| Montagem/foto
de Daniel Wainstein |
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R$ 800 milhões
é quanto a companhia espera faturar em 2006 |
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A
número três
Como a pequena Petrópolis
desbancou a poderosa Femsa (dona da Kaiser) e assumiu a terceira
posição do setor de cerveja

Por ROSENILDO GOMES FERREIRA
Walter Faria, dono da Cervejaria Petrópolis, é
aquele tipo de empresário avesso a entrevistas. Também
não gosta de badalação. Ele cultiva hábitos
simples, típicos de quem nasceu no interior, e desde
cedo está na lida. Mas, quando o assunto é o
mercado cervejeiro, a eloqüência substitui a timidez.
Também pudera.
Com as marcas Crystal e Itaipava ele acaba de assumir a
terceira posição do setor, com uma fatia de
7,02%. Perde para a Ambev e a Schincariol e empata com a poderosa
multinacional mexicana Femsa, dona das grifes Kaiser, Bavária
e Heineken que acumulam 7,06%. Um empate com sabor de vitória,
já que ao contrário da rival, a empresa de Faria
segue em trajetória ascendente. “Enquanto a concorrência
fala, nós trabalhamos duro, pagamos impostos e geramos
empregos”, dispara. Em um setor no qual cada ponto percentual
eqüivale a R$ 100 milhões, a ascensão vertiginosa
dessa “pequena notável”, impressiona. Em
dois anos, o faturamento da Petrópolis saltou de R$
169 milhões para os R$ 800 milhões previstos
para 2006. A produção seguiu a mesma trilha,
avançando de 148 milhões de litros para 500
milhões de litros, em igual período. E Faria
quer mais: “Temos demanda para atingir 10% do mercado”,
diz. Para chegar nesse patamar ele vem reforçando os
investimentos nas fábricas situadas em Itaipava (RJ)
e Boituva (SP), nas quais já aplicou R$ 230 milhões
desde que assumiu o negócio em 2001.
| Foto: Valor Econômico |
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Walter Faria, dono
da cervejaria Petrópolis: "Temos demanda
para atingir 10% do mercado de cerveja e vamos chegar
nesse patamar em 2007" |
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Números, sem dúvida, expressivos e que deixaram
a concorrência de orelha em pé. Especialmente
depois que Faria foi envolvido na “Operação
Cevada”, que levou para a prisão os controladores
da Schincariol, em 2005, acusados de sonegação.
O dono da Petropólis alega que foi arrolado no caso
apenas porque fora distribuidor da Schincariol na década
de 90. “Sou inocente. A prisão foi injusta, tanto
que nem fui denunciado no processo”, garante. A receita
de Faria para crescer no mundo cervejeiro inclui táticas
típicas de guerrilha. Sem fôlego para atuar em
escala nacional, ele selecionou as regiões nas quais
teria maior chance de êxito: Rio de Janeiro, São
Paulo e Mato Grosso. Desde o início do ano, a Cervejaria
Petrópolis adicionou mais seis localidades do Nordeste,
Sul e Sudeste ao seu portfólio, totalizando 107 distribuidores.
Com uma verba de marketing limitada a R$ 8 milhões
para este ano (a líder Ambev gasta cerca de R$ 400
milhões nessa rubrica), Faria concentra sua ação
nos pontos-de-venda. Às vezes, ele dá uma “incerta”
em bares da periferia ou de cidades do interior para medir,
“in loco”, a aceitação do produto.
E não raro essas visitas acabam com ele pagando uma
rodada para todos os clientes do bar. “Faço isso
sem me identificar”, conta.
Para manter a trilha de crescimento, o dono da Cervejaria
Petrópolis pretende construir sua terceira fábrica.
A definição do local depende da negociação
de incentivos fiscais junto aos governos estaduais e de um
empréstimo do BNDES. “Os estudos estão
adiantados”, diz ele, sem revelar maiores detalhes.
Com isso, Faria espera sair da posição de nanico,
assumindo um posto de destaque no pelotão intermediário.
Até porque, em um segmento movido a novidades (A Ambev,
por exemplo, acaba de lançar uma nova categoria, a
Skol Lemon) e no qual as cartadas atingem a casa dos milhões
de reais é de se esperar que os rivais, especialmente
os mexicanos da Femsa queiram botar água no chope de
Faria. 
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