| Biô Barreira |
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| OCTÁVIO LOURO:
O antiquário organiza a 1ª Mostra
Nacional de Objetos Antigos em São Paulo |
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O valor do passado
Aprenda a identificar boas
opções em antigüidades

Por Fernanda
Galvão
Depois de 18 anos de atividade profissional, o antiquário
Luiz Octávio Louro Gomes já tem uma frase pronta
para os clientes que chegam em sua loja, em São Paulo,
e reclamam que alguma peça está gasta ou com
arranhões. “Bem, eu também já estou
um pouco grisalho...”, ele costuma dizer. Nem todos
conseguem entender a fina ironia da declaração.
Embora exigir que uma antigüidade tenha aspecto de produto
novo possa ser considerada uma gafe grosseira, a atitude é
sintomática: esse é um mercado difícil
para quem não é iniciado. No entanto, não
deve ser desconsiderado pelos investidores – comerciali-
zar objetos datados pode ser rentável, além
de prazero-
so. Alguns artigos podem alcançar cifras altas e a
valorização mínima é avaliada
em 8% ao ano. “Na Europa, os consultores recomendam
que todo investidor destine pelo menos 15% da renda para aplicações
em artes e antigüidades, como forma de diversificar o
portfólio”, diz Louro. Antes de se aventurar
no filão, porém, saiba que este é um
nicho de risco, vulnerável à mudança
das tendências de consumo.
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| CADEIRA DE D. JOSÉ
Exemplar do mobiliário brasileiro do século
XVIII entalhado à mão em madeira jacarandá.
R$ 12 mil |
Aos interessados em ingressar na seara, a primeira recomendação
é que as melhores peças e preços precisam
ser garimpados. Uma oportunidade de conhecer vendedores e
parte do acervo disponível no País está
sendo oferecida pelo Círculo de Antiquários
de São Paulo, que organiza desde sexta-feira 5 até
quarta-feira 10 sua primeira mostra. Aberto ao público,
o evento reúne 26 antiquários em um showroom
de mil metros quadrados. Ali, os investidores podem encontrar
peças exclusivas e preços especiais. O valor
de uma obra depende de diversos fatores, como data de criação,
região de procedência, estilo e fase do autor,
originalidade e raridade. Reconhecer todos os itens exige
amplo e profundo conhecimento, mas há dicas. Segundo
Louro, também presidente do Círculo, são
exatamente os sinais do tempo os responsáveis pelas
provas inequívocas de qualidade da obra. “Procure
evidências do desgaste natural do objeto, isso ajuda
a identificá-lo”, ensina.
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| PRATA BRASILEIRA
Centro de mesa do século XVIII ornamentado com
cristais (Portugal). R$ 75 mil |
Um aspecto crucial: a falsificação é
comum nesse tipo de negócio. Preocupe-se, portanto,
em pedir nota fiscal e perícia do Patrimônio
Histórico, Artístico e Cultural, o Iphan, em
objetos especiais como peças de arte sacra que podem
ter sido surrupiadas de igrejas. Detectar fraudes, em geral,
é tarefa para especialistas, mas os leigos podem ajudar
o trabalho do perito ao conferir a assinatura do artista numa
tela ou o selo de fundição numa escultura antes
de fechar negócio.
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| PORCELANA SÈVRES
Centro de mesa com assinatura da grife francesa
dos séculos XVIII e XIX. R$ 21 mil |
Os antiquários ensinam que a melhor estratégia
para diminuir os riscos é a mais simples: compre somente
aquilo que lhe agrada pessoalmente. Adquirir um objeto apenas
pelo lucro pode levar à frustração. “Antigüidade
é um investimento de longo prazo, não é
indicado para quem pretende especular”, diz Louro. Quem
está começando uma coleção, deve
dar preferência aos artigos de primeira linha, que,
embora mais caros, têm valorização garantida.
Cuidado com modismos, mas preste atenção a estilos
que estão em alta. Não se esqueça de
incluir na conta os gastos com seguro e manutenção
do objeto. “Acima de tudo, não se esqueça
de que toda arte é para ser apreciada”, acrescenta
o antiquário. Os lucros financeiros são bônus
bem-vindos. 
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