Foto: Renato Velasco
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Os fiscais do PAN

Conheça a entidade que faz barulho para manter a organização dos jogos na linha


Por daniel leb sasaki

Participação, justiça social, esportes. Esses são os lemas do Pan do Brasil, certo? Errado. Pelo menos não é o que acontece na prática, dizem os membros do Comitê Social do Pan, um grupo formado em abril de 2005 por faculdades, federações de moradores, institutos de análise e ONGs para estudar o impacto dos jogos no Rio de Janeiro. Eles têm feito barulho. Muito barulho. É que, de acordo com a associação, o poder executor do evento não tem cumprido o que prometeu durante a candidatura da cidade para sediar o Pan. “Tentamos sempre manter um pensamento crítico em relação aos jogos. Cobramos os compromissos assumidos no decreto que criou a Agenda Social do Pan”, diz Bruno Lopes, economista do Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS), uma das entidades que fazem parte do Comitê. O decreto em questão, de número 24227, foi editado em 20 de maio de 2004 e contemplava metas sociais assumidas pelo Brasil perante as Nações Unidas, levando em conta tópicos como o Índice de Desenvolvimento Humano dos bairros do Rio e ações objetivas para reduzir a pobreza e as desigualdades na cidade.

Foto: Renato Velasco
BARULHO
Membros do Comitê Social do Pan
realizam manifestações para cobrar justiça social.

Mas, segundo Lopes, dos 43 artigos da redaçãooriginal, apenas 14 foram postos em prática até agora. Entre os que ficaram de fora, há projetos de porte, como a construção da linha de metrô ligando as zonas oeste e sul e a adaptação de todos os edifícios públicos da cidade às necessidades dos portadores de deficiência física até 2007. “Eles reescreveram a Agenda com as 14 metas atingidas e a colocaram no site da Prefeitura do Rio. Quando denunciamos, tiraram o site do ar”, afirma o economista. É longa a lista de reivindicações levadas a Ruy César, titular da Secretaria Especial do Pan. O Comitê alega que César eximiu-se de responsabilidade sobre os assuntos da Agenda, atribuindo-a a outras pastas. Procurada por DINHEIRO, a assessoria de César não forneceu respostas até o fechamento desta edição. Pelo jeito, nem tudo é festa no Pan.