Fotos: Daniel Wainstein
Brin e Page: Sorrisos entre canapés e tietagem dos jornalistas
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Google: dois bilionários no Brasil
Com agenda sigilosa e forte segurança, os jovens criadores da empresa de US$ 120 bilhões circulam anônimos pelo País


Por cristiane barbieri

Pelo estilo, foi mais uma visita de astros de cinema do que de homens de negócios. Larry Page e Sergey Brin, criadores do Google, desembarcaram em São Paulo, na semana passada, vestindo jeans, tênis e camisetas. Protegidos por um batalhão de seguranças, cercados de sigilo quase conspiratório, os bilionários americanos da informação digital tiveram comportamento inusual em se tratando de magnatas estrangeiros. Durante as 48 horas que estiveram no Brasil, confraternizaram com a imprensa, foram conhecer in loco a produção de álcool combustível, se esbaldaram na culinária nativa e conseguiram, em meio a isso tudo, mostrar-se simpáticos e espontâneos em todas as horas. Ao contrário da geração anterior de empreendedores da informática, como Bill Gates e Michael Dell, que se deixaram transformar em máquinas corporativas, Page e Brin, de apenas 32 anos, ainda parecem alimentar genuína curiosidade pelo mundo a seu redor e uma saudável disposição de expandir negócios sem sacrificar inteiramente o que os torna, além de bilionários, humanos. “Pareciam meninos, interessados em tudo e muito simpáticos”, disse Marcos Borato Viana, vice-reitor da Universidade Federal de Minas Gerais, presente à visita de ambos.

Fotos: Daniel Wainstein  
Visita a UFMG: simplicidade e interesse pelos projetos do berço do Akwan, que compraram em 2005
 

Decidida em dezembro, a visita-relâmpago atendeu, naturalmente, a interesses comerciais. O Brasil é o maior país emergente no qual o Google (valor de mercado, US$ 120 bilhões!!!) encontra ambiente plenamente favorável a sua operação. “China e Índia são mercados de crescimento rápido, mas o Brasil é uma economia livre e muito mais dinâmica”, disse Brin aos jornalistas. Ao contrário da praxe nas entrevistas com gurus mundiais da tecnologia, que são submetidos a um protocolo quase eclesiástico, Brin e Page responderam perguntas sem rodeios durante uma hora e, depois, embalados por canapés, enfrentaram alegre e pacientemente a risonha tietagem dos jornalistas. De camiseta estilizada da seleção brasileira, número cinco nas costas, brincavam que, juntos, formam um camisa 10. A lembrar a fortuna pessoal, avaliada em US$ 10 bilhões cada, apenas a forte e discreta segurança que marcou seus compromissos - a mesma que os levou ao hotel Unique e, dali, depois de breve descanso, para outra sessão de simpatia: um jantar no Figueira Rubayat, nos Jardins, com 28 pessoas do Google. Experimentando uma especialidade da casa – o caixote marinho, feito de frutos do mar – passaram anônimos graças ao estilo despretencioso e ao sigilo que cercava sua agenda. Dois estrangeiros a mais, de caipirinha na mão, numa mesa barulhenta na segunda-feira chuvosa de São Paulo.

O trabalho propriamente dito, para a dupla de bilionários, resumiu-se a algumas visitas. Além dos escritórios, estiveram em Barra Bonita (SP) para conhecer uma usina da Cosan, maior produtora de álcool do País. O programa brasileiro de combustível foi tema de discussão no Fórum Econômico de Davos, onde estiveram. Especulou-se que poderiam investir na agricultura brasileira, mas nada foi anunciado. Outro compromisso foi na UFMG, berço da produtora de software Akwan, comprada pelo Google em 2005. Vestiam camiseta, jeans e tênis – e encantaram pela simplicidade. Entre as discussões sobre perspectivas no Brasil, falaram da provável chegada do Google Search Engine, licenciamento do software de busca por empresas. Também da exploração do mercado de internet via telefonia celular, promissor num país em que a penetração do sistema é tamanha. Page e Brin revolucionaram o mundo da informação antes dos 30 e ganharam mais dinheiro do que sonham os mortais. Descobriu-se, no Brasil, que não lhes falta nem estilo.