Linus Torvalds, o criador: Oposição cobra mais democracia e ele prometeu pensar no assunto
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Multinacional Linux

Acabou a fase juvenil do software livre. As
grandes empresas querem mais poder dentro
da comunidade

Por juliana mariz

O finlandês Linus Torvalds está sob pressão dentro da sua própria comunidade. Criador do sistema operacional Linux, ele tenta conter uma rebelião daqueles que querem tornar mais freqüente renovações do software. Torvalds é o responsável por analisar e distribuir cada nova mudança no código fonte do Linux – a alma dos programas de computador – e isso está incomodando quem deseja mais agilidade no processo para atender as necessidades do mercado. Hoje cerca de 90% das novidades em torno do software são feitas por empregados contratados de grandes empresas como a IBM, Sun Microsystem e a Hewlett-Packard. São funcionários comprometidos com as diretrizes das suas companhias que ganham bônus por desempenho, recebem benefícios das corporações e trabalham de acordo com as leis de mercado. Graças a esse contigente, o Linux se transformou em uma grande multinacional com ramificações em vários países. A oposição exige de Torvalds mais compromisso com a expansão dos negócios e que use um software especial para fazer as atualizações.

A cadeia produtiva montada hoje em torno do Linux é tão sofisticada quanto qualquer outro setor da indústria mundial. Tudo por um simples motivo: o software se tornou um grande negócio e uma real opção ao Windows. Na ponta desse universo estão as grandes marcas da tecnologia como IBM e HP, que gastam milhões de dólares no desenvolvimento de produtos baseados no programa. No segundo plano estão os distribuidores como a americana Red Hart ou a brasileira Conectiva, que se encarregam de empacotar o que está sendo produzido para em seguida comercializá-lo no mercado. A última parte dessa estrutura é o mercado consumidor formado por grandes companhias e pequenas empresas. “O Linux se transformou em uma indústria com regras claras e uma lógica própria. Não há como fugir dessa realidade”, afirma Paulo Maciel, diretor da International Syst, com sede no Brasil, que colocou no mercado um programa de computador que interage com o Windows sem problemas e utiliza os recursos do Linux. A estimativa mais otimista indica que há 72 milhões de pessoas no mundo trabalhando no desenvolvimento de projetos baseados em Linux. Os críticos de Torvalds afirmam que sozinho ele não tem como administrar tanta informação gerada a cada dia e as empresas podem fazer essa tarefa com maior eficiência e rapidez. Torvalds prometeu pensar no assunto.

72 milhões de pessoas trabalham com Linux no mundo