| Fotos: Frederic
Jean |
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| O IMPERADOR DO SEXO
Complexo de R$ 50 milhões terá
casa noturna, hotel, restaurantes e arena de shows e lutas |
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Oscar Maroni, muito prazer
Quem é o empresário
que constrói uma Disneylândia erótica
em São Paulo

Por Christian
Carvalho Cruz
Jeans surrado, camiseta preta justinha, sapatos de camurça
sem meia, piercing na orelha esquerda, cara de mau. O empresário
Oscar Maroni Filho caminha rápido pelo meio-fio e vai
apontando, sem pudor: “Este Jaguar é meu, esta
Mercedes é minha, aquela Harley Davidson também,
os dois apartamentos do último andar daquele prédio
são meus, este terreno é meu, esta casa também,
aquela outra, mais aquela...”. Maroni já tem
70% de um quarteirão inteiro no bairro de Moema, perto
do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Quando conseguir
os 30% restantes, mandará sozinho em uma área
de 10.000 m2 numa das regiões mais valorizadas da cidade.
Ali, o impe-
rador do prazer está erguendo sua Las Vegas particular
de R$ 50 milhões, com direito a casa noturna, hotel
cinco estrelas, restaurantes, arena para lutas, shows e apostas.
“Não sou o único, mas sou o mais bem-sucedido
empresário do erotismo no Brasil”, diz, ao parar
na praça onde pretende instalar um chafariz de águas
dançantes, no estilo dos cassinos americanos. “Morri
de inveja do Abílio Diniz quando ele fez aquela fonte
no Lago do Ibirapuera. Vou fazer uma igual aqui, mas em miniatura”,
conta, indicando o espaço com árvores que ele
mandou podar em forma de coração.
Os negócios de Maroni, que lhe rendem R$ 30 milhões
ao ano, giram em torno do Bahamas, o clube privê mais
badalado do País. Misto de boate, motel, restaurante
e sauna por onde circulam garotas seminuas (em busca de trabalho,
por assim dizer), a casa recebe 400 pessoas por dia. Pessoas
de bolso pesado, que fique claro: executivos, políticos,
artistas, empresários. Afinal, os custos operacionais
da diversão são altos. Homens pagam R$ 97 para
entrar. Mulheres, R$ 15. Meia cerveja custa R$ 15. Uma dose
de uísque, R$ 200. E sessenta minutos do tempo das
moças, que cursam faculdade de manhã e chegam
em carrões importados, variam de R$ 300 a R$ 600. Algumas
delas dão mais liquidez ao negócio tirando a
roupa diante de computadores ligados à internet e instalados
perto de um laguinho com carpas vermelhas. No segundo andar,
ficam 23 suítes que só não têm
espelho no colchão e no vaso sanitário. Valem
R$ 69 a hora. O que se pratica ali é sexo pago, ponto.
Mas o proprietário gosta de se referir ao seu empreendimento
como “o maior centro de terapia empresarial da América
Latina”.
| Fotos: Frederic
Jean |
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| 20 MILHÕES
é o investimento que ele está fazendo num
hotel 5 estrelas (à dir.) de 223 apartamentos |
Não é para menos. O grosso da freguesia é
de executivos em viagem de negócios. “Contratos
são fechados aqui toda semana”, diz Maroni, num
escritório decorado com carrinhos de brinquedo, bichos
de pelúcia, CDs do Andrea Bocelli e o livro de Jack
Welsh. Uma vez, o dono de uma grande empreiteira chegou com
dois cidadãos do Oriente Médio. O grupo vinha
dos EUA, depois de assistir ao vivo a uma luta de Mike Tyson.
O empreiteiro, que estacionou seu jatinho em Congonhas, pleiteava
a construção de uma estrada no país de
seus convidados. O Bahamas ajudou nas tratativas: ele investiu
US$ 6 mil e ofereceu aos futuros clientes a companhia das
garotas mais caras da noite (duas para cada um). Levou o contrato.
Já para políticos e figuras públicas
há uma logística discreta. Eles têm entrada
privativa à disposição e seguem direto
a uma sala vip anexa ao escritório de Maroni, no segundo
andar. De lá, escondidos atrás de um vidro espelhado,
escolhem as garotas e mandam o garçom ir buscá-las.
A estratégia também é usada por pilotos
de Fórmula-1.
Maroni fatura R$ 1 milhão por mês com o Bahamas.
E diz que vai fazer esse volume crescer em mais R$ 1 milhão
quando inaugurar a segunda empresa de seu complexo do prazer
– o Oscar’s Hotel. O cinco estrelas de R$ 20 milhões
e diárias de US$ 350 terá 223 apartamentos,
três restaurantes, academia de ginástica e um
centro de leilões de bois. A idéia é
inaugurá-lo em dezembro, mas as obras estão
atrasadas. “Será um hotel executivo/familiar.
Não tem nada a ver com o Bahamas”, frisa Maroni.
A não ser por uma passagem subterrânea que liga
os dois imóveis e já foi carinhosamente batizada
de “Faixa de Gaza”.
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