Foto:Ana Paula Paiva
TOMIYA E ELIZABETH,
DA INTERBRAND

Predominância dos bancos na lista reflete modelo econômico do País
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Marcas que valem ouro

Levantamento DINHEIRO/Interbrand revela que, no ano em que a economia patinou, o valor das marcas líderes brasileiras cresceu US$ 1 bilhão

Por Joaquim Castanheira

Bolacha. É assim que os funcionários do Itaú referem-se carinhosamente à logomarca do banco – um quadrado azul de bordas arredondadas com o nome da instituição em amarelo no centro. Criado há 35 anos pelo publicitário catalão Francesc Petit, o P da DPZ, o “confeito” transformou-se ao longo desse tempo em um dos mais valiosos ativos da organização controlada pelas famílias Setubal e Vilella. Recém-saído do forno da Interbrand, uma das mais conceituadas consultorias em gestão de marcas do mundo, e publicado com exclusividade por DINHEIRO, o ranking das mais valiosas marcas brasileiras aponta o Itaú como campeão absoluto: sua assinatura vale US$ 1,2 bilhão, 10% mais do que o resultado do ano passado, quando também ocupou o primeiro lugar na lista. Em apenas um ano, US$ 111 milhões foram agregados ao valor do nome Itaú. A distância para o segundo colocado, o eterno adversário Bradesco, aumentou para US$ 376 milhões. “Esse resultado é reflexo da consistência e continuidade dos resultados apresentados pelo banco”, afirma Antônio Matias, vice-presidente de marketing do Itaú.

Num primeiro momento, o estudo DINHEIRO/Interbrand mostra que uma marca de prestígio pode alavancar os negócios em um mercado retraído. Enquanto a economia brasileira andava de lado em 2003, o valor das doze marcas líderes crescia US$ 1 bilhão e atingia US$ 5,3 bilhões. “A marca é um escudo contra crises”, analisa Eduardo Tomiya, diretor de avaliação da Interbrand. Uma visão mais apurada do ranking revela o figurino econômico que veste o Brasil de hoje. Em um país marcado por escassez de crédito, rentabilidade anêmica e taxas de juros indecentes, o rigor na gestão financeira pode fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso de um negócio. Por esse motivo, das 12 marcas, nove pertencem a empresas com “forte cultura financeira”, nas palavras de Tomiya. Além dos bancos, três marcas da Ambev (Brahma, Skol e Antarctica) fazem parte desse clube. O berço dos controladores da cervejaria, Jorge Paulo Lemman, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, foi o mercado financeiro. Desde que adquiriram a Brahma em 1989, eles imprimiram à administração da companhia uma preocupação quase paranóica em relação aos custos. Nesse grupo, também poderia estar incluída a Embraer, cujo controle está
nas mãos do ex-banqueiro Júlio Bozzano.

Isso ajuda a explicar o desempenho da empresa neste ano. O valor de sua marca caiu 18% comparado ao de 2003 – único caso de queda do ranking atual. Da oitava posição, a Embraer foi parar em 11º. Fracasso? “Não. Nossa posição é relevante”, afirma Horácio Forjaz, vice-presidente de comunicação empresarial. A Embraer
atua num mercado mergulhado na pior crise de sua história, inaugurada com os atentados de 11 de setembro de 2001. Mesmo assim, manteve o balanço no azul. Em 2003, o lucro líquido foi de R$ 588 milhões. No mesmo período, sua arqui-rival, a canadense Bombadier, ficou no vermelho. A Embraer também fechou negócios que reforçaram a imagem de empresa global e tecnológica. Em 2003, montou o primeiro avião fora de território brasileiro, um ERJ 145, na fábrica de Harbin, na China. Outro marco foram os contratos para a venda de 185 aeronaves para a US Airways, sexta companhia aérea nos EUA, e a Jet Blue, estrela na oferta de vôos de tarifa baixa. Mais: vendeu 45 jatos 190 para a Air Canadian, principal companhia aérea do Canadá, casa da Bombardier. “Reforçamos nossa marca como representante do
País na economia globalizada”, diz Forjaz.

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