| Montagem /foto
de J.F. Diorio/AE |
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Desespero
6,1 mil operários podem ser demitidos na
unidade de São Bernardo |
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Fábrica
de dúvidas
Qual será o destino
da histórica planta da Volks na Anchieta e seus 12 mil funcionários?
Reunido com executivos da Ford, da GM, da Fiat e da Anfavea,
em um seminário realizado no último dia 15 de
maio, o presidente da Volkswagen, Hans-Christian Maergner,
garantiu: “Nossa fábrica na Anchieta não
será fechada”. Mas três meses e seis dias
depois do encontro de Maergner – mais precisamente na
segunda-feira passada – a montadora anunciou ao Sindicato
dos Metalúrgicos de São Bernando do Campo (SP),
onde fica a fábrica da Anchieta, que se os trabalhadores
não aceitarem negociar medidas para reduzir em 15%
os custos e aumentar a competitividade daquela planta, o grupo
pode demitir 6,1 mil dos 12,4 mil empregados e, em breve,
fechar a histórica unidade do ABC. Há quem garanta
no mercado que a ameaça de fechamento da fábrica
é uma forma de pressionar o sindicato a não
oferecer resistência às demissões que
precisam ser feitas, por ordem da matriz. Até a sexta-feira
25, o sindicato mantinha-se firme. “Vamos negociar,
sim, uma saída para as necessidades da Volks. Mas não
admitimos demissões”, afirma José López
Feijóo, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC. As conversas entre Volks e Feijóo começaram
na quinta-feira 24 e o sindicalista garante que na terça-feira
29 o mercado saberá o resultado do encontro.
Seja ele qual for, o que está em xeque é o
futuro de um símbolo do País. A unidade da Anchieta
nasceu em novembro de 1959, com as bênçãos
do então presidente Juscelino Kubitschek, como a primeira
fábrica de carros de produção em larga
escala. Uma revolução industrial para a época.
O primeiro modelo a ser cuspido pelas linhas de montagem foi
a Kombi, que ainda é produzida lá e só
resiste ao tempo por conta do preço competitivo. Em
1961, veio o grande produto: o Fusca, febre nacional e orgulho
de presidentes – não teve um que não se
deixasse fotografar a bordo do carro. A fábrica da
Volkswagen era uma autêntica cidade. Chegou a abrigar
40 mil funcionários e tinha até semáforos,
igrejas, padarias e agências de correio. Por muitos
anos, era responsável por todo o processo produtivo
de um automóvel, da estamparia à produção
dos bancos. Mas ao longo do tempo, sufocada pelos altos custos,
foi terceirizando atividades e cortando funcionários.
Atualmente, 12,4 mil pessoas trabalham na Anchieta.
As 6,1 mil demissões propostas agora significariam,
segundo cálculos do sindicato dos metalúrgicos,
um prejuízo anual de mais de R$ 300 milhões
na economia do ABC – levando-se em conta apenas o gasto
dos trabalhadores da Volks (e seus dependentes) no comércio
da região. Para cada funcionário da empresa,
diz o sindicato, existem 2,7 dependentes. Há, ainda,
o efeito nos terceirizados. De acordo com as mesmas contas,
para cada trabalhador de montadora existem três trabalhadores
em autopeças. “Imagine, então, se a fábrica
fechar!”, diz Feijóo.
A situação que se apresenta agora teve origem,
na verdade, no início de maio, quando a Volks divulgou
seu plano de enxugamento que previa cortar 1,4 mil trabalhadores
em São José dos Pinhais (PR), 700 em Taubaté
(SP) e 3,6 mil na Anchieta. E por que agora eles falam em
6,1 mil trabalhadores na unidade do ABC? Hoje, a fábrica
tem capacidade de produção de 1,1 mil veículos
por dia. Mas faz 900. Os modelos montados ali são a
Kombi, o Polo, o Fox e o Gol para exportação
e a Saveiro. A Volks estima que a produção do
Fox para a Europa vai cair das atuais 60 mil unidades para
30 mil no próximo ano e sete mil em 2008. Outro problema
é o Polo, projeto que consumiu R$ 3,5 bilhões
em investimentos e não atendeu as expectativas de vendas
da montadora. A produção mensal do Polo caiu
de 1 mil (média do ano passado) para os atuais 300
carros. Ao todo, segundo a própria Volks, a fábrica
chegará em 2008 com a produção de 400
veículos dia. Por isso, a “necessidade”
de adicionar 2,5 mil cortes às demissões previstas
inicialmente.
“A redução de 3,6 mil empregados considera
a vinda de novos investimentos. Caso não haja acordo
com o sindicato sobre as medidas de reestruturação,
a fábrica da Anchieta não receberá novos
modelos e terá sua produção reduzida”,
afirmou, em comunicado oficial, Nilton Júnior, gerente
de Relações Trabalhistas da Volkswagen. “E
caso não tenhamos novos investimentos, o risco da operação
ser encerrada é real”, concluiu. Por outro lado,
se houver acordo, a Volks tentaria elevar a produção
diária para 700 unidades, complementando a linha feita
em Taubaté (principalmente o Gol). “O problema
da Anchieta é que há muito tempo ela é
ineficiente”, diz o consultor José Roberto Ferro,
da Lean Institute Brasil. “E isso foi fruto dos erros
de planejamento e administração da Volks. A
montadora pode investir bilhões, mas se não
mexer em seu mix de produtos não resolverá o
problema da Anchieta e nem de fábrica alguma”,
diz Ferro. Fica o aviso. 
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