Aquaglide A5: Modelo leva cinco passageiros e pode ser usado em turismo e patrulhas
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No céu e no mar
Parceria acidental entre russos,
americanos e brasileiros traz produção
de aerobarcos ao País


Por flávia Tavares

É um barco que voa ou um avião que navega? Os dois. Desenhado para voar baixinho e deslizar sobre água, terra ou gelo, o aerobarco foi criado na União Soviética durante a Guerra Fria para uso militar. No mercado civil, nunca pegou. Por conta dos custos elevados (US$ 20 milhões para desenvolver, produzir e homologar um modelo), a empresa russa ATTK, inventora da coisa, vendeu só três unidades na última década. Agora, para tentar fazer o negócio decolar, decidiu sair de casa: vai fabricar suas engenhocas no Brasil. Formou uma joint-venture com a gaúcha Companhia Câmara de Construções Navais e o americano Keneth May e anunciou a produção do aparelho em Guaíba (RS) a partir de junho de 2006. “Cada parceiro tem 33% da nova empresa (batizada Aquaglide) e cuidará de uma parte da operação. A Rússia fornece a tecnologia, nós construímos e os americanos vendem”, diz Geraldo Câmara, presidente da Cia. Câmara.
Câmara, o sócio brasileiro: Estaleiro terá capacidade para dez unidades
por mês

O brasileiro entrou por acaso na história. Há uma ano, ele procurava um local para ampliar seu estaleiro, que produz barcos de 9 a 16 metros em Novo Hamburgo (RS). Foi a Guaíba conhecer o terreno de 60 hectares que seria destinado à Ford (a montadora acabou escolhendo Camaçari, na Bahia, para instalar sua fábrica de US$ 1,2 bilhão). Na mesma época, os russos da ATTK estavam lá, buscando espaço e sócios para fabricar aerobarcos no Brasil. Poucos meses depois foi firmado o acordo que resultaria na primeira filial da ATTK fora da Rússia. “Eles queriam expandir seus negócios. Mas não podiam ir para os EUA ou para a Europa, onde os custos de produção são muito altos ”, conta Câmara.

O Aquaglide A5, nome do o aerobarco nacional, transporta cinco pessoas. Não é um hidroavião (avião que pousa na água). O aerobarco apenas plana a poucos metros da superfície e, por isso, tem como alvo empresas de turismo e de patrulha de rios e mares. Os modelos brasileiros devem ser destinados à exportação (Canadá, EUA e Caribe). “Um aerobarco custa US$ 600 mil, mas deve ficar 30% mais barato quando for fabricado aqui”, diz Câmara. O investimento na construção do estaleiro, cujas obras devem começar em janeiro, será de R$ 80 milhões, podendo chegar a R$ 180 milhões em três anos. Em 2008, deve ser homologado um segundo modelo de aerobarco, um cargueiro capaz de levar oito contêineres. Há ainda um projeto de um modelo de passageiros maior, para 50 pessoas. Segundo Câmara, já há 15 Aquaglide A5 brazucas encomendados. “Vamos construir 15 aerobarcos no primeiro ano. Mas teremos capacidade para fazer dez unidades por mês”, diz o empresário.