Torre gigante: No meio do deserto, um cilindro de 500 metros de altur.
 
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  Projeto ambicioso
 


Torre de energia
Australianos investem US$ 700 milhões
em um inédito projeto de luz solar

Quem atravessa o deserto australiano, conhecido como outback, sai de lá com uma imagem na cabeça: a de um imenso vazio. Mas esse cenário pode mudar em breve. Os novos aventureiros que cruzarem as estradas de terra vermelha do interior do país a partir do ano que vem poderão se deparar com uma visão um tanto inusitada: uma torre de 500 metros de altura no meio do nada. Para se ter uma idéia, o tamanho da construção supera o mais alto edifício do mundo, o Petrona Towers, na Malásia, que tem 88 andares. O que dá um clima ainda mais futurista para a gigantesca estrutura metálica é o que ela abriga no seu interior. Trata-se da primeira estação comercial de energia solar do mundo. Roger Davey, principal executivo da EnviroMission, companhia de energia renovável de Melbourne, responsável pelo investimento, é o mais entusiasmado com o projeto. “A torre vai revolucionar a produção de energia limpa do planeta”, diz Davey.

Mas o que de tão especial tem o projeto da EnviroMission, além de suas proporções monumentais? Afinal, já existem alguns exemplos de sucesso na área de energia solar por aí. A resposta está na própria torre. A grande inovação do modelo australiano é que ele usa o próprio cilindro e ar natural como elemento motor para ativar as turbinas geradoras de energia (leia quadro). Para entender a vantagem do sistema é preciso compará-lo com outros procedimentos, como o das centrais heliotérmicas, já utilizado comercialmente na Califórnia e Espanha. Nesse caso, a energia vem de espelhos que absorvem a luz solar e a transportam para uma torre central. Quando ela entra em contato com um fluido, que pode ser a água, evapora e faz as turbinas girarem. A diferença entre os dois processos está basicamente no preço. “O australiano parece ter um potencial para ser mais barato”, avalia Hamilton Moss, pesquisador do Departamento de Tecnologias Especiais do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica.

A viabilidade do projeto no Brasil ainda é remota. Um dos maiores empecilhos é o custo de instalação da nova tecnologia, que, entre outros quesitos, requer um terreno de grandes dimensões – o empreendimento está sendo montado em uma fazenda de 60 mil hectares, quente e ensolarada o ano inteiro. O valor estimado do investimento total da EnviroMission no complexo solar gira em torno de US$ 700 milhões. Inicialmente, a capacidade energética da torre daria para atender 100 mil domicílios, sem emitir gases nocivos à atmosfera. “No Brasil, esse modelo talvez coubesse no sertão nordestino. O problema é que lá não há tanta demanda”, diz Moss. Além do que, o Brasil tem vários outros projetos maduros de energia alternativa, que estão na fila para receber investimentos. Ele está falando de fontes solares, eólicas e de biomassa. Sem contar a farta fonte hidráulica do País. Isso tudo não quer dizer que o projeto da torre solar está descartado no Brasil. Mas antes de chegar por aqui precisa provar que é eficiente e viável. “O processo está aí e deve funcionar. Agora, entre funcionar e ser econômico há uma grande distância”, pondera Moss. E enquanto tenta emplacar o megaprojeto da “Torre do Sol”, a Enviromission já parte para outro negócio. Fechou um acordo para montar 30 usinas de biomassa (geração de energia à base de bagaço de cana) na China. Nada é demais para os autralianos.

PROJETO AMBICIOSO
Usando luz do sol e turbinas de vento, a torre solar da EnviroMission irá operar dia e noite – e poderá gerar energia limpa suficiente para uma cidade de 250 mil pessoas num país em desenvolvimento como a Índias


DURANTE O DIA

O sol aquece a parte inferior da torre e o ar quente sobe. Ao encontrar o ar frio na parte de cima, produz energia


SATIVAÇÃO DA TURBINA

O ar que sobe movimenta as turbinas que ficam na base da torre


DURANTE A NOITE
Poças de água salgada absorvem a luz durante o dia e depois a liberam para produzir eletricidade à noite