| Fotomontagem:
André Felix |
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Navegar
nos blogs é preciso
De
olho em nova tendência nos Estados Unidos, empresas
brasileiras começam a criar seus diários virtuais
corporativos

Por mariana ditolvo
"Diário online com reflexões e comentários.”
A palavra blog foi assim definida em 2005 na versão
impressa do dicionário Merriam-Webster. Porém,
o recém-incorporado verbete seguiu a velocidade da
internet e já tem mais alguns sinônimos a serem
acrescentados. Entre eles estão: promoção
de uma marca, proximidade com consumidores, transparência
empresarial e pesquisa de mercado. Isso mesmo. Uma vertente
dos tais diários virtuais, chamada de blog corporativo,
já pode ser reconhecida como excelente estratégia
de negócios. Tendência transformada em fenômeno
nos Estados Unidos, os blogs corporativos já são
utilizados por 34% das grandes empresas americanas e, segundo
pesquisa da consultoria Jupiter Research, 35% das restantes
lançarão suas páginas até o final
de 2006. Apesar de não haver números oficiais
que acompanhem o mercado brasileiro, sabe-se que as empresas
nacionais vão, aos poucos, aderindo à novidade.
“Os blogs são uma maneira de interagir com consumidores
e fornecedores em um cenário totalmente diferente”,
conta Marcelo Tripoli, sócio da iThink, agência
voltada para marketing na internet. Tripoli é um dos
empresários brasileiros que estenderam suas ações
para fora das quatro paredes virtuais do escritório.
Em seu blog, chamado iFound, ele posta não apenas as
novidades de sua agência como mantém leitores
e clientes informados sobre o que acontece no mundo da tecnologia.
Por mês, cerca de 1,5 mil pessoas visitam o seu endereço
e 500 usuários cadastrados recebem o conteúdo
por email. “A audiência aumenta e o interesse
pela empresa cresce junto”, afirma.
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Schwartz: CEO
da Sun anuncia decisões pelo seu blog. |
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Na nova tendência, não são apenas os
donos das empresas que se aventuram a atrelar suas opiniões
à imagem da empresas. Alguns nomes importantes por
trás de grandes companhias põem a cara à
tapa na rede mundial de computadores. Uns optam por utilizar
os diários como canal de comunicação
interna com seus funcionários, como foi o caso de Emilson
Alonso, presidente do HSBC no Brasil. Ele criou sua página
na intranet do banco (além de ter uma página
no Orkut bastante acessada) e abriu espaço para expor
opiniões e ficar por dentro do que pensam e que querem
seus funcionários. Nos comentários estão
vetados palavrões, mas de resto, garante Alonso, pode
tudo. “Vou aprendendo sobre a organização,
os processos, a percepção das pessoas. E isso
acaba alimentando as políticas que a gente faz”,
contou Alonso ao lançar o blog, que teve mais de 200
mil acessos no primeiro mês. Um pequeno problema, entretanto,
é filtrar as mensagens explícitas de adulação
à chefia. Há, por outro lado, executivos que
compartilham – literalmente – suas opiniões
e o dia-a-dia no trabalho com os mais de um bilhão
de pessoas conectadas. Um deles é Ricardo Carreón,
diretor-geral para a América Latina da fabricante de
chips Intel. Para otimizar o contato com a equipe responsável
pela região ou com interessados em assuntos que envolvem
os países emergentes, Carreón montou um blog
na rede da Intel, pelo qual realiza reuniões e torna
os assuntos corporativos mais informais. Depois do sucesso
interno (60 mil funcionários acessam seu blog diariamente),
o executivo montou também o Ricardo’s Blog. Lá,
posta artigos sobre tecnologia, fotografia, meio ambiente
e assuntos ligados à América Latina. “É
uma ótima experiência. A comunicação
fica mais forte”, acredita Carreón.
O principal atrativo dos blogs, do ponto de vista das empresas,
é conquistar e fidelizar leitores, clientes e fornecedores.
No blog, lançado em maio, gerentes da construtora Tecnisa
colocam no ar dois novos artigos por semana, mesclando assuntos
específicos do setor e comentários de interesse
geral. Com isso, a empresa conseguiu aumentar o contato com
fornecedores, consumidores e, até mesmo, com bancos.
“Grande parte dos novos negócios é conquistada,
de alguma forma, por causa do blog”, acredita Romeo
Busarello, diretor de marketing da Tecnisa. “Até
empréstimos bancários ficaram mais fáceis.”
Importante é sublinhar a diferença entre o blog
e o site comum de empresas. No site, a Tecnisa poderia colocar
artigos, mas eles não serviriam como um fórum
de conversas com os leitores. Essa é a função
espiritual do blog: abrir uma porta informal de comunicação,
que não cabe nos sites institucionais. Pequenos empresários
também têm conseguido bons resultados com blogs.
É o caso da Doceshop, loja de doces que vende por atacado
e varejo apenas para a cidade de Ribeirão Preto e região,
no interior de São Paulo. Roberto Machado, dono da
loja, decidiu montar o blog para o qual transporta todos os
desafios e curiosidades de seu dia-a-dia na empresa. Por exemplo:
o empresário conta as peripécias enfrentadas
por ele quando uma de suas máquinas precisou ir para
a manutenção. Lá também é
possível encontrar um mural de classificados aos moldes
dos que ficam pregados nos corredores das companhias, em que
os funcionários anunciam o que querem vender. Segundo
Machado, nos últimos três meses, 1,5 mil novos
usuários visitaram o site depois de terem conhecido
o blog “Além de ampliar meus contatos, já
estou começando a vender para fora do Estado”,
afirma. Se diante de tudo isso você se pegou correndo
para o computador para criar seu blog, atenção:
é preciso disciplina para manter o endereço
atualizado e coragem para conversar francamente com os leitores.
No mundo em expansão da blogosfera, nome dado ao universo
de blogs em operação no mundo, já existem
50 milhões de endereços cadastrados e são
criados outros 75 mil por dia. Em apenas três anos,
segundo a consultoria especializada no assunto Technorati,
o número de diários virtuais criados na rede
cresceu 60 vezes. A regra para os que querem fazer parte da
blogosfera é atrair a atenção sem perder
credibilidade. Jonathan Schwartz, presidente da Sun Microsystems,
comentou em primeira-mão com seus leitores sobre a
intenção da companhia em abrir para o mundo
o código de seus softwares e não mais cobrar
licença pelo uso dos mesmos. Em seu último comentário,
Schwartz narra um almoço com o primeiro ministro britânico,
Tony Blair. Fez sucesso, angariou simpatias e multiplicou
o número de seus leitores. 
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