| Fotografado
para DINHEIRO por DANIEL WAINSTEIN |
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| AÇÃO NA
SELVA Pelotões se preparam para executar
a Operação Timbó |
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O Brasil que o Brasil perdeu
Na Amazônia brasileira,
as fronteiras
estão indefinidas. Índios recusam-se
a se considerar brasileiros, ONG’s mundiais atuam livremente
e o fantasma da internacionalização leva as
forças
armadas a realizar manobras de
defesa. O País vai perder território?

Por MARCO
DAMIANI, de Boa Vista (RO)
As fronteiras brasileiras estão sendo redefinidas,
para menos. Na Amazônia, numa faixa de mais de 5 mil
quilômetros que separa o Brasil de sete países
vizinhos já não é possível circular
livremente, nem mesmo por rodovias federais. Para passar pelas
cancelas instaladas nas estradas, só com a anuência
dos índios, donos, por decreto, de uma área
equivalente a duas vezes o território de Portugal.
Os índios dizem que aquilo não é mais
terra de brasileiros e muitos se recusam até a se definirem
como brasileiros. Mesmo aviões de carreira são
impedidos de usar rotas por ali – é como se o
espaço aéreo da região não fosse
nacional. As aeronaves são obrigadas a desviar, aumentando
custos de vôos e desconforto para passageiros. Cidadãos
brasileiros não podem exercer na região –
riquíssima em recursos naturais – qualquer atividade
econômica. Despovoadas, essas terras ditas brasileiras
hoje se confundem com parques nacionais criados na Venezuela
e na Guiana, formando uma zona inter-
nacional sujeita a qualquer tipo de ingerência externa.
Do lado brasileiro, multiplicam-se as queixas de que apenas
estrangeiros têm acesso facilitado às reservas.
O índice de invasão dos céus da região
por aviões suspeitos de contrabando e narcotráfico
aumentou 20% desde o início do ano. Na selva, garimpeiros
e guerrilheiros das Farc colombianas trilham caminhos dos
dois lados da floresta. Ali, onde as áreas indígenas
somam mais de 60 milhões de hectares, o Brasil está
perdendo o Brasil.
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| ALERTA TOTAL
Soldados têm ordens de atirar ao sinal de presença
inimiga |
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“Estamos atentos a esse conjunto de problemas”,
reconheceu à DINHEIRO o general Paulo Studart, comandante
das tropas brasileiras situadas em Roraima. Com franqueza
e cautela, ele admite: “Detectamos um ambiente internacional
que pode nos levar, a médio prazo, a uma situação
de defesa territorial efetiva”. Nas próximas
semanas, Exército, Marinha e Aeronáutica desencadeiam
a edição 2004 da Operação Timbó,
que irá mobilizar cerca de 22 mil soldados. “Vamos
esquadrinhar toda a nossa fronteira”, assegura o general
Studart. Nos exercícios preliminares à operação,
DINHEIRO acompanhou um pelotão do Exército em
sua exaustiva ação militar. Rostos pintados
com tinta verde escura, uniformes ca-
muflados e levando sobre o corpo mais de 20 quilos de equipamentos,
nossos sol-
dados, vindos de todas as regiões do País, enfrentam
os rigores da selva sob ordens rígidas. Ao encontro
do inimigo, tenta-se uma primeira palavra de diálogo.
Em sinal negativo, abre-se fogo. Pela faixa fronteiriça,
patrulhas costumam sair em missões com volta programada
ao quartel apenas depois de 48 horas de buscas. “Eles
sabem a hora de sair, não a de voltar”, afirma
o major brasileiro Marcos José Viana.
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| NAS MANOBRAS
Pelotões têm autonomia de dois dias de sobrevivência
na selva |
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Na Amazônia, há uma suspeita generalizada de
que dentro das áreas indígenas uma dezena de
organizações estrangeiras opera ações
de domínio territorial e cultural dos índios
– e, portanto, de um rico pedaço do Brasil. No
final do ano passado, na sede do Comando Militar da Amazônia,
em Manaus, uma reunião chamada Operação
Porteira Fechada mobilizou representantes das forças
de segurança da região. “Com gráficos
e slides, os militares mostraram que as áreas indígenas
coincidem com jazidas de diamante e nascentes de água
potável”, lembra o secretário de Segurança
de Roraima, Francisco Sá Cavalcante. Nessa zona cinzenta
que é Brasil mas tem ocupação exclusiva
de índios amparados por ONGs estrangeiras há,
segundo os mapas militares, reservas de cassiterita, urânio,
nióbio e molibdênio, esses últimos metais
utilizados pela indústria aeroespacial.
“Há uma partida geopolítica poderosa
sendo jogada neste momento na Amazônia”, diz o
ex-ministro do Exército Leônidas Pires Gonçalves.
Seguidos informes a Brasília emitidos por chefes militares
brasileiros da região amazônica levaram o Ministério
da Defesa a não aplicar, ali, o regime de contenção
de despesas e de pessoal em curso no resto do País.
“Existem ameaças sérias sobre o território
brasileiro”, afirma o ministro da Coordenação
Política, Aldo Rebelo. “A Amazônia é
nossa prioridade de defesa.” Até o final do ano,
o Exército planeja instalar, de maneira permanente,
mais três mil homens. Hoje com quatro bases aéreas
na região, a Aeronáutica está construindo
mais duas e tem projeto para outras três. A de Boa Vista,
chefiada pelo tenente aviador Alexandre de Assis, foi ampliada.
Ele lembra que o sistema de radares do Sivam tem-se mostrado
eficiente no monitoramento dos céus da Amazônia,
mas faltam instrumentos legais aos nossos pilotos para interceptar
aparelhos desconhecidos ou hostis. “Semanalmente há
eventos de invasão sobre nosso espaço aéreo”,
diz o comandante Assis. Está no gabinete do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva a chamada Lei do Abate, que
irá permitir que forças brasileiras ataquem
aviões inimigos no espaço aéreo nacional.
Os Estados Unidos pressionam para que a legislação,
aprovada pelo Congresso, não seja sancionada.
Nada menos que 46% da área do Estado de Roraima,
neste momento, não pode ser ocupada economicamente
em razão de reservas indígenas já demarcadas.
Ali dentro, ao contrário do que se estuda nas escolas,
em que tudo ainda é Brasil, para dezenas de organizações
estrangeiras o que existe é, sim, a Nação
Ianomami, com seus 9,7 milhões de hectares na fronteira
com a Venezuela. Nesta imensa área virgem vivem 11
mil ianomamis. “Eu achava tudo isso paranóia,
mas hoje acredito que é possível uma reserva
indígena declarar independência do Brasil e obter
reconhecimento imediato dos Estados Unidos”, alerta
o ex-ministro Delfim Netto. Dias atrás, Delfim publicou
artigo em que arrolou declarações de líderes
estrangeiros sobre a desnacionalização da Amazônia.
“Diferentemente do que pensam os brasileiros, a Amazônia
não é deles, mas de todos nós”,
disse o então futuro vice-presidente americano Al Gore,
em 1989. No mesmo ano, o francês François Mitterrand
ecoava: “O Brasil tem de aceitar uma soberania relativa
sobre a Amazônia”.
O fantasma de internacionalização da Amazônia
tem uma espinha dorsal bastante sólida. Áreas
exclusivas para índios já formam um corredor
que nasce na Guiana e se estende até a apenas 120 quilômetros
de Manaus. Espera-se para os próximos dias uma decisão
do Supremo Tribunal Federal que poderá conceder mais
1,7 milhão de hectares aos índios em Roraima.
Veteranos da região estão alarmados. “Os
europeus chegaram ao coração da Amazônia”,
sublinha o major da reserva Arnulf Bantel, piloto da Aeronáutica
com larga experiência na fronteira. Por todas estas
razões, a intenção das Forças
Armadas é blindar a Amazônia, missão em
tudo estratégica diante dos ataques aos contornos históricos
do Brasil. 
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