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ESTILO
DINHEIRO |
Quarta-feira, 12 de maio
de 2004 |
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| O
NOVO AROMA DA MENENDEZ |
A fabricante baiana de charutos lança cigarrilha premium
de olho em um mercado de 1,5 milhão de unidades por mês |
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Leia
também
• O tabaco e
o poder
Carlos
Sambrana
Existe
um charuto para cada ocasião e uma ocasião para cada
charuto.” A frase de Zino Davidoff (1912-1994), um dos mestres
do tabaco, define a essência do apreciador de um bom fumo.
Sempre haverá o momento ideal para degustar determinado charuto
ou uma cigarrilha. A regra é seguida à risca pelos
epicuristas e pela indústria tabaqueira. Na semana passada,
a fabricante baiana Menendez & Amerino provou que também
está atenta ao legado de Davidoff. Lançou a cigarrilha
Dona Flor, a terceira da marca detentora das linhas Gabriela e St.James.
“Trata-se de um produto super premium”, diz Felix Menendez,
diretor industrial da empresa. “As folhas foram selecionadas
a dedo”, diz ele. Para chegar no produto final, a Menendez
levou um ano e investiu US$ 300 mil no desenvolvimento.
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TRADIÇÃO
Arturo Toraño (à esq.) e Felix Menendez
escolhem e mesclam as folhas de tabaco a dedo |
Os
entendidos aplaudem a iniciativa da fabricante baiana. Trata-se
da primeira cigarrilha brasileira a ser embalada em uma caixa de
alumínio. “Tem tudo para ser um grande sucesso”,
diz Cesar Adames, consultor na área de tabaco. O design do
rótulo e a embalagem são cruciais no setor. Como as
cigarrilhas são aromáticas, a caixa de alumínio
ajuda a manter o sabor. “A madeira e o papelão absorvem
o aroma”, diz Adames. Além disso, é mais fácil
para o consumidor carregá-la nos bolsos. O principal objetivo
da Menendez é ganhar terreno em um mercado estimado em 1,5
milhão de unidades por mês no Brasil. Deste total,
ela já responde por 500 mil unidades mensais e pretende crescer
10% ao ano. Basta ver a trajetória da marca para perceber
que esta não é uma tarefa difícil.
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TRABALHO
ARTESANAL: Mais
de 300 pessoas,
em sua maioria
mulheres, fazem
a mão os charutos
e as cigarrilhas |
A Menendes
& Amerino ganhou status internacional como poucas marcas de
charuto conseguiram. Atualmente, ela produz 3 milhões de
unidades de charutos por ano e 25% são exportados para países
como Estados Unidos, Portugal, Alemanha e Suíça. O
que fez da empresa sinônimo de boa qualidade em tabaco foi,
principalmente, a experiência de Arturo Toraño, o homem
que faz a mescla das folhas, e Felix Menendez. Os dois cubanos fazem
parte de uma linhagem de exímios produtores de charutos (leia
quadro abaixo). O pai de Felix, Alonso Menendez, era um dos principais
fabricantes de Cuba. Porém, quando a revolução
estourou e Fidel Castro assumiu o poder, a família teve de
deixar a Ilha fugida. “Fomos para a Espanha e depois viemos
para o Brasil”, diz Menendez. Trouxeram toda a tradição
e fundaram a companhia em 1977.
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DO
BRASIL PARA O MUNDO
Dos 3 milhões de charutos
fabricados, 25% são exportados
para EUA e Europa |
Hoje,
a marca produz três tipos de charutos: o Dona Flor, com sabor
mais forte, Alonso Menendez, com gosto médio, e Aquarius,
o mais leve de todos. “Toda produção é
artesanal”, diz István Wessel, conhecido apreciador
de charutos. “Eles sabem, como poucos, fabricar um bom tabaco”,
diz Wessel. 
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DONA
FLOR: Cigarrilha é a única produzida
no País a ser embalada em uma caixa de alumínio |
| O
TABACO E O PODER |
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Dois
dos maiores estadistas da história têm uma relação
intrínseca com a família Menendez. O ex-primeiro-ministro
britânico Winston Churchill (1874-1965), foto abaixo,
e o ex-presidente americano John Kennedy (1917-1963) eram apreciadores
dos charutos H.Upmann. A marca e outras lendas do tabaco como
o renomado Montecristo pertenciam a Menendez, Garcia & Cia,
cujo dono era Alonso Menendez, pai de Felix Menendez. Quando
a revolução cubana estourou, a família
foi obrigada a deixar a Ilha e toda a sua fortuna foi apropriada
pelo governo do comandante Fidel Castro. |
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