| Foto: Getty Images |
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A
ameaça loira
O sucesso
de um bar em ponto nobre de Paris revela como a cerveja ganha
espaço sobre a mais francesa das bebidas

Por joaquim castanheira,
de paris
Pierre Faroet, um produtor de vinho francês, aponta
para uma pequena porta no número 65 da avenida Champs
Elysées, um dos mais luxuosos corredores comerciais
do mundo. Em tom amargo, diz: “É isso que está
acabando com nosso negócio.” O local é
identificado por uma discreta placa luminosa com os dizeres
Culture Bière e se transformou num dos pontos mais
badalados de Paris. Trata-se de uma cervejaria gourmet, como
os franceses a chamam. O espaço de três andares,
sobriamente decorados e ligados por um elevador panorâmico,
é dividido entre uma loja de alimentos finos, um restaurante
e um bar, onde há rodadas de degustação
de cervejas de fabricação própria. Jovens
e rodadas de degustação de cervejas de fabricação
própria. Jovens e personalidades circulam entre suas
mesas e balcões. Paradoxalmente, o sucesso da Culture
Bière a colocou na linha de tiro dos produtores de
vinho. Sim, porque a cerveja é considerada uma das
grandes vilãs na trajetória de queda no consumo
de vinho no continente europeu. A “loira” tem
feito o caminho inverso: na União Européia o
consumo da bebida saltou 52% entre 1996 e 2001. Nos anos seguintes,
a expansão foi menos acelerada e o índice anual
ficou abaixo de um dígito. Resultado: está sobrando
vinho nas adegas européias, sobretudo as francesas.
No mundo, sobram quatro bilhões de litros. Em 2010,
calcula-se que a Europa registrará um excedente de
15% de sua produção anual. A “culpa”
da cerveja nessa decadência é apenas meia verdade.
Os vitivinicultores franceses também foram duramente
atingidos pela inesperada força dos produtores emergentes,
como Argentina, Chile, Estados Unidos e Austrália.
Com custos menores e um marketing agressivo, esses países
passaram a disputar um mercado que crescia num ritmo inferior
ao da produção. A cerveja conquistou parte dos
antigos apreciadores de vinho porque fez um competente trabalho
daquilo que os marketeiros chamam de “reposicionamento
de produto”, utilizando inclusive conceitos dos empresários
do vinho. O apelo exclusivamente popular cedeu lugar a uma
glamourização da bebida, com a diversificação
de sabores e o lançamento de versões aromatizadas
(no Culture Bière, há uma opção
com frutas da estação, de enjoativo sabor adocicado).
A Culture Bière, encravada na mais francesa das avenidas,
personifica essa ameaça à mais francesa das
bebidas. Na loja, localizada no térreo junto à
entrada, o cliente encontra condimentos e alimentos (inclusive
caviares e terrines) com marca própria. Há também
temperos feitos à base de cerveja. Uma infinidade de
objetos próprios para apreciar a bebida (de abridores
de garrafa a pequenas pás para colarinho de cerveja)
está ao alcance das mãos, mas nem sempre dos
bolsos. Os bebedores podem adquirir os copos mais adequados
para apreciar este ou aquele tipo de cerveja – alguns
deles assinados por designers consagrados. No restaurante,
o menu sugere harmonização entre as refeições
e cada variedade da bebida. Esse estilo moderninho atrai multidões
de jovens consumidores que se afastam cada vez mais dos cálices
de vinhos, tornando o tom de voz do produtor Faroet cada vez
mais amargo. 
CASAMENTO
PERFEITO
Sugestões de menus para cada tipo de cerveja
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CERVEJAS
ESCURAS |
CERVEJAS
ALE |
CERVEJAS
CRISTAL |
CERVEJAS
DE TRIGO |
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• Terrine de
carne de caça
• Cabrito ao molho
Grand Veneur
• Fatia de queijo
roquefort
• Um ou dois petit
gâteau |
• Uma torta de
legumes variados
• Vitela cozida
em caçarola
• Queijo Cantal
(região de Cantal)
• Porção
de creme brulée |
• Um prato de
frios e salsicha
• Bar en papillote
(francesa)
• Queijo Livarot
(cidade)
• Uma fatia de
torta de maçã |
• Um prato de
frutos do mar
• Uma posta de
salmão defumado
• Uma porção
de
queijo de cabra
• Um taça
de
salada de frutas |
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