| Montagem s/ foto:
Evandro Rodrigues |
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O telefone do Google
A
maior empresa de internet do mundo se movimenta em direção
à telefonia e pode estar criando um celular com sua
marca

Por cristiane barbieri
Google no celular significa busca, e-mail, mapas e Orkut,
entre aplicativos e conteúdos disponíveis para
telefones móveis. Agora, celular do Google –
ou Google Phone, como vem sendo chamado – promete ser
o aparelho celular desenvolvido pela empresa que, até
agora, sempre teve os dois pés fincados no mundo virtual.
Os rumores sobre a guinada do Google com o lançamento
do equipamento já corriam a internet, mas ganharam
força duas semanas atrás, quando a empresa publicou
um anúncio recrutando engenheiros especializados em
hardware. “O Google está experimentando sistemas
de comunicação sem fio, incluindo novos conceitos
de interação”, diz o texto da vaga, que
requisita profissionais com “extensa experiência
em modelagem e análise de circuito, design e licença
de rádio”. Somado a recentes aquisições
do Google das empresas Android, Reqwireless e Skia, todas
desenvolvedoras de software para aparelhos móveis,
o boato ganhou peso de verdade. Com direito, inclusive, a
fotos do protótipo do aparelho que estaria sendo desenvolvido
em parceria com a Samsung – batizado de Switch –
correndo a mídia. O jornal britânico The Guardian
publicou que a empresa estaria em via de lançar o equipamento
com a operadora Orange. “Não comentamos rumores,
mas o celular será, em poucos anos, a plataforma mais
importante de acesso à internet”, afirmou Omid
Kordestani, vice-presidente sênior do Google à
DINHEIRO.
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Túlio (à
esq.) e Kordestani: Maior parceria do Google
envolve várias plataformas da Brasil Telecom. |
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Como o iPhone, da Apple, o Switch teria tela sensível
ao toque, mais os aplicativos hospedados na internet. Rodaria
em softwares abertos como Java e Linux e usaria a telefonia
pela rede, o VoIP. Como tudo que diz respeito ao Google, chegaria
ao consumidor de graça ou muitíssimo barato,
sustentado pelo modelo de links patrocinados. “Apesar
de haver vários aparelhos com acesso à internet,
é difícil usá-los porque eles não
são amigáveis”, afirma Petrônio
Nogueira, sócio da consultoria Accenture especializado
em telecomunicações. “O Google poderia
resolver esse problema e também criar uma alternativa
relevante de publicidade, já que esse é um dos
maiores nós para a consolidação do uso
da internet e da TV pelo celular.” Segundo Nogueira,
a eficiência trazida pelos links patrocinados atrairia
os anunciantes em grande escala, porque esse modelo é
capaz de atingir individualmente os donos dos celulares e
identificar seus interesses específicos.
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CLIENTE CONVERGENTE
Telefone móvel deverá ser principal meio
de acesso |
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Mesmo que os investimentos do Google resumam-se a desenvolver
soluções para vender às fabricantes de
celular, a empresa tem se mostrado cada vez mais próxima
das operadoras de telefonia móvel, inclusive no Brasil.
No início do mês, a empresa e o Internet Group
(iG), braço de internet da BrasilTelecom, anunciaram
uma parceria na qual o Google venderá tecnologia aos
portais da operadora. Entre os serviços, estão
a plataforma de e-mail, a criação de páginas
personalizadas, o gerenciador de fotos Picasa e, é
claro, a ferramenta de busca. O acordo oferece também
acesso via celular ao Orkut e ao Picasa e poderá, futuramente,
abranger também o YouTube e outros serviços
do Google. A perspectiva da inclusão do YouTube no
pacote faz todo o sentido. Pesquisa da consultoria CacheLogic
estima que até 2010 98% do tráfego da internet
envolverá vídeo. “O Google é uma
empresa exemplar porque foi capaz de romper todos os paradigmas
do mercado”, afirmou Ricardo Knoepfelmacher, presidente
da BrasilTelecom, durante o anúncio do acordo. A parceria
estendeu ao Google, que faturou US$ 10 bilhões no ano
passado, uma base três milhões de usuários
e oito milhões de e-mails ativos. “É o
acordo mais abrangente que já fizemos”, diz Kordestani.
“Estamos felizes com a parceria com a BrasilTelecom
e esperamos que ela se estenda porque somos muito flexíveis
e queremos maximizar todas as oportunidades.”
Por trás de tamanho empenho está o fato de
que o celular tende a se tornar a principal plataforma de
acesso à internet. “Estamos vivendo uma fase
de convergência”, afirma Frederico D’Ávila,
gerente de produtos da linha mobilidade da HP. A fabricante
de computadores lançou, em outubro, seu primeiro computador
de mão (PDA) com telefone no Brasil, numa parceria
com a TIM, apenas para consumidores corporativos. Como resultado,
viu as vendas dos PDAs crescerem 30% em relação
ao trimestre anterior. Agora, prepara mais lançamentos,
a parceria com outras operadoras, além de já
ter levado o produto aos consumidores finais. “O usuário
quer portabilidade e acesso à informação
onde quer que seja”, afirma Marco Antonio Brandão,
sócio para as indústrias de tecnologia, mídia
e telecomunicações da consultoria Deloitte Touche
Tohmatsu. A opinião parece ser unânime. “O
cliente é convergente”, afirma Caio Túlio
Costa, presidente do iG. “Ele não quer que digamos
quais as fronteiras entre telefonar, ver, assistir e usar
a rede.” É por isso que fabricantes de computador,
empresas de internet e produtores de conteúdo avançam
na telefonia móvel. Ao tentar desenvolver o melhor
aparelho e o melhor serviço de todos, querem garantir
para si a maior fatia do bolo.
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