| Ana Paula Paiva |
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| Bya Aydar: "
Não tenho muita paciência, quero logo resultados" |
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A
energia da pequena notável
No comando da agência
MPM,
Bia Aydar protagonizou um dos
mais espetaculares renascimentos
da história da propaganda brasileira

Por Fábio Altman
Bia Aydar já fez de tudo na vida. Era a “Tia
Bia” para as crianças das Escola Catavento, em
São Paulo. Nos anos 1970 casou-se com um músico
de primeira, Mário Manga, com quem dividiu uma das
mais engraçadas aventuras musicais daqueles tempos,
o grupo paulistano Premeditando o Breque, ou simplesmente
Premê. Para quem não liga o nome às
canções, cabe lembrar a letra de uma delas,
com direito a todos os erros de português intencionais:
“Eu economizei, mizei/Comprei, comprei, comprei/Uma
Kombi meia seis, de um japoneis/ Ela é ensinada, só
falta asa/Corre à beça e vai sozinha para o
Ceasa”. Bia chegou a conduzir a tal Kombi, como faz-tudo
da banda. Um pouco mais tarde trabalhou com Luiz Gonzaga,
o Rei do Baião, e a vida deles era andar por esse País.
Ela perdeu a conta das vezes em que, a bordo de aviões
monomotores ou ônibus, tinha de um lado Gonzagão
e a sanfona e, do outro, um balão de oxigênio
destinado a arrefecer o sofrimento do pernambucano de Exú
em seus últimos dias. As andanças serviram de
aprendizado para uma outra faceta da empresária, transformada
em uma das mais competentes organizadoras de eventos do Brasil.
Até que, em outra encarnação, a atual,
soma de todas as anteriores, Bia Aydar assumiu o comando da
MPM, uma lenda da publicidade brasileira. No comando da agência
e de um do inacreditável renascimentos de uma marca
ícone da propaganda no Brasil, conquistou o prêmio
de Empreendedora do Ano nas Comunicações da
DINHEIRO.
Ela foi alçada ao controle da MPM em julho de 2003.
Um ano depois, o faturamento chegava aos R$ 100 milhões,
com crescimento de 200% em relação aos doze
meses anteriores. Para 2005, prevê-se negócios
de R$ 140 milhões, com expansão de 40%. A agência
ocupa atualmente a 44ª posição do ranking
estabelecido pela editora Meio & Mensagem. É desempenho
amealhado por meio de contas nobres como as do Burguer King,
da Kyocera e da Leroy Merlin, além da SulAmérica
e da Fox Film, em um total de 15 grandes rótulos. Como
a dona do pedaço nunca foi de premeditar o breque,
porque freio não é com ela, vem mais por aí.
A MPM deixará os dois sobrados onde está instalada,
na rua Estados Unidos, na região paulistana dos Jardins,
por um prédio de seis andares ainda com andaimes e
concreto aparente, não muito longe dali. No tapume,
ao lado de uma betoneira, há a seguinte frase: “Construindo
a futura maior agência do Brasil”. Um olhar menos
cuidadoso pode levar os incautos a supor presunção.
Não é nada disso. Trata-se apenas da confiança,
genuína e simpática, desta mulher agitada de
1m57, elegante em terninhos Dolce & Gabbana. “Sou
determinada e obstinada”, resume Bia, para logo em seguida
admitir um defeito. “Não tenho muita paciência,
quero logo os resultados”, diz. Como eles têm
aparecido, a impaciência é problema que se releva.
| Daniel Wainstein |
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| Futura sede:
O faturamento da MPM em 2005 será de R$ 140 milhões,
numa expansão de 40% |
A determinação pode ser entendida pelo modo
de vida da publicitária. Bia dorme apenas três
horas por noite. Tornaram-se históricos, entre os colegas
de trabalho, para o lado e para baixo da hierarquia funcional,
as mensagens eletrônicas anotadas com horários
improváveis como “3h28”. Ela sai da cama
sempre antes das 6h00. Corre no Parque do Ibirapuera com o
apoio de um personal trainer e, ao redor de 9h00, bate ponto.
Vê-la no cotidiano é rir muito, é acompanhar
algumas broncas, mas é também perceber como
se trata os funcionários de modo equânime, independentemente
do tamanho do salário. Conversa de igual para igual
com Fabiane, a moça da recepção, e com
Daniel Chalfon, o diretor de criação da casa,
nome de reputação cada dia maior. Diante de
Bia há sempre cinco telefones celulares – quatro
para decisões administrativas e um exclusivo para os
filhos, a cantora Mariana, de 25 anos, e o publicitário
Eduardo, de 31, que cuida da empresa de eventos comandada
pela mãe, a Face. O núcleo familiar estende-se
à neta Manuela, de 10 meses, que a observa a partir
de uma fotografia pousada na mesa do escritório. Quando
a menina veio ao mundo, Nizan Guanaes, o homem que inventou
essa nova fase da vida de Bia, disparou uma de suas máximas.
“Nasceu quem vai mandar em você”, sacramentou,
com a certeza que não há, no mundo, alguém
capaz de tal façanha. Talvez a irmã e amiga,
Fernanda Nigro, que a acompanha desde sempre, desde os tempos
do Premê, com quem ela divide a sala, os problemas e
as soluções. Fernanda, segundo a mana, é
quem sabe das coisas.
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| Amizades: A
irmã Fernanda é parceira desde os tempos
em que Bia agenciava Gonzagão. Nizan é o
mentor |
Na presidência da MPM, Bia tem responsabilidades imensas,
algumas discretamente intangíveis. A marca foi comprada
pela holding de Nizan, a Ypy - que inclui, entre outras, a
agência África - por espetaculares US$ 1 milhão.
Tratava-se de fazer renascer uma lenda do mercado publicitário
do País, adormecida havia uma década. A experiência
quase adolescente com o mundo artístico e a mais recente
convivência com eventos como os casamentos de Angélica
e Luciano Huck, Ronaldo e Daniela Cicarelli, além de
campanhas políticas com Fernando Henrique Cardoso,
não bastavam para levá-la ao pódio de
uma atividade repleta de obstáculos. Para se tornar
publicitária, teve que reaprender a andar – o
que, para quem nasceu prematura de 6 meses e 2 semanas há
49 anos, e com meros 1kg e 200 gramas, é missão
simples. O gênio criador de Nizan ajudou muito. “Ele
é meu irmão, meu melhor amigo”, diz ela.
O conceito da MPM de Bia Aydar é o avesso do habitual.
Ela atende o cliente em todas as suas necessidades. Pode ser
um lançamento de produto, uma nova campanha, um superevento,
pode até ser um pouco de conversa jogada fora. “Não
faço briefings, que não passam de pedaços
de papel ultrapassados, frios, distantes das necessidades
reais”, afirma. “Levo todo mundo para as reuniões,
e do diálogo é que brotam as soluções”.
E lá vai Bia, agitada como personagem de desenho animado.
Induzida a comentar sua vida hoje, ela é assertiva.
“Estou muuuuito feliz”, diz, estendendo a letra
“u” para reforçar o que pretende explicar.
É felicidade que não produz comodismo, pelo
contrário: “Olha, não sou a Rainha da
Inglaterra”. 
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