Arte: André
Felix |
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| Num piscar de olhos:
Com o trem-bala, seria possível fazer o trajeto São
Paulo/Rio em apenas 88 minutos |
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A
polêmica do trem-bala
Projeto para ligar
o Rio a São Paulo deveria ser 100% privado, mas só
sai com o BNDES

Por Gustavo Gantois
Um projeto que pretende ligar as duas maiores metrópoles
do País em apenas 88 minutos pode começar a
sair do papel nos próximos meses. Trata-se do trem-bala,
que uniria São Paulo ao Rio de Janeiro em 403 quilômetros
de trilhos. A velocidade, de 280 quilômetros horários,
seria semelhante à do TGV francês e os investimentos
chegariam a nada menos que US$ 9 bilhões. Até
agora quem está na frente é a empresa italiana
Italplan, cujos estudos de viabilidade econômica já
foram aprovados pelo governo federal. Em Brasília,
a promessa do Ministério dos Transportes é lançar
o edital ainda no mês de maio. No entanto, já
surgiu o primeiro problema de ordem prática. A promessa
inicial dos italianos era bancar todos os custos com recursos
privados. Na semana passada, porém, a própria
Italplan levou ao BNDES a sua planilha de custos. E, para
surpresa geral, lá constava que o banco deveria comparecer
com o financiamento do projeto. “Essa é uma hipótese”,
admitiu à DINHEIRO o executivo José Francisco
das Neves, presidente da Valec, a autarquia do Ministério
dos Transportes encarregada do projeto. Mas sua aposta é
que o projeto será financiado por grupos internacionais.
“O investidor terá uma concessão de 35
anos e poderá obter um empréstimo privado para
pagar depois do sétimo ano, quando o trem começará
a funcionar”, diz ele.
Roberto
Castro |
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Neves, da Valec:
Sua intenção é
lançar o edital até maio deste ano |
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A questão do financiamento – se público
ou privado – é apenas o primeiro entrave. Há
também problemas de ordem técnica. Especialistas
afirmam que um projeto como o trem bala precisa ser construído
com traçados planos e curvas de grandes raios. Para
isso, no eixo São Paulo-Rio de Janeiro seria necessário
fazer um desvio até Campinas. O governo, porém,
já decidiu não esticar o trajeto. Quer levar
os passageiros de um ponto a outro em 88 minutos e fim de
conversa. Porém, ainda há implicações
econômicas que podem tornar a proposta inviável.
Na média mundial, a construção de cada
quilômetro custa US$ 36 milhões. A proposta da
Italplan, no entanto, prevê um custo de US$ 22 milhões.
“Os cálculos apresentados pelo governo e seus
parceiros são irreais”, afirma o engenheiro José
Alex Sant'Anna, professor da USP. “O governo deveria
aprofundar seus estudos”. Mas, afinal, o que levou o
governo a decidir pelo projeto dos italianos? A primeira versão
da proposta, apresentada por um consórcio alemão,
apresentava uma estimativa de custo quase US$ 2 bilhões
menor que a da Italplan. Mas a balança pendeu a favor
do preço da tarifa. Os alemães queriam os bilhetes
a US$ 81 e os italianos ofereceram as passagens a US$ 39.
“Nossa opção foi pela tarifa mais acessível”,
diz Neves, da Valec. E, apesar da polêmica, o projeto
tem também seus entusiastas fora do governo. É
o caso de Eliezer Batista, ex-presidente da Vale do Rio Doce.
“Não dá mais para viver de Via Dutra engarrafada
e Ponte Aérea lotada”, diz ele. 
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