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Zats e Halaban, criadores
do jogo: “ Estão
fazendo tempestade em copo d’água. É
só faz-de-conta” |
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Jogo da polêmica
Receita Federal promete recolher um brinquedo da Estrela em que o suborno é a grande jogada

denise ramiro
A Receita Federal começou o ano disposta a caçar
“sonegadores” mirins. A primeira medida do órgão
máximo de fiscalização tributária
do País em 2007 foi proibir a comercialização
de um jogo de tabuleiros, indicado para crianças a
partir de nove anos de idade. Motivo do veto: a Receita alega
que o “Jogo da Fronteira”, produzido pela Estrela,
ensina a garotada a subornar autoridades. Na brincadeira,
os participantes atravessam uma fronteira imaginária
controlada por um policial e, para entrar em outro País
com a mercadoria (bananas, camisetas, cigarros, bebidas),
precisam, muitas vezes, recorrer ao velho “jeitinho
brasileiro”. Com o sinal verde da autoridade, o negociante
pode comercializar seus produtos. Ganha quem tiver mais dinheiro
no final do jogo. Os defensores do brinquedo acham a reação
da Receita Federal exagerada. “Se é verdade que
um jogo molda o comportamento das pessoas, então os
educadores estão perdendo a oportunidade de usá-lo
como ferramenta de ensino”, diz o empresário
Sérgio Halaban que, ao lado de André Zats, assina
a criação do Jogo da Fronteira. Eles são
donos da SB Jogos, empresa que licenciou o produto para a
Estrela. “De qualquer forma, esse veto é um problema
entre a Estrela e a Receita”, afirma Halaban.
Precavida, a fabricante suspendeu as vendas do jogo no final
do ano passado. A Receita, por sua vez, deve encaminhar nos
próximos dias um pedido ao Ministério Público
e à Polícia Federal para que determinem o recolhimento
de eventuais unidades que ainda estejam sendo vendidas nas
lojas. DINHEIRO procurou a Estrela e a Receita nesta primeira
semana do ano e não encontrou porta-voz para falar
sobre o assunto. “Se o jogo for tirado do mercado vai
ser ruim. Se ficar só na polêmica vai ser bom”,
diz Halaban. Por enquanto, o placar está favorável
aos inventores. Duas das principais lojas de brinquedos de
São Paulo, a PBKids e a Hi Happy, venderam todas as
unidades. Bendita polêmica! Na Alemanha, onde foi lançado
em fevereiro de 2006 pela Kosmos, maior fabricante européia
de jogos de tabuleiro, o produto agradou. Já foram
vendidos 6 mil unidades, uma boa média para o País,
e o “Jogo da Fronteira” entrou na lista dos 10
mais recomendados do ano.
Detalhe importante do Jogo da Fronteira: quando algum participante
declara exatamente o que tem na bagagem e o policial desconfia
e pede para ver a mercadoria, o jogador honesto tem direito
a indenização. Eis aí o produto funcionando
como uma ferramenta de ensino, como disse Halaban. A Receita
mantêm-se irredutível. “Fazemos parte do
Programa Nacional de Educação Fiscal, que tem
por objetivo ensinar noções de cidadania e a
importância do cumprimento das leis. Aí vem um
jogo e ensina a criança a pagar propina”, declarou,
no final de 2006, Cesar Augusto Barbiero, superintendente
da 7º Região Fiscal da Receita Federal. Já
para os pais da idéia, tudo não passa de tempestade
num copo d´água. “É só uma
brincadeira de faz de conta”, brinca Halaban.
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