões no próximo ano, sendo a poderosa marca Veja responsável por 30% da fatia do mercado, apesar do possível aumento da concorrência.

Queimaduras

O principal objetivo da resolução que foi divulgada pelo ex-ministro da Saúde, José Serra, em fevereiro deste ano - este foi um de seus últimos atos antes de entrar na corrida pela presidência da república -, seria diminuir o número de acidentes domésticos com queimaduras provocadas pelo álcool líquido. Segundo a Sociedade Brasileira de Queimadura (SBQ), aproximadamente 45 mil crianças são queimadas por álcool todo ano.

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