Fotomontagem sobre foto de Ana Paula Paiva
Paschoarelli, autor de A regra do jogo: “O banco diz que o juro é baixo, mas não conta sobre as tarifas embutidas”
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O que não fazer com o seu dinheiro

Como fugir das tentações criadas pelos bancos na hora de escolher o plano de previdência ou fazer investimentos


Por Aline Lima

O gerente do banco oferece aquele título de capitalização incrível, no qual o aplicador concorre a uma bolada toda semana, e você compra porque, além de ser uma boa maneira de guardar dinheiro, pode ser sorteado. Trata-se, porém, do pior tipo de investimento disponível no mercado. Este é um pequeno exemplo das tentações preparadas pelos bancos na hora de empurrar produtos para o cliente. O funcionário da instituição está fazendo o papel dele – vender e cumprir as cotas estipuladas pela empresa. Você, no entanto, está lidando com as suas economias. Por isso, toda atenção é pouca. Imagine, por exemplo, o momento de tomar um empréstimo. “A instituição que diz que o juro é baixo, ou até mesmo zero, não conta com a mesma clareza que, ao valor emprestado, deverão ser acrescidas dezenas de taxas disso e daquilo”, explica Rafael Paschoarelli, autor do livro A regra do jogo – descubra o que não querem que você saiba no jogo do dinheiro (Ed. Saraiva, R$ 29, 181 páginas). Paschoarelli é professor da USP e consultor financeiro de empresas como Itaú, Bradesco, Ambev e Petrobras, entre outras gigantes do mercado. Eis algumas dicas dele para você não ser mais passado para trás.

A pior aplicação do mercado:
títulos de capitalização

A modalidade deveria chamar-se, na verdade, título de descapitalização. É o pior dos investimentos, pois exige, em geral, carência de cinco anos e rende menos que a caderneta de poupança. Tome-se por exemplo o título de capitalização de uma conhecida instituição. Pelas informações contidas no prospecto, da primeira até a décima segunda parcela, apenas R$ 70,26 de cada R$ 100 aplicados serão investidos à taxa da poupança. O restante vai para o banco. Caso o investidor queira sacar o dinheiro antes do vencimento, terá um baita prejuízo, pois a seguradora aplicará desconto para resgates antecipados. E, se mesmo depois desses argumentos você ainda quiser investir para concorrer ao prêmio, saiba que, como jogo, as chances de ser sorteado são menores que apostando na loteria federal.

Fuja dos fundos de renda fixa com altas taxas de administração

Os fundos de investimento mais populares distribuídos nas agências bancárias são os de renda fixa de curto prazo, que aplicam, normalmente, em títulos públicos pós-fixados. Exigem uma aplicação mínima modesta – e oferecem uma remuneração idem. Por isso, fuja dos fundos DI que cobram uma taxa de administração superior a 1%. Existem alternativas mais atraentes, como o Tesouro Direto, um programa de venda de títulos do governo direcionado para pessoas físicas. Você pode adquiri-los a partir de R$ 150. Basta se cadastrar em alguns dos agentes de custódia habilitados (conforme lista disponível no www.tesourodireto.gov.br). Somadas, as taxas de corretagem e custódia saem por 0,8%, em média.

Negocie as tarifas de seu plano de previdência privada

É indiscutível a relevância de um plano de aposentadoria complementar para aquelas pessoas que queiram receber acima do teto da previdência social quando for o momento de pendurar as chuteiras. O que é discutível são as taxas de carregamento e administração cobradas pelas seguradoras. Ambas são negociáveis, desde que você o faça antes de aderir ao plano. Depois, será muito difícil mudar. “A taxa de carregamento é uma excrescência, pois todos os custos são cobertos pela tarifa de administração. Só é cobrada porque tem quem pague por ela”, diz Paschoarelli. Em relação à taxa de administração, pesquise quais os valores cobrados no mercado – elas podem variar de 1% a 4% – e use a informação na hora de barganhar. Alguns planos ainda cobram taxa de saída, caso o resgate seja feito antes do período de pagamento dos benefícios. Não aceite a cobrança dessa tarifa sob nenhuma hipótese.