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EFE |
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Os brasileiros
já podem prosperar em Buenos Aires sem burocracia.
E o inverso também vale.
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Que
venham os argentinos!

Por ivan martins
O historiador Moniz Bandeira diz que os brasileiros não
percebem a importância e os avanços do Brasil.
Residente na Alemanha, cada vez que passa uns dias no País,
como sempre faz, irrita-se com a pressa brasileira em criticar
e se queixar de tudo, sobretudo do Mercosul. Com um pouco
de atenção é possível perceber
que ele tem razão. O acordo de integração
entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, que responde
por parte relevante do PIB desses países, é
um dos alvos favoritos da má vontade nacional. Ora
se diz que não serve para nada. Ora se diz que é
nocivo aos interesses do Brasil. Cada vez que um presidente
argentino investe contra os em presários brasileiros,
o que é freqüente, alguém pede para acabar
com a palhaçada. Isto é, acabar com o Mercosul.
Há um excesso de impaciência nisso tudo. Dias
atrás, quando a Venezuela ingressou no bloco, ergueu-se
uma onda de ressalvas à figura do presidente Hugo Chávez
– esquecidos, os céticos, que os presidentes
passam e os países ficam, e que a geografia, ao contrário
das ideologias, é eterna.
Típico dessa atitude meio intolerante é o fato
de ter passado sem destaque, na semana passada, um tremendo
avanço na constituição do Mercosul. Entrou
em vigor um novo acordo bilateral entre Brasil e Argentina
que finalmente trata de pessoas, não de mercadorias.
Ele estabelece que a partir de agora um cidadão argentino
poderá se fixar no Brasil, trabalhar e fazer negócios
sem limitações ou burocracia. Basta apresentar
um documento de identidade e uma certidão negativa
de antecedentes criminais para obter um visto temporário
de dois anos – que, vencido o prazo, será transformado
em permanente. Vale o mesmo para os brasileiros na Argentina.
Os serviços de imigração não podem
mais negar residência, exceto por razões judiciais.
Se alguém quiser deixar de ser pobre em São
Paulo para sê-lo em Buenos Aires, pode. Se o sonho for
empreender do outro lado da divisa, também pode. Isso
significa que as fronteiras ficaram muito mais permeáveis.
Significa, também, que um número estimado em
20 mil brasileiros e suas famílias terão suas
vidas facilitadas na Argentina. Deste lado, algo como 60 mil
argentinos, dos quais uma boa parcela ilegal, poderão
integrar-se à vida brasileira sem mais perturbações.
Poderão ter carteira de trabalho, pagar impostos, recolher
aposentadoria, comprar e vender. Tudo, exceto votar, direito
reservado aos nativos.
O impacto econômico direto dessa medida ainda não
foi mensurado, mas não parece ser o mais importante.
O impacto social de longo prazo desse tipo de decisão
é o que importa, inclusive na economia. Os argentinos,
embora tenham universidades meio caóticas, formam profissionais
de excelente qualidade, em várias áreas. Essas
pessoas, movendo-se em maior número em direção
ao pólo de atração da economia brasileira,
certamente farão diferença positiva. No caso
da economia argentina, três vezes menor que a nossa,
talvez a grande contribuição brasileira seja
a cultura de negócios. Os empreendedores brasileiros
parecem ter se adaptado antes e melhor às vicissitudes
do mercado global e suas duras regras de competição.
Isso é algo que o intercâmbio de longo prazo
pode ensinar aos argentinos. Ninguém imagina que os
brasileiros vão torcer pelo Boca Juniors e que os portenhos
saberão onde fica o Parque Antártica, mas a
facilidade de trânsito e residência vai provocar
– no longo prazo – uma síntese mais intensa
entre as duas culturas. O professor Moniz Bandeira, estudioso
das relações internacionais, costuma dizer que
o Brasil, embora grande, só pode aspirar alguma influência
internacional se conseguir organizar ao seu redor um espaço
econômico mais amplo. Isso passa necessariamente pela
construção do Mercosul. E a construção
do bloco exige, necessariamente, liberdade de trabalho e de
movimento. Em breve, quando os Parlamentos do Paraguai e do
Uruguai ratificarem o mesmo acordo de imigração,
a liberdade de residência será estendida a eles.
E aos brasileiros nesses países. Alguns podem se assustar
com a idéia, mas ela é boa. Os Estados Unidos,
economia mais próspera do mundo, é também
aquela que mais e melhor absorve imigrantes. Como potência
local, cabe ao Brasil, na América do Sul, a mesma tarefa
e o mesmo privilégio – o de oferecer um porto
para os talentos que vicejam a nossa volta. E prosperar com
eles. 
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