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Corbis |
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Segure seu seguro no País
Marítima
e Icatu criam apólices semelhantes às disponíveis
no Exterior para convencer cliente de alta renda a buscar
proteção no mercado interno – e resistir
ao assédio estrangeiro

Por daniella camargos
Se você ainda não foi abordado por representantes
de seguradoras internacionais para fazer um seguro de vida
no Exterior, prepare-se. Eles estão nos lugares mais
inesperados, como clubes, festas ou academias, oferecendo
produtos com características bastante atrativas. Entre
elas, indenizações milionárias, resgatáveis
em vida, com valor indexado ao dólar e prazos que podem
ultrapassar 60 anos. Essa ofensiva estrangeira começa
a provocar reações das companhias instaladas
no Brasil. Quase ao mesmo tempo, as seguradoras Marítima
e Icatu Hartford estão colocando no mercado apólices
específicas para atrair os brasileiros endinheirados
que contratam seguros de vida lá fora. Basicamente,
as seguradoras Marítima e Icatu Hartford estão
colocando no mercado apólices sob medida para atrair
os brasileiros endinheirados que muitas vezes contratam seguros
de vida lá fora. Basicamente, passaram a oferecer indenizações
com valores bem superiores aos normalmente disponíveis
nos seguros de vida brasileiros – com a vantagem de
poupar o segurado do embaraço de driblar as leis locais
para a remessa de divisas ao Exterior.
Foto:
Daniel Wainstein |
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Samy Hazan, da Marítima:
Indenizações maiores são possíveis
com a abertura parcial do resseguro |
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O seguro Risco Preferencial, da Marítima, permite
apólices de até R$ 15 milhões. O Unique
Life, da Icatu, vai até R$ 10 milhões. “A
elevação do valor das indenizações
foi possível depois da abertura parcial do mercado
de resseguros (uma espécie de seguro do seguro, fundamental
para cobrir grandes riscos)”, explica Samy Hazan, superintendente
da área de Vida da Marítima. Além da
apólice milionária, os novos seguros oferecem
descontos a partir do histórico de saúde do
futuro segurado, algo inexistente nos produtos convencionais.
Não obstante o esforço das seguradoras nacionais
em reter sua clientela no País, uma legião de
brasileiros bons de bolso se encanta com os apelos dos produtos
estrangeiros. Estima-se hoje que cerca de US$ 15 bilhões
sejam remetidos anualmente ao Exterior para o pagamento de
apólices. Entre as justificativas apresentadas por
quem contrata o produto lá fora estão o medo
de uma desvalorização do real e a solidez das
companhias internacionais. Há também a vantagem
do custo. Se no Brasil cerca de 30% da população
tem seguro de vida, nos Estados Unidos, esse percentual sobe
para mais de 80%. Isso garante às seguradoras americanas
uma receita maior e permite a oferta de apólices mais
em conta. Outro ponto positivo é a possibilidade de
resgatar a indenização ainda em vida.
Por outro lado, quem faz um seguro no Exterior corre riscos.
A legislação brasileira não permite esse
tipo de operação. Pelo menos não diretamente.
A alternativa para não ficar fora da lei é abrir
uma conta em outro país para contratar o produto. Nesse
caso, o pagamento pode ser feito por meio de débito
automático. Outro aspecto negativo é a falta
de cobertura no Brasil para seguros estrangeiros, uma vez
que a legislação também não permite
a venda desses produtos no mercado nacional. Se tem problemas
com a companhia contratada, o segurado precisa negociar com
intermediários ou gastar com viagens e ligações
internacionais.
As restrições legais não intimidam a
atuação das seguradoras estrangeiras no Brasil.
A americana National Western Life, por exemplo, mantém
em seu site uma versão em português da apresentação
da companhia e dos lugares onde oferece seus produtos. Reconhece
que, embora não esteja licenciada na América
Central e na América do Sul, oferece e emite apólices
para residentes de países dessas regiões. Outras
seguradoras mantêm parcerias com corretoras nacionais,
que se comprometem a orientar juridicamente o cliente que
não tem conta no Exterior e ainda a intermediar o pagamento
de suas contribuições. Para quem necessita desse
tipo de “assessoria”, as vantagens de contratar
um seguro de vida estrangeiro talvez não compensem
os riscos embutidos na operação. “Fazer
um seguro de vida lá fora só vale a pena para
quem tem residência e investimentos no Exterior, não
necessitando recorrer à movimentação
de recursos ilegais”, diz Bernardo Mascarenhas, diretor
do Canal Unique do Icatu Hartford. 
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