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NEGÓCIOS |
Quarta-feira, 05 de maio
de 2004 |
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| O
MAIOR NAVIO DO MUNDO, E É BRASILEIRO |
Projeto de US$ 120 milhões da Vale vai criar embarcação
de
540 mil toneladas, sem rivais no transporte de cargas sólidas |
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Alexandre
Teixeira
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MÃO-DE-OBRA
Construção do supernavio deve
gerar cerca de 3 mil empregos |
Carajás,
a província mineral da Vale do Rio Doce no Pará, é
uma terra de gigantes. Ali, a ordem de grandeza é ditada
pela floresta amazônica e pela maior mina de minério
de ferro a céu aberto do mundo. Por isso, tudo na Vale é
superlativo. E superlativo será o navio que a gigante do
ferro decidiu construir para levar minério até a China.
Planejada para ser a maior do mundo em transporte de cargas sólidas,
a embarcação de 540 mil toneladas deverá consumir
investimentos estimados pelo mercado
em US$ 120 milhões e exigir a contratação de
cerca de 3 mil trabalhadores pelo estaleiro encarregado de sua construção
– além
de outros 15 mil pelos fornecedores de componentes, equipamen-
tos de bordo e aço. O próprio gigantismo da obra coloca
os megaestaleiros asiáticos em vantagem na concorrência
mundial
que deve se criar em torno deste contrato. Suas estruturas com capacidade
para construir navios de até 1 milhão de toneladas
podem fazer a diferença. Mas, a julgar pelo entusiasmo de
Ariovaldo Rocha, presidente do Sindicato da Indústria da
Construção Naval, o Brasil tem condições
de entrar na disputa.
“Seria
a volta do País à construção de supernavios,
como nos anos 70”, contextualiza Rocha. As chances de participação
nacional no projeto dependem fundamentalmente das especificações
do supernavio. Forma, dimensões, calado, equipamentos embarcados
e estrutura de movimentação de carga, tudo isso será
determinado pela Projemar, empresa de engenharia especializada em
projetos marítimos contratada pela Vale. Mas sabe-se desde
já que, se há um estaleiro no Brasil capaz de dar
conta da empreitada, ele provavelmente será o Sermetal, do
empresário Nelson Tanure. Ocupando as instalações
do antigo Ishibrás – um dos maiores do mundo na década
de 70, com capacidade de produção de até dez
petroleiros por ano –, ele é o único estaleiro
nacional equipado com dique seco, necessário para a construção
de petroleiros de maior porte.
A
bandeira desde já acenada pelos empresários brasileiros,
em busca de apoio da própria Vale e do governo para manter
esta obra no País, é a do emprego. “Construção
naval é uma obra artesanal. Nem o mais moderno dos estaleiros
pode prescindir de mão-de-obra intensiva”, observa
Ronaldo Perylles dos Santos, um dos donos do estaleiro Eisa. E a
Vale, se sensibiliza? Não se sabe. A mineradora por enquanto
não dá nenhuma pista sobre quando, onde e por quem
será construído seu supernavio. Certa mesmo, só
a disposição de botar o gigante na água. Com
a China transformada na maior compradora de minério da Vale,
navegar tornou-se preciso.

| COMPARE
COM OUTROS GIGANTES |
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JAHRE
VIKING
Comprimento: 458 metros
Peso: 565 mil toneladas
Navio norueguês é maior do mundo em cargas líquidas.
O brasileiro é para cargas sólidas |
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BARÃO
DE MAUÁ
Comprimento: 337 metros
Peso: 280 mil toneladas
Maior navio brasileiro pertence à Petrobras e será
transformado em plataforma de petróleo |
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QUEEN
MARY II
Comprimento:
345 metros
Peso: 150 mil toneladas
Transatlântico
anglo-americano é o maior já construído
para passageiros |
| MONSTRO
SOB RODAS |
O
cargueiro marítimo que fará a
rota Brasil-China vai assumir o posto de estrela da coleção
de supermáquinas da Vale. Perto dele, até os supercaminhões
Caterpillar 793C usados pela companhia vão parecer acanhados.
Mas eles são enormes. Têm 6,43 metros de altura
por 12,87 metros de comprimento e levam até 280 toneladas
de carga cada um. Para chegar ao volante, o motorista (que,
de pé, mal passa da metade da altura dos pneus) tem de
subir dois lances de escada. Uma vez lá em cima, a cinco
metros do chão, todo cuidado é pouco. Carros de
passeio são pequenos demais para serem vistos. Com motor
V16 de 2.166 cavalos, o 793C consome cem litros de diesel por
hora. Cada monstrengo desses custa US$ 1,8 milhão. E
a Vale tem 60 deles em operação. |
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