| André
Félix/Thiago D’Angelo |
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| Ganhos
tarifários cresceram 1.084% desde o Plano Real, há 12
anos. |
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O
insustentável peso das taxas
Bancos já faturam
mais com tarifas do que com títulos públicos. E vem mais por
aí

Por aline lima
Muito se fala da explosão na concessão de crédito,
uma atividade que vem ganhando força dentro dos bancos
nos últimos tempos. Mas um fenômeno paralelo,
de proporções tão impactantes para as
instituições financeiras quanto a disparada
dos financiamentos, cresce ainda mais vigorosamente sem o
mesmo alarde. Trata-se da evolução das receitas
obtidas com as taxas de serviço. Tarifas como as cobradas
para se fazer um DOC, consultar um extrato ou mesmo para a
manutenção de uma conta corrente inativa têm
engordado como nunca o caixa dos bancos. Desde 1994, quando
a estabilidade econômica eliminou os ganhos dos bancos
na ciranda financeira, essas taxas crescem continuamente.
Um levantamento feito pela consultoria Austin Rating para
a DINHEIRO revela que, de lá para
cá, as receitas originadas pela cobrança dessas
taxas aumentaram 1.084% em cinco dos maiores bancos do País
(a Caixa Econômica Federal ficou de fora da amostra).
“Aumentaram a quantidade de serviços passíveis
de cobrança, o valor das taxas e o número de
clientes”, resume Erivelto Rodrigues, sócio da
Austin.
| Foto: Biô Barreira |
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| Rodrigues,
da Austin: Operações bancárias feitas pela
internet podem vir a ser taxadas.
"Aumentaram os serviços
passíveis de cobrança, o valor das taxas
e o número de clientes". |
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No Bradesco, por exemplo, o faturamento com as taxas de serviço
passou de R$ 510,8 milhões no final de 1994 para R$
7,34 bilhões em dezembro de 2005 – um salto de
1.338%. Com o Banco do Brasil não foi muito diferente.
A receita cresceu, no mesmo período, de R$ 1,02 bilhão
para R$ 7,64 bilhões. Desse modo, ficaram para trás
os tempos em que a meta dos bancos de varejo era saldar toda
a folha de pagamentos com o dinheiro das tarifas. O Unibanco,
por exemplo, atingiu esse objetivo em 1997. Hoje, os ganhos
com essas taxas superam em 62,35% os gastos com funcionários.
No caso do Itaú, tais receitas cresceram 1.551% nos
últimos 11 anos. O banco, porém, ressalva que
boa parte do aumento está em linha com a ampliação
de sua base de correntistas, que passou de seis milhões
em 1995 para dez milhões hoje.
Encontram-se listados no site do Banco Central 82 diferentes
tipos de tarifas cobradas pelos bancos. Algumas delas, como
as que incidem sobre a quitação antecipada de
um empréstimo, parecem descabidas. “O cliente
é penalizado por pagar com antecedência”,
observa Rafael Paschoarelli Veiga, da consultoria Alianti.
Em princípio, não há para quem se queixar.
O BC dá às instituições financeiras
liberdade total para fixar cada tarifa – e decidir quais
serviços serão taxados. Só há
base para contestação se a cobrança de
uma nova taxa ou o aumento de seu valor for efetuado sem comunicação
prévia ao cliente com antecedência de, no mínimo,
30 dias. “Nesses casos, o cliente pode pedir estorno
e pelo dobro do valor”, explica Renata Reis, técnica
do Procon de São Paulo.
O aumento dos ganhos com tarifas bancárias é
antipático, mas permite ao menos uma leitura positiva.
“Os bancos estão se tornando mais eficientes
no seu papel principal, que é conceder crédito
e prestar serviços”, afirma Ricardo Pereira Lima,
analista do Inepad. No Itaú, por exemplo, o faturamento
com a cobrança de tarifa ultrapassou, no primeiro semestre
deste ano, o resultado das operações de tesouraria
(onde estão os ganhos quase automáticos com
a compra de títulos públicos). As receitas com
serviços representam hoje 23,1% do faturamento total
do banco, ante 22,6% da receita com tesouraria. A evolução
das receitas com taxas de serviço é, além
disso, uma tendência mundial. Nos Estados Unidos, o
resultado obtido pelos bancos com a cobrança de tarifa
equivale, proporcionalmente, ao dobro da despesa com funcionários.
Moral da história: há mais taxas a caminho.
“Ainda existe bastante espaço para a ampliação
das cobranças”, avalia Rodrigues, da Austin Rating.
“Muitas das operações feitas por meio
da internet, por exemplo, ainda não são taxadas.”

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