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  Intenção de compra
no fim do ano

Presente de Natal
Para onde vão os R$ 40 bilhões
do pagamento do 13º salário

Por Geraldo Magella

R$ 40,2 bilhões. Esse é o volume de recursos que entrará na economia neste fim de ano com o pagamento do 13º salário a cerca de 53,7 milhões de brasileiros. O número, calculado pelo Dieese, representa os ganhos dos trabalhadores com carteira assinada e dos beneficiários da Previdência Social. “Essa é uma estimativa conservadora, que não leva em conta os trabalhadores autônomos nem os terceirizados”, explica José Silvestre de Oliveira, supervisor do Dieese em São Paulo. Em outras palavras, o montante pode ser ainda maior que o esperado, o que não deixa de ser outra boa notícia.

O levantamento do Dieese aumenta ainda mais as expectativas otimistas para o Natal, principalmente do varejo. Os comerciantes estão se preparando para um fim de ano bem melhor do
que o de 2003, marcado por juros altos, economia fraca e vendas em baixa. Em 2004, os juros continuaram a subir. Mas o País voltou a crescer e as vendas do comércio estão em alta há dez meses seguidos, segundo o IBGE. Agora, o setor se prepara para um Natal mais gordo. Pesquisa realizada pelo Programa de Administração de Varejo (Provar) da USP indica que 64,7% dos paulistanos estão dispostos a gastar neste fim de ano. Os produtos com maior intenção de compra são da linha cama, mesa e banho (ver tabela abaixo). Já os mais caros deverão continuar nas prateleiras. “Esperamos compras pulverizadas em itens de menor valor”, diz o professor Claudio Felisoni, do Provar.

Nem todo o volume pago como 13º salário irá desaguar no consumo. Muitos trabalhadores acabam usando o salário extra para quitar dívidas e honrar compromissos atrasados. Outros, mais precavidos, destinam parte dos ganhos para os bancos, em forma de poupança ou investimento. Levantamento feito pela Associação Brasileira do Consumidor comprova a tese. A maioria dos 675 pesquisados (62%) afirmou que iria usar o 13º para pagar dívidas. Outros 10% responderam que colocariam os recursos em alguma aplicação financeira. O consumo ficou com apenas 28% das alternativas. “O Natal de 2004 não será faustoso nem exuberante, mas será bem melhor do que o de 2003”, aposta Luiz Guilherme Piva, economista-chefe da Trevisan Consultores. Papai Noel agradece.

INTENÇÃO DE COMPRA NO FIM DO ANO

Cama, mesa e banho

21,8%

Linha branca

16,2%

Material de construção

13%

Móveis e informática

11,5%

Eletroeletrônicos

11%

Automóveis

4,7%

Autopeças

1,5%

Foto e ótica

1%