| Arte: André
Felix |
 |
 |
|
| |
Ganhe mais com a renda fixa
CDBs
de bancos menores são uma boa opção de
rendimento e agora contam com cobertura de até R$ 60
mil do FGC

Por aline lima
Cansado da rentabilidade minguada oferecida por seu fundo
DI? Desistiu de operar no tesouro direto por conta das taxas
proibitivas exigidas pelas corretoras? Pois se o seu objetivo
é conseguir uma valorização mais atraente,
porém sem abrir mão da renda fixa, uma alternativa
interessante – e pouco recorrente – são
os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs)
de segunda linha, emitidos por por bancos de pequeno e médio
portes. “Nessas instituições, o investidor
pode obter taxas até mesmo superiores ao CDI”,
afirma o especialista em finanças Rafael Paschoarelli,
professor da Faculdade de Economia e Administração
da USP, ele próprio um adepto desses CDBs. Nos grandes
bancos de varejo, os retornos médios oferecidos giram
em torno de 80% do CDI. A alta rentabilidade está atrelada,
obviamente, à percepção de risco em relação
ao banco que emite os papéis. A boa notícia
é que o Conselho Monetário Nacional aumentou,
em setembro deste ano, o limite do Fundo Garantidor de Crédito
de R$ 20 mil para R$ 60 mil. Isso significa que, em caso de
quebra da instituição financeira, o fundo assegura
a devolução do dinheiro aplicado até
esse teto.
Os bancos utilizam os CDBs para captar recursos, direcionando
o montante para a oferta de crédito. Nos bancões,
essa necessidade é menor porque eles contam com uma
grande massa de depósitos à vista (em conta
corrente). Já nos pequenos e médios essa forma
de captação é bastante relevante para
fazer girar a engrenagem da instituição, uma
vez que não possuem a mesma capilaridade. Daí
a maior flexibilidade do investidor para barganhar taxas mais
atraentes. Como o CDB é uma aplicação
com remuneração negociada, as instituições
financeiras concedem taxas melhores de acordo com o volume
do investimento. Ou seja, quanto maior a aplicação,
maior a chance de conseguir taxas melhores. “Num fundo
de investimento, a taxa de administração é
determinada, sendo impossível negociá-la”,
compara Paschoarelli. Ele lembra, ainda, que num banco pequeno
essa negociação é mais fácil,
pois não existem tantos intermediários para
se chegar à mesa de operações, onde são
decididos os valores. “Nos grandes bancos de varejo
o cliente não passa do gerente.”
 |
Paschoarelli,
da USP: “Retornos
podem ser superiores ao CDI” |
Fazendo um cálculo rápido, um investidor que
tenha aplicado R$ 10 mil por pouco mais de um ano em um fundo
de investimento DI com taxa de administração
anual de 3% teria, ao final do período, R$ 11.320,
líquido de Imposto de Renda (IR). Aplicados em um CDB
que rendesse 100% do CDI, a diferença seria de R$ 240
a mais. Vale lembrar que os saldos obtidos são aproximados
porque, no cálculo, o IR foi descontado sobre o percentual
do CDI. Num fundo de investimento, a dedução
é feita nos meses de maio e novembro. No CDB, o IR
só é pago no momento do resgate da aplicação.Portanto,
o investidor ganha, no CDB, rendimento sobre o imposto que
ainda não foi pago. Considerou-se, para ambos os cálculos,
o CDI dos últimos 12 meses (de 16,01%). Os CDBs podem
ser pré ou pós-fixados. No CDB prefixado, o
investidor sabe, no ato da aplicação, o valor
do resgate. A taxa é mantida no prazo contratado, independentemente
da situação do mercado. Mas desde que o investidor
não resgate o dinheiro antes do prazo determinado.
É ideal quando se tem uma perspectiva de queda da taxa
de juro, como no momento. No caso do CDB pós-fixado,
o investidor negocia com a instituição o percentual
de juros a ser pago (que varia conforme o valor do investimento)
e o índice que irá remunerar a aplicação
– normalmente CDI. Na hora de fechar o contrato, certifique-se
de que o banco oferece liquidez diária, independentemente
de o CDB ser pré ou pós-fixado. Do contrário,
o saque só poderá ser feito no vencimento do
título. Caso faça novos aportes, outra dica
é negociar uma remuneração maior.
Embora a oferta de crédito continue em expansão,
o volume de emissão de CDBs este ano foi metade da
quantidade verificada no ano passado – R$ 30,9 bilhões
até 21 de novembro ante R$ 60,7 bilhões no mesmo
período de 2005, segundo dados do Banco Central. “Ainda
não sentimos o efeito do aumento do limite de cobertura
assegurado pelo Fundo Garantidor de Crédito”,
afirma Sylvio Santoro Filho, diretor financeiro do banco Cacique.
“Mas continuo esperando que ele estimule o investidor
a comprar mais CDBs.” 
|