Arte: André Felix
 
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O computador que veio da selva
A Amazon PC segue o instinto de seu fundador, ignora regras dos grandes fabricantes e cresce sem parar


Por Cristiane Barbieri

A Amazon PC é uma empresa única. Ao contrário da maioria das companhias de tecnologia, não tem escritório na Vila Olímpia ou no Brooklin, bairros paulistanos que já foram chamados de Vale do Silício brasileiro. Sua sede fica na zona norte da cidade e é decorada com o capricho de quem cuida da própria casa, com direito a fonte de água e bonsai na sala do presidente. Já a fábrica fica em Manaus, o que significa 12 dias de viagem para que os computadores cheguem à região Sudeste, único lugar que, dizem todos os fabricantes, permite rentabilidade à área. Em oposição à concorrência, a Amazon faz questão de produzir, ela mesma, o maior número possível de componentes, não personaliza PCs, nem olha para o mercado corporativo ou para o governo, grandes filés mignon do setor. Seu controlador, Carlos Diniz, 41 anos de idade, também não tem mestrado numa escola de negócios da moda nos EUA e na Europa. Aliás, nem a graduação na faculdade quis completar. “Aprendi o que sei sozinho, mas discuto de igual para igual com qualquer engenheiro”, diz.

  Diniz, presidente: “Produzimos pelo mesmo preço dos fabricantes
chineses”
 

Mesmo tendo se posicionado na direção diametralmente oposta à concorrência – ou talvez por isso mesmo –, a Amazon PC cresce sem parar. Hoje, vende mais de 200 mil computadores por ano. E produz fenônemos como o PC de R$ 599, cujas 20 mil unidades fabricadas este ano foram vendidas num único dia. “Preço é uma questão absolutamente fundamental para a classe C, principal compradora desse novo mercado”, diz Eduardo Diniz, professor de TI da Fundação Getulio Vargas. É verdade. O faturamento da empresa, de R$ 18 milhões, em 2003, atingiu os R$ 200 milhões este ano (veja tabela). “O sucesso desse produto não é apenas o preço”, afirma o Diniz da Amazon PC. “Priorizamos a venda para redes que ofereçam juros menores e dividam o pagamento em pelo menos 24 vezes.”

A Amazon, no entanto, não é uma empresa de um produto só. Distribuidor de artigos de informática no início da década, Diniz percebeu que os fabricantes aumentavam cada vez mais suas revendas e, com isso, diminuíam sua margem. Foi conversando com um de seus fornecedores, uma pequena indústria fundada em Manaus em 1997, que Diniz resolveu deixar de vender e passar a fabricar computadores. “Fui à fábrica dele e fechei negócio no mesmo dia: conhecia o mercado e sabia exatamente o que o consumidor queria”, diz. “Aliás, essa é a grande vantagem de trabalhar com a pessoa física.” Para ganhar competitividade, Diniz investiu pesado em tecnologia e, ao automatizar parte de sua linha, passou a fabricar 15 mil PCs e três mil notebooks com apenas 80 empregados. Ou um computador a cada 52 segundos. “Conseguimos produzir pelo mesmo preço da China”, afirma. Como faz boa parte das peças, inclusive placas-mãe, a Amazon tem a vantagem de lançar produtos com mais agilidade que seus concorrentes. “Contratamos engenheiros que fazem minhas idéias se tornarem realidade”, diz. Prepare-se, concorrência, que da fábrica da floresta virão ainda muitas novidades.