Roberto Castro
Lisane, presidente da IOS: Faturamento de R$ 12 milhões em 2004
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A musa do Linux
Lisane Bufquin já foi miss, namorou poderosos e atualmente é a empresária mais badalada em torno dos negócios do software livre

Por GUSTAVO GANTOIS

Do alto do seu 1,70 metro – cerca de 1,60 metro sem os saltos – a empresária Lisane Bufquin quer desfilar na passarela como a musa da comunidade do software livre. Dona do Grupo IOS, companhia que produz softwares baseados em Linux, a bela Lisane, uma das candidatas ao concurso de Miss Brasil, em 1975, já tem o discurso pronto. “Por que vamos continuar pagando royalties para empresas multinacionais num processo que é puro lucro unilateral?”, teoriza em relação aos direitos autorais recolhidos a empresas de softwares pagos. Diante de tanto entusiasmo, a empresária prepara sua maior tacada no setor de compras governamentais. Só no ano passado, a União gastou R$ 2,3 bilhões na área de tecnologia, incluindo softwares. A parte reservada à IOS foi de R$ 12 milhões, mas Lisane quer avançar ainda mais nesse faturamento. Bem relacionada entre os poderosos em Brasília – foi namorada do ex-deputado Sérgio Naya, no ápice de seu poder, e de Mauro Dutra, amigo do presidente da República e dono da fabricante de computadores Novadata -- ela conheceu gente influente do PT nesse circuito palaciano. Seu mais novo amigo é o sociólogo Sérgio Amadeu, presidente do Instituto de Tecnologia da Informação, e o maior defensor do uso do Linux no governo brasileiro. “Nunca usei os meus relacionamentos para fechar negócios”, esclarece. Antes de chegar na atual situação, a musa chapa branca do Linux travou e perdeu uma luta figadal com a empresária Cristina Boner, da TBA Informática. As duas queriam a exclusividade da conta da Microsoft para o governo federal, que representa 6% das receitas da companhia. no Brasil. Procurada por DINHEIRO, a Microsoft informou que nunca favoreceu parceiros em detrimento de outros em questões comerciais. Após a derrota, restou à Lisane ficar com o até então desmoralizado nicho do Linux. A sorte da empresária virou quando Lula foi eleito presidente e o governo decidiu apostar no software livre.

Lisane é dona de uma história curiosa. Ela ingressou, em 1975, na primeira turma de processamento de dados da Universidade de Brasília. No mesmo ano concorreu a miss Brasil. Perdeu, mas foi parar no Japão, representando o País no concurso Beleza Internacional. Lá conheceu seu marido, o engenheiro francês Jean François Bufquin, já falecido. Lisane casou e foi morar em Paris. Na França trabalhou em conglomerados de informática. Em 1989 a Microsoft lhe ofereceu parceria que terminou perdendo para a TBA. Com planos pela frente, Lisane não deixa as três igrejas que construiu para a Santa Terezinha do Menino Jesus na periferia de Brasília. Com a proteção da santa, Lisane espera arrebatar milionárias contas governamentais.

R$ 2,3 bilhões é quanto o governo brasileiro gastou no ano
passado em compras na área de tecnologia