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Evandro Rodrigues/fotos: Zeca Caldeira |
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| Nova
geração (do alto, em sentido horário) Esquaiella,
Burti, Martins e Oliveira: perfil arrojado,
operações na bolsa e troca de informações pela rede |
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Onda
jovem nos investimentos
Quem são e onde aplicam
os garotos brasileiros que mantêm cerca de 200 comunidades
financeiras na internet e têm mais de R$ 3 bilhões na Bolsa

Por aline lima
Eles são jovens. Quase como outros quaisquer. Estudam,
paqueram, ouvem música, começam a trabalhar...
E fazem quase tudo isso usando a internet. O que os faz diferentes
é o interesse pelo mundo supostamente careta das finanças,
e o fato de terem levado um pouco dele para dentro dos sites
de relacionamento virtual da moda, como o Orkut. Garotos e
garotas brasileiros, recém-saídos da adolescência
participam hoje de cerca de 200 comunidades financeiras, listas
de discussões e grupos fechados de debates na internet.
A maior dessas comunidades, chamada “jovens investidores”,
reúne mais de 32 mil participantes, que debatem desde
as melhores opções para investir 500 reais até
os prós e contras do momento para a compra de dólares.
A maioria, porém, tem um interesse muito específico:
a Bolsa de Valores, que tem funcionado como um imã
para essa nova geração. Do quadro total de investidores
pessoa física da Bovespa, a faixa etária de
21 a 30 anos responde no momento por 7,63% do total de contas
abertas, com valor aplicado de R$ 3,16 bilhões. “Gente
cada vez mais jovem está descobrindo a bolsa. Como
têm a tecnologia na mão, coragem para correr
riscos e não guardam a memória inflacionária
dos anos pré-Real, eles serão maioria no mercado
em pouco tempo”, prevê Ricardo Rocha, professor
de finanças do Ibmec-SP e criador do site Mesada.com,
voltado para este público.
| Foto: Frederic JeaN |
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| Halfeld,
consultor: “Questão é saber se a empolgação
com a Bolsa sobreviverá à primeira queda” |
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Até um ano atrás, o estudante paulistano de
engenharia Luis Vitor Burti, de 22 anos, mantinha suas economias
em uma caderneta de poupança. Apresentado ao mercado
financeiro por um colega determinado a “catequizá-lo”,
Burti tornou-se freqüentador assíduo dos pregões
virtuais, nos quais aplica cerca de R$ 2 mil por mês
e obtém, em média, uma rentabilidade de 2% a
3%. “Quero conquistar minha independência financeira”,
afirma ele. Daniel Esquaiella, um estagiário da fabricante
de computadores HP com os mesmos 22 anos, engrossa o coro.
“Todo mundo sonha em ganhar dinheiro”, diz o rapaz.
“E as chances são maiores na bolsa do que na
loteria.”
Constatações como esta espalham-se pela internet
e amplificam a velha propaganda boca a boca. Peça fundamental
nessa aproximação entre pós-adolescentes
e mercado financeiro, a rede mundial de computadores facilitou
não só o acesso à informação,
como se tornou, ela própria, um canal para as aplicações.
O sistema de home broker, que permite negociar ações
sem sair de casa, é o preferido dos jovens. Cerca de
80% da clientela de 18 a 30 anos da corretora Concórdia,
por exemplo, utilizam-no para comprar e vender ações.
A familiaridade com a informática e o distanciamento
que ela proporciona do ambiente por vezes formal dos bancos
e das corretoras tem estimulado a precocidade entre os investidores.
Criador da comunidade “mercado de ações/opções”,
o analista de sistemas carioca Andrews Nobre começou
a operar bem cedo, aos 18 anos, no complicado mercado de opções,
no qual se negociam contratos futuros baseados no índice
Ibovespa. Ali, volatilidade é palavra de ordem. Ou
seja, altas e baixas bruscas são regras e não
exceção. No primeiro ano de mercado, Nobre amargou
um prejuízo de R$ 5 mil. “O problema era que
eu entrava e saía das posições nos momentos
errados”, justifica. “Mas o segredo é não
desistir na primeira queda.” Hoje, entre trabalho, faculdade
e uma festa ou outra, Nobre arranja tempo para ser o trader
da família e dos amigos. Ele montou até um clube
de investimentos, chamado Gold, cujo retorno médio
tem sido de 3,5% ao mês.
É natural que os jovens exibam um perfil mais arrojado
para os investimentos. Afinal, eles em geral ainda não
têm contas a pagar nem filhos para criar. Quase por
definição, o investidor no início da
idade adulta, com a vida toda pela frente, tem capacidade
de assumir riscos mais elevados. Com o passar do tempo, o
poupador tende a tornar-se mais cauteloso, porque não
tem mais tanto tempo para recuperar eventuais perdas. O excesso
de otimismo com ganhos imediatos, por outro lado, pode ser
perigoso. “A bolsa é um investimento de longo
prazo”, adverte o consultor Mauro Halfeld, autor de
livros sobre finanças pessoais que estão entre
os mais citados pelos aprendizes de financista. Para Halfeld,
o surto de interesse juvenil pelo mercado financeiro coincide
com os três últimos anos de altas quase ininterruptas
na Bolsa. “A questão é saber se esta tendência
sobreviverá à primeira queda mais forte da Bovespa,
que um dia virá.”
Atento a esta realidade, o produtor cultural Enio Martins,
de 26 anos, optou por uma estréia mais conservadora
na renda variável. “Comprei só blue chips,
como Petrobras e Vale, para não ter erro”, conta.
Seu objetivo é ter, no longo prazo, um retorno que
lhe garanta uma vida estável, mas simples, bem longe
de São Paulo. 
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A moçada na Bolsa
Peso dos jovens de 21 a 30 anos na Bovespa |
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| *em
relação ao total de investidores pessoa física Fonte:
Bovespa |
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