| Anderson Schneider/André
Dusek |
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Destaques
A Abin de Marcelo (dir.) sacou R$ 1,3 milhão
em dinheiro. Em 2005 o Incra de Hackbart gastou R$ 844
mil |
Até 2000, os ecônomos usavam pequenas quantias
em dinheiro, as “caixinhas”, iguais às
de qualquer empresa privada, para cobrir as pequenas despesas
do Planalto. Foi o então ministro Pedro Parente, da
Casa Civil, quem decidiu implementar os cartões de
crédito para aumentar a transparência. No governo
Fernando Henrique, o Planalto enviava as faturas ao TCU. O
governo Lula passou a resguardá-las como assunto sigiloso,
com o mesmo cuidado das contas secretas (legais) do Itamaraty
e das Forças Armadas. Primeiro deixou de enviar faturas
e notas fiscais ao tribunal. Depois retirou do Siafi a maior
parte das informações sobre compras. Em março,
os nomes de todos os ecônomos também foram retirados
do Siafi. Há um ano, o deputado Augusto Carvalho, do
PPS do Distrito Federal, entrou com uma representação
junto ao TCU com base em reportagem de DINHEIRO que revelava
o aumento dos gastos do Planalto com cartões corporativos.
O tribunal então abriu uma inspeção no
Planalto. Em novembro, três auditores do TCU estiveram
na sala 208 do Anexo II do Palácio. Ali, atrás
de portas trancadas, dois andares abaixo no nível da
rua, um pequeno grupo de funcionários civis –
comandados pelo general Romeu Ribeiro Bastos, chefe da Secretaria
de Administração do Planalto – cuida dos
arquivos secretos dos cartões.
| Roberto Castro |
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| No hotel Ca’d’Oro:
Despesa de Gushiken foi paga com o cartão pessoal
de Elizabeth, sua mulher, depois reembolsada em dinheiro
vivo por Maria da Penha. O TCU acha estranho |
Os analistas do TCU não tiveram acesso às faturas,
mas pinçaram cópias de cinco prestações
de contas. Assim, puderam compreender a sistemática
dos gastos. Em meio às notas fiscais de compras de
cartuchos de impressoras, azeite de oliva extra virgem e geléia
de uva, encontraram uma fatura do Grand Hotel Ca’d’Oro,
em São Paulo, emitida em nome do então ministro
Luiz Gushiken, da Comunicação de Governo. A
fatura informa que entre 7 e 9 de abril de 2004, Gushiken
gastou R$ 470 em diárias. Entre outros extras, consumiu
R$ 231 no restaurante e R$ 501 no bar do hotel. O total da
conta foi de
R$ 1.249,98. Quem pagou foi Elisabeth Ferreira, esposa de
Gushiken, com seu cartão de crédito pessoal
da Visa. Os auditores do TCU encontraram essa fatura em meio
à prestação de contas da servidora Maria
da Penha Pires, portadora do cartão corporativo 016790814,
da Visa. Um detalhe intrigou os auditores. O extrato demonstrativo
do cartão corporativo de Penha mostra que ela não
realizou nenhuma compra diretamente com o plástico
e o utilizou apenas para sacar dinheiro vivo. O TCU não
sabia do detalhe. Naquele documento, ela informava que sacara
de uma só vez R$ 7.850. Comprou, com o dinheiro, material
de escritório e reembolsou as despesas de Gushiken
no Ca’d’Oro. Procurado por DINHEIRO, Gushiken
encaminhou o tema para Maria da Penha. Ela explicou que costuma
sacar dinheiro vivo porque muitas empresas de Brasília
não aceitam cartão de crédito. Em sua
prestação de contas, porém, há
notas fiscais de quatro papelarias, como a ABC, maior da capital.
Todas as quatro aceitam Visa.
Os documentos do TCU apresentam um mapa detalhado de cada
órgão do governo que se utiliza dos cartões.
O levantamento de 2004 (entre janeiro e agosto) mostra que
68 órgãos federais gastaram R$ 8,9 milhões
– e que foram sacados R$ 5,1 milhões em dinheiro
vivo. A Secretaria de Administração do Palácio
do Planalto foi responsável por mais da metade dos
gastos. Usou cartões para comprar R$ 5,2 milhões,
sendo R$ 2,2 em saques. Em segundo lugar, apareceu a Agência
Brasileira de Inteligência, Abin, na época dirigida
pelo delegado Mauro Marcelo. Gastou R$ 1,3 milhão e
só R$ 34 mil em compras com cartão – o
restante em saques. Um novo levantamento, do deputado Eduardo
Paes (PSDB) junto ao Siafi, mostra que o Gabinete da Presidência
continua sendo responsável em 2005 pela maior movimentação
– R$ 5,67 milhões até 18 de agosto –
seguido do Incra, com R$ 844 mil. A direção
do órgão, presidido por Rolf Hackbart, esclarece
que há uma orientação de governo para
estimular o uso dos cartões como forma de aumentar
a transparência dos gastos. Informa ainda que as 12
superintendências do Incra possuem cartões, vários
cartões por Estado, e que eles são usados tanto
na compra de livros, quanto nas viagens pelo interior. “É
muito simples terminar com todas as dúvidas”,
diz o deputado Paes, que também pesquisa os cartões
do Planalto. “Basta o presidente da República
mandar abrir as faturas dos cartões e mostrar que sempre
andou na linha”. 
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