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| Modelo da Traxx:
Estratégia é oferecer motos de baixa cilindrada a preços
em torno de R$ 3,2 mil |
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Os
chineses vêm de moto
Na rota oposta à
de outros setores da indústria, marcas chinesas chegam para
produzir motos em Manaus

Por lílian cunha
Imagine um globo da morte, aquela esfera de aço, onde
motociclistas rodam, apresentando seu número circense.
Assim são as maiores cidades da China. Há tantas
motos quanto carros. Em Xangai, umas das maiores cidades do
país, com 13 milhões de habitantes, existem
1,2 milhão de motocas e 900 mil carros. O problema
é que o mercado está ficando saturado. Por isso
os produtores chineses têm se voltado ao exterior. E
estão de olho no Brasil, seduzidos por um setor que
produziu 1,2 milhão de motocicletas em 2005, crescendo
14% e movimentando R$ 2,3 bilhões.
A Traxx, empresa do grupo China Jialing, líder chinês
no mercado de motos, com capacidade de produção
de dois milhões de unidades ao ano, acaba de anunciar
que montará uma fábrica de US$ 3 milhões
em Manaus. “A produção começa ainda
em 2006, com 100 empregados e capacidade para 50 mil motos
ao ano”, disse a DINHEIRO Zhou Yu, presidente da Traxx
no Brasil. “Queremos 5% do mercado nacional até
2009.”
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| Estacionamento em Xangai:
Mercado saturado na China |
A notícia é muito boa, segundo Moacyr Paes,
diretor da Associação Brasileira dos Fabricantes
de Motocicletas (Abraciclo). “Enquanto muitos setores
estão deixando de produzir aqui para transferir a fabricação
para a China, as fabricantes de motos chinesas é que
estão vindo para cá”, afirma. “No
caso dessas três empresas orientais, a intenção
é produzir motocicletas de baixa cilindrada, modelos
de 125, 90 e até 50 cilindradas - quase como as antigas
mobiletes”, explica Paes. Os preços devem variar
de R$ 3,2 mil a R$ 5,9 mil – valores bem competitivos,
já que o modelo mais barato atualmente no mercado nacional
custa R$ 2,9 mil (a Sundown Hunter 90, com 90 cilindradas).
Esse modelo foi lançado em setembro e inaugurou no
País uma nova categoria, a de motos com menos de 125
cilindradas. Antes dele, a moto mais barata era a Honda C100
Biz, de R$ 4,4 mil.
A Cross Lander é outra fabricante chinesa que está
chegando a Manaus. A empresa já monta um modelo de
veículo utilitário, tipo jipe, na Zona Franca,
e agora produzirá motos de 150 cilindradas em parceria
com a chinesa Chong Quing. O investimento é de US$
100 mil. Já a Haobao está aplicando R$ 10,7
milhões em uma planta onde trabalharão 100 pessoas.
Os fabricantes que já estão no Brasil —
como as japonesas Honda, maior fabricante local, com 85% do
mercado, e Yamaha — não comentam a invasão
chinesa. Mas especialistas do setor dizem que o silêncio
é só para inglês ver. A Honda tambêm
estaria preparando um projeto de uma moto de baixo custo.
O objetivo? Oferecer resistência às novatas chinesas.

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