| Anderson Schneider |
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| MANTEGA: Meta de superávit
impede liberação para o Estado |
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As escolhas do BNDES
Banco financia metrô de
Caracas e engaveta projeto
de São Paulo. Faz sentido?

Por Elaine
Cotta
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES), com R$ 60 bilhões em caixa, é o maior
banco de fomento do País. Serve para financiar projetos
de investimento das empresas e grandes obras de infra-estrutura.
Seu novo presidente, o economista Guido Mantega, recentemente
tomou duas decisões. A primeira foi liberar US$ 107
milhões para as obras do metrô de Caracas, na
Venezuela de Hugo Chávez. A segunda foi engavetar um
pedido de empréstimo, de US$ 150 milhões, feito
pelo governador paulista Geraldo Alckmin para uma nova linha
do metrô de São Paulo. “Isso não
faz sentido algum”, disse Alckmin, indignado. “Já
estava tudo certo, o ex-presidente Carlos Lessa iria liberar
o empréstimo, mas agora estamos sendo enrolados pela
nova direção do banco”. Mantega tenta
se justificar alegando que um empréstimo para o Estado
de São Paulo comprometeria as metas de superávit
acertadas com o Fundo Monetário Internacional. “Isso
seria ruim para as contas do País”, disse. O
problema é que o mesmo BNDES, um ano atrás,
emprestou R$ 490 milhões para a Prefeitura de São
Paulo, quando o cargo era ocupado pela petista Marta Suplicy.
O dinheiro foi usado em corredores de ônibus e nos túneis
feitos às vésperas da eleição
municipal.
Há ainda um outro dado em favor do governo estadual.
São Paulo irá transferir, neste ano, R$ 320
milhões em impostos para os cofres do BNDES. Além
disso, o Estado ajustou suas contas e tem superávit
há nove anos – a Prefeitura, ao contrário,
não cumpriu a Lei de Responsabilidade Fiscal no ano
passado. “O Estado de São Paulo tem as finanças
mais organizadas do País e não pode ser discriminado
pelo governo federal”, avalia o economista Raul Velloso.
“O BNDES deu um mau exemplo”. Além disso,
São Paulo, com 10 milhões de habitantes, é
uma das cidades com a pior rede de transporte público
da América Latina. Tem 57,6 quilômetros de metrô
– Caracas, com 3,2 milhões de pessoas, já
tem 42,7 quilômetros. A Cidade do México, por
sua vez, já possui uma rede de 201 quilômetros
de extensão. Não é por outro motivo que,
a cada dia, são registrados mais de 120 quilômetros
de engarrafamentos nas ruas da capital paulista.
Com a decisão de negar o empréstimo a São
Paulo, a direção do BNDES passou a imagem de
que agiu movida por interesses políticos. Isso porque
Alckmin é o mais provável candidato do PSDB
às eleições de 2006, em que o presidente
Lula tentará sua reeleição. Até
lá, graças a Mantega, é provável
que a cidade continue parada e sem as novas linhas do metrô.

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