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  US$ 5 bilhões: é o que os imigrantes mandam por ano dos EUA para o Brasil
 
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A greve dos imigrantes
Há 12 milhões de ilegais vivendo nos EUA. Essenciais à economia, estão lutando contra a lei que quer transformá-los em criminosos


Por ivan martins e elaine cotta

Nos próximos dias, os senadores americanos terão de votar um projeto de lei que, antes mesmo de chegar ao plenário, divide o país de cima a baixo. Trata-se da lei de imigração. Ela foi rascunhada na Câmara em março de uma forma extremamente dura. Transforma em criminosa qualquer pessoa que esteja nos EUA sem permissão oficial. No Senado, uma proposta desenhada pelo republicano John McCain em conjunto com o democrata Robert Kennedy dá ao assunto tratamento inteiramente diferente. Permite que todos os trabalhadores ilegais permaneçam nos EUA como “convidados” por três anos, renováveis por mais três. E abre a possibilidade de que obtenham cidadania depois disso. Propostas tão díspares revelam a cisão e o emocionalismo que cercam a presença dos estimados 12 milhões de imigrantes ilegais na maior economia do mundo. Tanto quanto a questão dos postos de trabalho, há entre os americanos um enorme desagrado com a idéia de que seus impostos custeiem serviços públicos usados por ilegais. Pesquisa recente revelou que 75% acham que os clandestinos não devem ter acesso à saúde. Ao mesmo tempo, 78% são favoráveis à permanência daqueles que têm emprego e pagam impostos. A aparente contradição se explica: setores como a construção civil e serviços não sobrevivem sem os ilegais. “Essa mão-de-obra se tornou essencial”, diz Eduardo Siqueira, professor brasileiro da Universidade de Massachussets.

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  Passeatas: Imigrantes foram às ruas exigir tratamento de cidadão. Nos EUA, o setor de serviços e a agricultura dependem deles

No 1º de Maio, os imigrantes e seus simpatizantes – sindicatos e igrejas – organizaram greve e manifestações em várias cidades dos EUA. Apoiavam o projeto do Senado e rechaçavam o da Câmara. Bem-sucedido, o movimento foi conduzido basicamente por mexicanos, mas em Boston predominaram brasileiros. Com 1,5 milhão de trabalhadores, dos quais apenas 800 mil são legais, eles já formam uma comunidade relevante na economia americana. Estima-se que os imigrantes remetam ao Brasil cerca de US$ 5 bilhões ao ano – 17% de tudo que os chamados latinos enviam aos seus parentes fora dos EUA. Fausto da Rocha, diretor do Centro do Imigrante Brasileiro em Boston, diz que na região quase não há brasileiros desempregados. Os problemas dos trabalhadores sem documentos são a falta de condições adequadas de trabalho e a impossibilidade de reivindicar. Com um PIB de US$ 10 trilhões e uma economia que cresce 3,5% ao ano, os EUA são uma espécie de imã. Entre os 41 milhões de imigrantes que vivem no país – 51% deles mexicanos – encontram-se dezenas de milhares de pessoas extremamente bem-sucedidas, que legitimam o sonho de fazer a América. Da atriz mexicana Salma Hayek ao discreto construtor argentino Jorge Perez, dono da Related Group, que fatura US$ 2 bilhões por ano, há no EUA uma enorme legião de imigrantes. Milhões seriam deportados ou presos se a proposta do deputado James Sensenbrenner virasse lei. Ironicamente, a esperança de muitos ativistas é que pese a favor da proposta McCain-Kennedy a opinião do presidente George W. Bush. Além de ter uma cunhada mexicana, ele foi eleito com 40% de votos dos latinos. E dois de seus principais assessores são eminentes hispânicos, representantes do que está sendo chamado de “poder latino”. O presidente sabe, ademais, que seus amigos empresários em setores como hotelaria e alimentos necessitam dos imigrantes. Ao presidente Vicente Fox, do México, Bush teria dito que espera o legislativo imprimir um texto comum entre as duas casas para começar a exercer pressão. Em prol dos imigrantes. Nesta questão, a influência de Bush pode vir a favor dos fracos e oprimidos.