| Montagem
de Gil Fuser sobre fotos de Ana Paula Paiva e Biô Barreira |
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| Metamorfose:
Lojas da rede já oferecem empréstimos pessoais, seguros
e capitalização |
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De
rede varejista a banco
Riachuelo vai criar
instituição financeira para atender seus clientes – e, quem
sabe, também os da concorrência

Por DANIELlA CAMARGOS
A teoria tradicional de que a chave do sucesso é o
foco no negócio parece não ser tão importante
nas decisões estratégicas de Flávio Rocha,
herdeiro do grupo Guararapes e vice-presidente da rede de
vestuário Riachuelo. Além de promover a expansão
da marca pelo País e a reestruturação
do layout das lojas, Rocha estuda a criação
de um banco para centralizar a gestão dos produtos
financeiros que a rede oferece à sua clientela. Para
isso, encomendou, de uma consultoria especializada, um estudo
de viabilidade do novo projeto, que deve ser finalizado nas
próximas semanas. “Se o resultado for favorável,
como imagino, deveremos começar a trabalhar ao longo
do ano para constituir a instituição financeira
da rede”, revela.
| Biô Barreira |
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| R$200
milhões: É a receita da Riachuelo, de
Rocha, com serviços financeiros |
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O empresário pretende seguir o mesmo caminho já
trilhado por outras cadeias de varejo, como C&A –
que administra o Banco IBI desde 2001 – e Carrefour.
Incentivada pelos altos ganhos da sua administradora de cartões,
a rede de supermercados francesa decidiu, no fim de 2004,
montar um banco múltiplo, que ainda está em
fase de estruturação. A entrada do varejo na
área de serviços financeiros permite aumentar
as vendas pelas ofertas de financiamento ao consumo e ampliar
a relação com o cliente, inclusive capitalizando
a venda por impulso.
Mas montar um banco apenas para alavancar as vendas do varejo
pode não ser um bom negócio. “Para serem
rentáveis, esses bancos devem oferecer não só
o financiamento das mercadorias, mas também produtos
como capitalização e seguro”, pondera
Bruno Laskowsky, vice-presidente da consultoria A.T.Kearney
no Brasil. No quesito portfólio financeiro, a rede
Riachuelo não deixa a desejar. Suas lojas oferecem
empréstimo pessoal, seguro de acidentes, título
de capitalização, seguro desemprego e assistência
residencial. Em breve, a rede vai lançar um cartão
com bandeira Visa ou Mastercarde e permitir saques na boca
dos caixas.
A possibilidade de ter um banco próprio já
havia sido estudada por Rocha há três anos, quando
a rede criou os primeiros produtos financeiros. “Na
época, montar um banco traria mais complexidade para
o nosso negócio do que resultados”, diz Rocha.
“Hoje a situação é diferente. O
histórico de nossos produtos financeiros revela um
potencial de ganho muito alto.” A comercialização
desses produtos, segundo especialistas do ramo, representa
uma receita operacional de R$ 200 milhões ao ano para
a Riachuelo – cerca de 60% do seu Ebitda (indicador
de fluxo de caixa). Não por acaso, a carteira de crédito
da rede é cobiçada por todos os grandes bancos
do mercado. Mas a hipótese de fazer uma parceria com
uma instituição financeira, segundo Rocha, é
muito remota. “Não tenho interesse em repartir
os ganhos desse negócio”, avisa.
Os bancos, porém, não devem perder as esperanças.
Afinal, Michael Klein, dono das Casas Bahia, tinha o mesmo
discurso até pouco tempo atrás, mas acabou se
rendendo, no fim de 2004, aos cortejos do Bradesco, que passou
a financiar 25% das vendas a prazo da rede. Vários
outros varejistas optaram por associar-se a grandes bancos,
que pagaram generosas somas para ter acesso às suas
carteiras de crédito. Nesta lista estão o Pão
de Açúcar e as Lojas Americanas, que associaram-se
ao Itaú, e Ponto Frio, Magazine Luiza e Wal-Mart, que
firmaram parcerias com o Unibanco.
Para Rocha, a única parceria aceitável é
com outras redes de varejo. Além de administrar os
produtos financeiros da Riachuelo, seu futuro banco (ainda
sem nome) possivelmente disputará com as grandes instituições
financeiras a gestão dos créditos de outros
grupos varejistas. Sem dúvida, um desafio ambicioso
para um banqueiro estreante. 
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