| Reuters |
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| Jobs: próximo
passo é a convergência do mundo Disney com o universo
Apple |
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O
reino encantado de Steve Jobs
Dono da Apple vende
seu estúdio de animação Pixar para a Disney por US$ 7,4 bilhões,
torna-se o maior acionista individual da empresa de Mickey
e se consagra como o mago do entretenimento

Por darcio oliveira e
fábio altman
Steve Jobs, fundador da Apple, subiu ao palco, na conferência
de tecnologia All Things Digital, recém realizada em
Nova York, e foi logo provocando o público: “quem
aí tem um iPod?” A maioria levantou a mão,
exibindo o “walkman digital” inventado por ele.
Jobs, ainda mais provocativo, deu uma olhadela para Bill Gates,
que assistia ao encontro, e lascou: “Ei Bill, relaxa!
Pode levantar o seu iPod também”. O dono da rival
Microsoft sorriu, um tanto constrangido, e a platéia
veio abaixo. Steve Jobs está impossível! Mais
arrogante do que nunca, mais rico, mais poderoso. O homem
é tratado pela mídia americana como a maior
estrela corporativa do século XXI. Não à
toa. Na semana passada, o ex-hippie que fundou e ressuscitou
a Apple, inventou o mouse e os ícones na tela do computador,
levou a animação gráfica a um novo patamar
na indústria do cinema e criou a febre do momento –
o tocador de MP3 iPod – tornou-se o maior acionista
individual da Walt Disney Company. Na terça-feira 24,
a empresa do Mickey anunciou que pagará US$ 7,4 bilhões
para ficar com a Pixar, o estúdio de animação
gráfica de Steve Jobs. Na troca de ações
que acontecerá em breve com os herdeiros de Walt, o
“chefão” da Pixar ficará com 7%
da Disney. Em outras palavras, vendeu mas continua dono.
| EFE |
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| Sede da Pixar:
Suas produções renderam mais de US$ 3 bilhões em bilheteria |
Jobs terá assento no conselho da Disney, vai participar
da diretoria da empresa e vigiará de perto os trabalhos
da Pixar. Os executivos da Disney sabem que a presença
do dono da Apple é imprescindível para o sucesso
da divisão de cinema. Nas mãos de Jobs, a Pixar
se transformou em uma das maiores referências do setor.
Ganhou 15 Oscars e seus filmes, como Os Incríveis,
Procurando Nemo e Toy Story, entre outros, têm
garantido cerca de US$ 3 bilhões em bilheteria desde
1995. O empresário comprou a Pixar no final dos anos
80. A empresa pertencia a George Lucas e contava com apenas
44 funcionários. Preço do negócio na
época: US$ 10 milhões. Valor de mercado da empresa
hoje: US$ 7 bilhões.
Jobs jogou direitinho com a Disney. As duas empresas mantinham
uma associação (a Pixar produzia e a Disney
distribuía os filmes) desde 1990. Com o sucesso das
produções, a Pixar começou a exigir participação
maior nos lucros. Diante da negativa da Disney, a Pixar anunciou,
em janeiro de 2004, que iria interromper a parceria. A Disney
entrou em pânico. Seus tradicionais desenhos animados
feitos à mão já haviam perdido a preferência
do público, assim como as histórias de princesas
ou reedições de clássicos com seus principais
personagens. São os personagens, aliás, que
movimentam os parques temáticos, produtos de consumo
e programas de TV a cabo. E nos últimos tempos, Mickey
e Pateta tiveram de se curvar ao Senhor Incrível, Nemo
ou Buzz LightYear. Eram as criações da Pixar
que estavam girando a indústria Disney. Não
houve, portanto, outra saída para o Reino Encantado
a não ser comprar a Pixar, antes que algum rival o
fizesse. A aquisição foi bem recebida pelo mercado:
as ações do estúdio de Jobs acumularam
alta de 12% no último mês apenas por conta da
possibilidade do acordo com a Disney.
O criador do iPod está nas nuvens. Depois de acompanhar
as sucessivas altas das ações de seu i-empire
(como é conhecido nos EUA o império que junta
Apple e Pixar) nas últimas semanas, ele enviou comunicado
aos funcionários cutucando novamente um concorrente.
“Pessoal, parece que o Michael Dell não é
bom em prever o futuro. Nossa empresa, hoje, vale mais que
a dele". Jobs se referia a uma declaração
do rival feita há 10 anos, quando a Apple passava por
dificuldades. Perguntado sobre o que faria se fosse o CEO
da Apple, Dell afirmou: “eu a fecharia e devolveria
o dinheiro aos acionistas”. Agora veio o troco.
E dá-lhe números. O i-empire de Jobs
vendeu 100 iPods por minuto no mundo, só no último
trimestre de 2005. Desde que foi lançada, em 2001,
a linha de MP3 portátil já comercializou 40
milhões de unidades. A loja virtual iTunes contabiliza
10% das vendas totais de música on line nos EUA. E
o valor de mercado da Apple atingiu US$ 72,3 bilhões.
No último trimestre de 2005, a empresa registrou o
melhor resultado de sua história: US$ 5,7 bilhões
de receita e lucro de US$ 565 milhões. Na semana passada,
antes de anunciar o acordo com a Disney, Jobs exibiu os primeiros
Macintosh com processador Intel. A novidade impulsionou os
papéis do i-empire.
“A vantagem de Jobs é que ele é visionário
e altamente empreendedor. Ou seja, ele sonha e realiza, enquanto
outros apenas sonham”, analisa Daniel Domeneghetti,
da E-consulting, especializada em tecnologia. “E, acima
de tudo, ele tem uma sorte incrível”, conclui.
O que virá agora, depois de Disney, iPods, iTunes?
A indústria aposta num iMac que pode funcionar como
mini-system e gravador digital de imagens de TV. E o já
cantado iPod Câmera, além, é claro, da
convergência do mundo Disney com o universo Apple (leia
reportagem à pag.60) . Imagine comprar um seriado da
Disney no iTunes, baixar num laptop iBook e transferir para
um iPod. Steve Jobs é o homem que faz o mundo se divertir.
Uma espécie de Walt Disney do século XXI. 
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VIDAS PARALELAS
Como Walt Disney e Steve Jobs revolucionaram
a indústria do entretenimento e da computação até cruzarem
o caminho em 1995
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