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Sérgio Rodrigues,
da TCS Brasil: parceria com instituições de
ensino para capacitar profissionais |
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Aqui
estão as vagas
Com falta de mão-de-obra
qualificada, setor de tecnologia tem empregos de sobra. Em
cinco anos, serão 213 mil

Por Cristiane Barbieri
As últimas semanas têm sido particularmente
assustadoras quando o assunto é aumento do desemprego.
Há pouco mais de 15 dias, a Volkswagen anunciou a demissão
de seis mil trabalhadores e, mesmo tendo voltado atrás,
sabe-se que a situação dos empregados não
está exatamente resolvida. Alguns dias depois, a indústria
têxtil revelou o fechamento de 60 mil postos de trabalho
no ano e, na semana seguinte, a Fiesp anunciou que cinco mil
vagas foram eliminadas na indústria paulista, no mês
de agosto. Há vários culpados, mas um dos principais
é o conhecido desemprego estrutural, aquele provocado
por mudanças na tecnologia de produção.
Cada vez mais, a tecnologia reduz a necessidade de trabalhadores,
ao mesmo tempo em que aumenta a produtividade das empresas.
Essa vilã cruel, no entanto, pode trazer em si parte
da solução para o problema. Ou agravar ainda
mais a situação do desemprego, caso a oportunidade
não seja aproveitada. O programa “Formação
de Capital Humano em Software (FCHS)”, que será
divulgado quinta-feira pelo Ministério da Ciência
e Tecnologia (MCT), indica que hoje há um déficit
de 17 mil profissionais de tecnologia no mercado de trabalho.
E que poderá haver uma oferta de 230 mil vagas sem
condições de serem preenchidas em 2012, se não
se estruturar a qualificação de mão-de-obra
para esse mercado, que movimenta US$ 13 bilhões por
ano no País.
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Processo:
Embraer entrou na Justiça contra a Gulfstream, a quem
acusa de aliciar seus funcionários |
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O problema nas empresas hoje já é grave. A
TCS Brasil, empresa do grupo indiano Tata, tinha 200 funcionários
há um ano e meio. Hoje tem 1,1 mil e estima que, em
três anos, empregará 4 mil pessoas. “Não
estamos conseguindo driblar a falta de mão-de-obra”,
diz Sérgio Rodrigues, presidente da TCS Brasil. “Acabo
perdendo clientes de maneira indireta porque não consigo
ser agressivo em preços ao ter de formar ou contratar
no mercado mão-de-obra”. A empresa, que investe
entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão ao ano em
treinamento, acaba de estruturar uma parceria com sete instituições
de ensino brasileiras aos moldes do que faz na Índia.
“A diferença é que lá as parcerias
são com universidades porque o governo determinou,
há 40 anos, a prioridade na área”, diz.
“No Brasil, podemos ter técnicos de ensino médio”.
A TCS pretende contratar 300 estudantes por meio dessa parceria,
ao longo dos próximos seis meses. Para Rodrigues, o
principal motivo da carência de trabalhadores qualificados
foi a extinção dos cursos técnicos em
2000. “Foi uma grande falta de visão estratégica”,
diz.
| Jefferson Bernades |
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Sérgio Dias, da Ceitec:
250 vagas deverão ser abertas pela
empresa dentro de um ano |
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A situação repete-se em qualquer outra companhia
da área: o crescimento só não é
maior porque há a amarra da mão-de-obra. A consultoria
Accenture tem aberto entre 500 a 1 mil vagas por ano, nos
últimos quatro anos e sempre recrutou profissionais
nas grandes faculdades do Brasil. Recentemente, abriu o leque
e passou a inscrever seus futuros empregados – 95% dos
estagiários contratados nos últimos anos da
faculdade são efetivados – em escolas que formam
tecnólogos. “A oferta de profissionais na área
de exatas tem diminuído ao longo do tempo”, afirma
Petronio Nogueira, sócio da Accenture. Já a
fabricante de microprocessadores Ceitec tem ido buscar os
coordenadores do fábrica no exterior. “Não
existe no Brasil profissionais com experiência em fábricas
de semicondutores”, diz Sérgio Souza Dias, presidente
do Ceitec. “Nossos salários não são
tão competitivos, mas o atrativo é o fato de
que há muitos brasileiros querendo ser repatriados”.
A empresa estima que terá 250 vagas quando estiver
funcionando, em um ano.
Salários altos (veja tabela) e vagas em
abundância são um prato cheio para o governo
anunciar, a menos de dez dias das eleições,
um plano ambicioso de reestruturação do modelo
de formação de profissionais de tecnologia.
Ainda pequena, essa área emprega entre 180 mil e 200
mil pessoas no País. Pouco, se comparado ao 1,6 milhão
de vagas da indústria têxtil, por exemplo. “O
mercado de TI é extremamente atraente porque tem grandes
perspectivas de crescimento não só no mercado
interno como também das exportações”,
afirma Eratóstenes Ramalho de Araújo, coordenador
de capacitação da Softex, entidade de promoção
do software brasileiro que ajudou o MCT a elaborar o programa.
“E o Brasil é reconhecido por sua excelência
e criatividade em soluções”.
O programa que será anunciado pelo governo foi formatado
de maneira modular e permite que se formem profissionais de
acordo com os investimentos disponíveis. Para educar
por volta de 50 mil profissionais até 2012 seriam necessários
R$ 500 milhões. Já um plano mais ambicioso,
que pretende atingir 130 mil trabalhadores, exigiria R$ 1
bilhão. Caro porque a mão-de-obra requer treinamento
intensivo e contínuo, graças à constante
evolução da área. “Essa verba seria
dividida entre empresas, governos, escolas e instituições
financeiras, já que esse é um projeto que beneficiará
toda a sociedade”, diz Araújo. Projetado para
ser realizado ao longo dos próximos sete anos, mas
com a perspectiva de ser estendido por mais tempo, o FCHS
abrange várias áreas. Estão lá
reciclagem, novos cursos, do técnico à pós-graduação,
atração de jovens talentos e recolocação
de profissionais de outras áreas para a de TI. “Não
conheço o programa, mas tenho olhado as propostas políticas
e vejo ausência de planejamento de longo prazo, como
aconteceu com a formação de ilhas de excelência
como a Embrapa e a Embraer”, afirma Sérgio Amad
Costa, professor de Recursos Humanos da FGV-SP. Ter mão-de-obra
treinada, no entanto, nem sempre significa tranqüilidade
para as empresas. A Embraer, por exemplo, está processando
a rival Gulfstream que tem recrutado trabalhadores da empresa
pelos jornais de São José dos Campos, onde tem
sua sede. No processo, a fabricante de aviões brasileira
alega que a Gulfstream estaria tentando aliciar seus empregados,
para ter acesso a sua tecnologia e clientela. Pelo jeito a
placa de “Há vagas” continuará pendurada
nas empresas de tecnologia por muitos anos. 
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Bolso
cheio
Remunerações de alguns cargos
e salários em TI – R$
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Mínimo |
Médio
|
Máximo |
 |
Desenvolvedor de sistema |
3.275 |
3.567
|
3.966 |
 |
Analista de segurança |
3.432 |
4.234
|
4.974 |
 |
Programador |
3.748 |
3.990
|
4.395 |
 |
Analista de sistema |
3.947 |
4.624
|
6.766 |
 |
Administrador de banco de dados |
4.179 |
4.274
|
4.370 |
 |
Analista de suporte |
4.208 |
4.505
|
5.056 |
 |
| Programador web |
4.574
|
4.912
|
|
 |
Supervisor de operações
|
7.328
|
7.684
|
9.690
|
 |
Gerente sênior
|
12.686
|
14.713
|
18.324
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