Daniel Wainstein
  A volta do mercadinho: Grupo colocará a nova bandeira em 34 lojas da antiga Champion
 
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Versão compacta do Carrefour
A rede Champion, de supermercados, não emplacou. Foi criado então o Carrefour Bairro. Dará certo?


Por flávia Tavares

Você é daqueles que, ao lembrar que tem de ir ao hipermercado para comprar iogurte, pão e hambúrguer, é acometido de uma preguiça sem fim? E, por isso mesmo, prefere ir ao mercadinho perto de casa, aquele menorzinho, mas que atende suas necessidades mais urgentes? Pois os hipermercados perceberam isso e trataram de criar versões mais compactas de suas lojas, prontas para receber o consumidor que não está interessado em encher o carrinho de produtos de limpeza, e sim em abastecer a geladeira e a dispensa. Agora, é a vez do Carrefour apostar na bandeira Carrefour Bairro para conquistar esse cliente, que vai ao supermercado semanalmente e quer saber de atendimento personalizado. A estratégia da varejista francesa é a de adaptar as lojas Champion, acabando com essa marca, e transformá-las em supermercados especializados em serviços e produtos perecíveis. Das 60 unidades Champion, 34 receberão a nova roupagem. As outras 26 não têm destino definido: podem ser vendidas ou, simplesmente, fechadas.

Ana Paula Paiva
 
Lacerda, diretor: “Idéia é conquistar clientes que não fazem grandes compras”  

Por alguns meses, 12 lojas Champion serviram de “cobaia” para que a rede experimentasse o modelo Carrefour Bairro e testasse a receptividade da clientela. O Carrefour não revela o resultado dessa experiência em números. Mas garante que vale a pena apostar na versão mais “mignon” de lojas. “O Carrefour Bairro se mostrou muito rentável. Estamos confiantes nesse modelo, que deve ajudar a fortalecer a marca e a reposicioná-la no mercado”, explica Rodrigo Lacerda, diretor de marketing do Carrefour. Na verdade, a transformação da marca Champion é um recuo estratégico para tentar acertar no formato mais compacto – o Carrefour já teve 100 lojas Champion. “O ponto forte do grupo são os hipermercados. Gerenciar supermercados pode ser complicado e eles falharam com o Champion. Precisam recuar para poder começar do zero na experiência de lojas menores”, afirma Eugenio Foganholo, da Mixxer Consultoria. Para se ter uma idéia, um hipermercado pode ter até 12 mil m² e 50 mil itens à venda, enquanto um supermercado não passa de 6 mil m² e tem cerca de 10 mil itens nas prateleiras.

Os supermercados de bairro não são, como pode parecer, uma aposta nos consumidores de classe A. “Cada loja será adaptada à região em que estiver localizada. A idéia é conquistar clientes que não queiram fazer compras grandes, independentemente de suas classes sociais”, diz Lacerda. O Carrefour Bairro estará, inicialmente, nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Distrito Federal. As armas para fazer um supermercado dar certo são a prestação de serviços e a atenção aos produtos perecíveis. Pode ter sido essa a dificuldade do Carrefour em sua primeira tentativa. Agora, é a prioridade máxima da rede. “As vendas serão mais assistidas e a variedade de itens perecíveis será maior”, afirma o executivo. O Carrefour tem pressa em acertar. Seus concorrentes já estão adiantados na corrida - o Pão de Açúcar já tem lojas de bairro e o Wal-Mart, com o Bompreço, também. A mudança de Champion para Carrefour Bairro é, principalmente, mudança na comunicação com o cliente. “Vamos usar a força da marca Carrefour. Com o Champion, não conseguimos fazer o vínculo”, diz Lacerda.

Ao mesmo tempo em que anunciou as lojas compactas, o Carrefour divulgou planos de abrir 15 hipermercados em 2006. “Os hipermercados, depois de quatro anos de quedas nas vendas, apresentaram bons resultados”, explica Nelson Barrizzelli, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP. O investimento total da rede neste ano por aqui será de R$ 700 milhões.