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Parada em São Paulo:
Evento supera a F-1 e rende R$ 200 milhões à cidade |
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O
poderoso mercado gay
Empresas descobrem
a força desse milionário segmento, formado por um consumidor
que gasta mais que o heterossexual e é fiel às suas marcas

Por lílian cunha
Neste sábado, 17 de junho, acontece em São
Paulo a maior Parada do Orgulho Gay do mundo. A previsão
é que mais de dois milhões de pessoas participem
do evento, que no ano passado reuniu na avenida Paulista,
segundo a Polícia Militar, 1,9 milhão de gays,
lésbicas, bissexuais, transexuais e simpatizantes.
Com dez anos de existência, a Parada tornou-se o principal
evento da cidade, deixando para trás até o milionário
circo da Fórmula 1, segundo a São Paulo Turismo
(SPTuris), órgão oficial de turismo da capital
paulista. A Parada atrai cerca de 600 mil turistas, que vêm
para participar da manifestação, fazer compras
e se divertir nos bares, restaurantes e casas noturnas paulistanas.
"São pessoas que chegam com uma semana de antecedência
e permanecem na cidade até o final do evento. Fora
transporte e hospedagem, gastam no comércio local de
R$ 180 a R$ 200 milhões", diz Caio Luiz de Carvalho,
presidente da SPTuris. "Os gays são o cliente
que todo mundo quer: gastam muito e ficam bastante tempo."
Com tanta gente e dinheiro, é de se concluir que o
evento tenha muitos patrocinadores, dispostos a mostrar seus
produtos para esse público poderoso, como acontece
com outras Paradas, no mundo todo. A de São Francisco,
nos Estados Unidos, por exemplo, reúne pouco mais de
1 milhão de pessoas e tem o apoio de gigantes como
Bank of America, MasterCard, Pepsi, Delta Airlines, entre
outros. Aqui, a história é outra. As empresas
ainda não apoiam o evento, mas já estão
de olho no potencial desse mercado. Segundo IBGE, 10% da população
do Brasil é homossexual. Pela visão corporativa,
são 18 milhões de consumidores.
| Fotos: Ana Paula
Paiva |
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Franco Reinaudo, diretor
da operadora de turismo Álibi e fundador do Bureau de
Negócios GLS: "Para o público gay, a postura
da empresa conta tanto quanto a qualidade do produto" |
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“As empresas estão se preparando agora. É
uma fase de transição entre um mercado que era
tabu para uma grande oportunidade de negócio”,
diz Franco Reinaudo, sócio da operadora Álibi
Turismo, e fundador do Bureau de Negócios GLS, um grupo
de empresários gays e simpatizantes, empenhados em
promover negócios e dar consultorias para empresas
que querem dar mais atenção a esse consumidor.
O Bureau, segundo ele, tem sido requisitado por várias
companhias - a maioria multinacionais - para dar treinamento
a executivos e funcionários sobre como lidar com os
gays. "Para o público GLS, não é
só a qualidade do produto que interessa, mas também
a postura da empresa", diz Reinaudo. Veja o exemplo da
IBM. A multinacional da informática está estudando
a possibilidade de abrir uma gerência de vendas exclusiva
para lidar com consumidores gays. "Já existem
quatro gerências dessas nos Estados Unidos", diz
Eleonora Campi, gerente de vendas para América Latina
e presidente do Comitê de Gays, Lésbicas, Bissexuais
e Transgêneros (GLBT) da IBM. O comitê é
formado por funcionários e sua função
é promover a diversidade dentro da empresa. "O
lema da IBM é a inovação. É importante
ter diversidade dentro da companhia pois assim temos diferentes
visões sobre um mesmo tema", diz Eleonora. É
isso, segundo ela, que favorece a inovação.
| Fotos: Ana Paula
Paiva |
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André Victória
da Silva, gerente-geral do Grand Mercure Hotel Ibirapuera,
em São Paulo: "Nossa expectativa é atingir
lotação máxima no final de semana da Parada Gay"
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A seguradora American Life é outra que resolveu apostar
no chamado “pink money” (dinheiro cor-de-rosa).
Ela lançou no mês passado o Vida Freedon, o primeiro
seguro de vida para casais gays do País. Segundo o
diretor da empresa, Francisco de Assis Fernandes, não
há estimativas de quanto a população
gay do Brasil movimenta financeiramente. Sabe-se apenas que
esse consumidor gasta 30% a mais em bens de consumo em comparação
com um heterossexual de mesma condição social.
E justamente nesse mercado promissor e carente que a American
Life está de olho. "Claro que quando surgiu a
idéia do Vida Freedon, tivemos medo de ficar conhecidos
como a seguradora dos gays. Mas isso é bobagem. Vimos
que, ao comunicar nosso produto dentro da comunidade, quem
é de fora nem fica sabendo", diz o executivo.
A aceitação do seguro, segundo ele, foi tão
boa que acabou chamando a atenção da Tecnisa
Construtora e Incorporadora, uma das maiores do País,
que se propôs a dar um ano de seguro para cada casal
gay que comprar um de seus apartamentos.
| Fotos: Ana Paula
Paiva |
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Francisco Fernandes,
diretor da American Life, que lançou o primeiro seguro
para casais gays: " A aceitação
do seguro foi tão boa que a construtora Tecnisa
nos ofereceu uma parceria" |
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"O que para uns é preconceito, para nos é
negócio", diz Romeo Deon Busarello, diretor de
marketing da construtora. Há três anos, ele convenceu
a construtora a investir em peças publicitárias
voltadas para o público gay, em sites da comunidade
homossexual. Hoje, 12% das vendas da Tecnisa (que não
divulga faturamento) vêm do público GLS (Gays
Lésbicas e Simpatizantes). Na hora de escolher o acabamento,
por exemplo, o casal homossexual gasta 25% do valor do apartamento,
enquanto que os heterossexuais não aplicam mais de
12%. Os gays, segundo Busarello, gostam de banheiras com hidromassagem
e mármore carrara italiano. "Não construímos
prédios cor-de-rosa. Apenas divulgamos que somos uma
empresa que aceita a diversidade".
Diversidade, aliás, é o mote do treinamento
promovido por dois dos maiores hotéis de luxo de São
Paulo: o Mercure Grand Hotel e o Sofitel. “Nesses cursos
mostramos aos funcionários como lidar de forma adequada
a situações que fogem da rotina. Atender a um
casal de namorados gays, por exemplo”, diz André
Victória da Silva, gerente-geral do Mercure. O hotel,
pela primeira vez, está anunciando pacotes de hospedagem
em sites GLS. A expectativa é atingir lotação
máxima no fim de semana da Parada. No Sofitel, que
também promoveu o mesmo treinamento, a meta é
um aumento de 7% na ocupação. Detalhe: a diária
da suíte mais barata é de R$ 400. E não
há mais vaga. Deu para perceber como é poderoso
esse mercado? 
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| 18 milhões
de brasileiros são gays, 10% da população |
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