| Frederic Jean |
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| CHRISTIANSEN:
Mostra de sete barcos em pleno Jockey Club de São
Paulo |
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Mestre dos mares
O paulista Marcio Christiansen,
é o único homem do mundo autorizado a produzir
os fabulosos iates Ferretti fora da Itália

Por Christian
Carvalho Cruz
Ousar ou navegar? Pergunte ao empresário paulista
Marcio Christiansen qual desses verbos ele mais gosta de conjugar.
“Essa é impossível responder. Seria como
ter preferência por um dos filhos”, ele dirá.
Foi assim, conjugando ousar e navegar em todos os tempos e
modos, que esse discreto publicitário se tornou um
dos homens fortes da indústria náutica brasileira.
Christiansen (o sobrenome vem do bisavô dinamarquês,
mascate que vendia meias de seda no Recife) é o único
terráqueo autorizado a produzir os superbarcos Spirit
Ferretti fora da Itália. Os iates da Ferretti são
as Ferrari do mar – em estilo, luxo e preço.
Como ele conseguiu? Eu ouso, tu ousas...
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SUÍTE PRESIDENCIAL:
O modelo
top de linha tem quatro dessas |
Então corretor e restaurador de barcos usados, em
1989 Christiansen foi a Gênova visitar a maior feira
mundial do setor. Encantou-se com o estande da Ferretti e
quis comprar um molde velho da marca para tentar fabricar
um casco no Brasil. Ouviu “não” por três
anos seguidos. “No quarto, eles disseram sim para se
livrar de mim”, lembra. “Fiz o barco em 22 dias
e chamei o Norberto Ferretti, dono da companhia. Antes de
pisar no convés ele perguntou se eu queria ser sócio
dele em uma fábrica no Brasil.” Hoje, Christiansen
produz 30 iates por ano (só por encomenda), entre 43
e 74 pés. Os preços ele não diz de jeito
nenhum. “É um compromisso que mantenho com os
clientes.” Mas não erraria por muito quem arriscasse
entre US$ 400 mil e US$ 2,5 milhões, dependendo do
tamanho, para um Ferretti zero quilômetro.
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SALA DE ESTAR:
Espaço de
apartamento de 250 m2 |
A ousadia maior do empresário, no entanto, está
no seu modelo de negócio. Desde o início ele
começou a tropicalizar os barcos feitos no Brasil –
sob o risco de ser chamado de herege, porque em Ferrari não
se mexe, certo? Mas funcionou. Área externa 10% maior
(os navegantes nacionais ficam mais fora do que dentro das
embarcações), churrasqueira no flybridge
(o “capô” do barco), mais cabines para a
tripulação e decoração ao gosto
do freguês ajudaram a aumentar o volume de vendas. E
então Christiansen pôde pescar o seu grande Marlim
azul: deixou de fabricar para só administrar a produção
dos Ferretti. Hoje, ele faz apenas o meio-de-campo entre o
comprador e os fornecedores, cobrando uma taxa de 15% do valor
de cada iate. Funciona assim: Christiansen recebe o dinheiro
do cliente e terceiriza tudo, da fabricação
dos móveis que vão a bordo à matéria-prima
do casco vinda da Itália. “Só os moldes
são meus. Tenho oito, pelos quais pago royalties à
Ferretti italiana”, explica. O comprador arca até
com o aluguel do galpão onde os barcos são construídos,
no interior paulista.
Se é um bom negócio? Na última sexta-feira
Christiansen abriu uma seleta mostra de seus iates no Jockey
Club de São Paulo. Num deque artificial de 5 mil m2
construído em frente às tribunas de honra, atracou
sete Ferretti. O destaque era um de 74 pés com quatro
suítes, salas de jantar e de estar e sete TVs de plasma
a bordo. “É como um apartamento de 250 m2”,
orgulhava-se a decoradora Tânia Ortega, que assinou
o projeto. O brinquedinho já estava vendido. 
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