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O
bancão da elite
Voltado para as classes
A e B, ABN engorda
seu lucro sem apelar para o crédito popular.
E vai atrás de milionários

Por alexandre teixeira
Em linha com os principais bancos brasileiros, o ABN
Amro deve apresentar nos próximos dias seu melhor resultado
no Brasil desde a compra do Banco Real, em 1998. Uma boa indicação
de seu desempenho está no balanço global do
grupo, divulgado no final de janeiro. A operação
brasileira contribuiu com 14,5% do lucro líquido de
4,38 bilhões de euros do banco holandês em 2005.
E o ganho local, de 644 milhões de euros (apenas com
operações de varejo), é 114% superior
ao de 2004. No front interno, o crescimento de 39% de sua
carteira de crédito aumenta a participação
do Real de 5,9% para 6,5% do estoque total de empréstimos
bancários concedidos no Brasil. Tudo isso soa quase
monótono dada a extravagância da presente temporada
de balanços dos bancos. Mas há aqui uma diferença
notável, em relação à concorrência.
O Real ABN engordou seu lucro, emprestou mais dinheiro e conquistou
mais clientes sem tirar proveito de nenhuma das duas ondas
que impulsionaram o varejo bancário no ano passado:
o boom do crédito consignado para aposentados e a briga
de foice entre as financeiras para emprestar dinheiro às
classes C e D. Posicionado como o mais elitista dos grandes
bancos, o Real fez uma opção pelas classes média-alta
e alta. Não por acaso, uma de suas prioridades para
2006 é a expansão do Van Gogh (segmento para
clientes com renda superior a R$ 4 mil). E, ainda em março,
será reinaugurado o ABN Private Bank, com serviços
para milionários.
| Humberto
Franco |
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| Novos
espaços, como salas para
receber clientes VIP (acima), são
trunfos para elevar ativos do ABN Private, hoje em R$
2 bilhões |
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Braço mais popular do Real, a financeira Aymoré
cresceu mais de 30% em 2005. Mesmo ela, porém, não
é direcionada para a baixa renda. Seu forte é
o financiamento de automóveis, uma atividade com transações
de alto valor. No crédito consignado, a instituição
atua apenas marginalmente. Tem um convênio com o Banco
Cacique e uma modesta operação própria.
“Temos visto o que a concorrência está
fazendo e avaliando os resultados”, diz o presidente
do Real, Fábio Barbosa. Ele estuda parcerias com redes
varejistas que ainda não se associaram a bancos para
chegar à base da pirâmide de consumo. Mas garante
que não tem pressa – apesar da sucessão
de acordos do gênero, envolvendo pesos pesados dos dois
lados, como Bradesco, Itaú e Unibanco; Casas Bahia,
Pão de Açúcar e Ponto Frio.
Pelo menos em termos de imagem, o setor bancário começa
a ficar congestionado. “Um nem parece que é banco,
outro é o mais completo e tem aquele que usa a seleção
brasileira para dizer que é o melhor do mundo”,
diverte-se Fernando Martins, diretor de Marketing do Banco
Real. Martins lembra que seu banco apóia-se em uma
bandeira politicamente correta que não é bem
a do social, mas a da sustentabilidade. Seu outro trunfo é
a presença forte junto à clientela universitária
e ao público de alta renda, atendido pelo segmento
do banco chamado Van Gogh – hoje com 500 mil clientes.
| Humberto
Franco |
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Vallada,
superintendente: Produtos vindos do ABN internacional
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Para aproximar-se ainda mais do topo da pirâmide social,
o ABN está reinaugurando seu private bank neste início
de março, com os serviços locais integrados
aos internacionais. No ano passado, os executivos da área
traçaram um plano estratégico para os próximos
cinco anos. “Fomos buscar procedimentos e produtos no
private internacional”, diz o superintendente responsável
pela área, Fernando Vallada. O ABN é o nono
maior banco do mundo por volume de ativos neste ramo, com
160 bilhões de euros em recursos de milionários
sob sua gestão. Vallada não revela o tamanho
da operação local. Diz apenas que é “uma
posição intermediária dentro do mercado”.
De acordo com o ranking da Associação Nacional
dos Bancos de Investimento, o ABN está em 11o lugar,
administrando R$ 2 bilhões ou 3,4% deste mercado. A
meta é atingir entre 8% e 10% de market share dentro
de cinco anos, o que deixaria o ABN entre os três ou
quatro primeiros do ranking das grandes fortunas. 
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