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| Brin e Page: Sorrisos
entre canapés e tietagem dos jornalistas |
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Google:
dois bilionários no Brasil
Com agenda sigilosa
e forte segurança, os jovens criadores da empresa de US$ 120
bilhões circulam anônimos pelo País

Por cristiane barbieri
Pelo estilo, foi mais uma visita de astros de cinema do que
de homens de negócios. Larry Page e Sergey Brin, criadores
do Google, desembarcaram em São Paulo, na semana passada,
vestindo jeans, tênis e camisetas. Protegidos por um
batalhão de seguranças, cercados de sigilo quase
conspiratório, os bilionários americanos da
informação digital tiveram comportamento inusual
em se tratando de magnatas estrangeiros. Durante as 48 horas
que estiveram no Brasil, confraternizaram com a imprensa,
foram conhecer in loco a produção de álcool
combustível, se esbaldaram na culinária nativa
e conseguiram, em meio a isso tudo, mostrar-se simpáticos
e espontâneos em todas as horas. Ao contrário
da geração anterior de empreendedores da informática,
como Bill Gates e Michael Dell, que se deixaram transformar
em máquinas corporativas, Page e Brin, de apenas 32
anos, ainda parecem alimentar genuína curiosidade pelo
mundo a seu redor e uma saudável disposição
de expandir negócios sem sacrificar inteiramente o
que os torna, além de bilionários, humanos.
“Pareciam meninos, interessados em tudo e muito simpáticos”,
disse Marcos Borato Viana, vice-reitor da Universidade Federal
de Minas Gerais, presente à visita de ambos.
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| Visita a
UFMG: simplicidade e interesse pelos projetos
do berço do Akwan, que compraram em 2005 |
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Decidida em dezembro, a visita-relâmpago atendeu, naturalmente,
a interesses comerciais. O Brasil é o maior país
emergente no qual o Google (valor de mercado, US$ 120 bilhões!!!)
encontra ambiente plenamente favorável a sua operação.
“China e Índia são mercados de crescimento
rápido, mas o Brasil é uma economia livre e
muito mais dinâmica”, disse Brin aos jornalistas.
Ao contrário da praxe nas entrevistas com gurus mundiais
da tecnologia, que são submetidos a um protocolo quase
eclesiástico, Brin e Page responderam perguntas sem
rodeios durante uma hora e, depois, embalados por canapés,
enfrentaram alegre e pacientemente a risonha tietagem dos
jornalistas. De camiseta estilizada da seleção
brasileira, número cinco nas costas, brincavam que,
juntos, formam um camisa 10. A lembrar a fortuna pessoal,
avaliada em US$ 10 bilhões cada, apenas a forte e discreta
segurança que marcou seus compromissos - a mesma que
os levou ao hotel Unique e, dali, depois de breve descanso,
para outra sessão de simpatia: um jantar no Figueira
Rubayat, nos Jardins, com 28 pessoas do Google. Experimentando
uma especialidade da casa – o caixote marinho, feito
de frutos do mar – passaram anônimos graças
ao estilo despretencioso e ao sigilo que cercava sua agenda.
Dois estrangeiros a mais, de caipirinha na mão, numa
mesa barulhenta na segunda-feira chuvosa de São Paulo.
O trabalho propriamente dito, para a dupla de bilionários,
resumiu-se a algumas visitas. Além dos escritórios,
estiveram em Barra Bonita (SP) para conhecer uma usina da
Cosan, maior produtora de álcool do País. O
programa brasileiro de combustível foi tema de discussão
no Fórum Econômico de Davos, onde estiveram.
Especulou-se que poderiam investir na agricultura brasileira,
mas nada foi anunciado. Outro compromisso foi na UFMG, berço
da produtora de software Akwan, comprada pelo Google em 2005.
Vestiam camiseta, jeans e tênis – e encantaram
pela simplicidade. Entre as discussões sobre perspectivas
no Brasil, falaram da provável chegada do Google Search
Engine, licenciamento do software de busca por empresas. Também
da exploração do mercado de internet via telefonia
celular, promissor num país em que a penetração
do sistema é tamanha. Page e Brin revolucionaram o
mundo da informação antes dos 30 e ganharam
mais dinheiro do que sonham os mortais. Descobriu-se, no Brasil,
que não lhes falta nem estilo. 
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