| O
PAI DA INTERNET |
O
físico que criou a internet em cores rompe silêncio
para reagir à cobrança de royalties na rede |
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também
• "Dinheiro
não faz falta", diz o físico
Taís
Lobo
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BERNERS-LEE
Há quem
o compare a Albert Einstein,
mas ele rejeita o rótulo |
Poucas
vezes nos seus 49 anos, o britânico Tim Berners-Lee perdeu
a fleuma característica dos habitantes do seu país.
Sagrado Cavaleiro do Império em janeiro deste ano, o físico
se envolveu em uma briga com a Universidade da Califórnia,
a companhia Eolas Technologies e o escritório de patentes
dos Estados Unidos, o Uspto. A sua irritação começou
quando colegas da universidade e os executivos da empresa entraram
anos atrás com pedidos de patentes sobre partes da internet.
Sir Berners-Lee ficou ultrajado. Afinal, há 15 anos quando
deu um rosto gráfico e cores à rede e cunhou a expressão
web, ele mesmo abriu mão de todos os direitos autorais sobre
a inovação para vê-la ganhar o mundo. Irritado,
ele enviou no final do ano passado uma carta ao Uspto considerando
descabidos e infames tais pedidos. Foi o último round da
disputa. Na primeira semana de março, as autoridades americanas
anunciaram a sua decisão. Berners-Lee estava com a razão.
Ninguém pode exigir royalties sobre a internet e a patente
concedida à universidade e à Eolas foi cancelada.
Algo raro de acontecer. Dos 2 milhões de patentes aprovadas
nos Estados Unidos desde 1981 apenas 136 foram suspensas. “Quando
alguém se diz dono da internet é preciso se pronunciar
ao contrário”, afirmou à DINHEIRO Berners-Lee.
Nada melhor que a queixa do pai da invenção.
Até
Berners-Lee, a rede era monocromática e sem qualquer glamour.
Basicamente servia para a troca de e-mails e pesquisa acadêmica.
Foi o cientista que abriu esse novo mundo e proporcionou o surgimento
de uma indústria que movimenta bilhões de dólares
por ano. Graças a ele, uma geração de empreendedores
saiu das salas de aula de universidades direto para suas empresas.
Rostos ficaram conhecidos internacionalmente. Foi o caso do americano
Marc Andersen, criador do Mosaic, o primeiro navegador de internet
para as páginas construídas de acordo com as diretrizes
de Berners-Lee. Em seguida, Andersen ganhou milhões de dólares
ao abrir o capital da sua empresa, na época já rebatizada
de Netscape.
Atualmente,
Berners-Lee dirige a W3 Consortium, entidade que regulamenta os
padrões que regem as inovações relacionadas
à internet. Espécie de ONU do mundo da tecnologia,
a W3C atua para ampliar o acesso à rede independentemente
da tecnologia, do idioma, do aparelho ou das limitações
físicas de usuários. Menina dos olhos do físico
é a proposta de criar um guia para o desenvolvimento da web
unindo todos os aspectos legais, comerciais e sociais que devem
ser levados com a tecnologia. Graças a sua trajetória
há quem compare Berners-Lee a Albert Einstein, o pai da Teoria
da Relatividade. O pai da internet rejeita tal rótulo. “Somos
pessoas diferentes. Ele descobriu uma possibilidade matemática
que revolucionou o mundo”, reconhece com modéstia o
cientista. Einstein tecnológico ou não, Berners-Lee
também é o responsável por uma revolução.
A rede é fenômeno planetário e pode ser considerada
a melhor tradução do conceito de globalização.
Há mais de 600 milhões de usuários em todo
o mundo, 45 milhões de endereços registrados e 6 bilhões
de páginas. Algo que não pode ser considerado relativo.

“DINHEIRO
NÃO FAZ FALTA”
Físico diz que acertou ao não
cobrar pela criação |
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GLOBALIZAÇÃO:
Antes de Berners-Lee a
rede era monocromática
e sem qualquer glamour |
DINHEIRO
–
O sr. lamenta nunca ter recebido royalties pela sua invenção?
Berners-Lee – Às vezes penso
como seria bom ter bastante dinheiro porque saberia como usá-lo
em outras pesquisas. Por outro lado, se insistisse em cobrar
direitos autorais, a rede jamais teria alcançado o êxito
atual. Então, nesse caso dinheiro não faz falta.
Há
a possibilidade de algum dia uma empresa dominar a internet?
É um movimento natural das grandes
empresas, mas em mercados saudáveis essa intenção
fica mais difícil. O fator de atenção
deve ser quando uma empresa dominar todas as áreas.
Seja controlando a venda do hardware, ou do sistema operacional,
o acesso à internet, a venda de produtos e os sistemas
de busca.
Em
qual direção caminha a rede?
De certa maneira para dentro do celular. Em
outras áreas ainda há muito a ser feito e pesquisado,
mas as potencialidades existem para serem exploradas. Também
aposto bastante nos sistemas colaborativos, como os blogs
(diários on-line), nos programas multimídia
e na tecnologia de comando de voz na rede.
O sr. é considerado o Einstein da tecnologia. Como
vê essa comparação?
Não gosto de me comparar a ninguém.
O Einstein e eu somos pessoas diferentes. Ele era um gênio
matemático que descobriu
uma possibilidade matemática que revolucionou o mundo
e ex-
plicou várias situações, que antes não
podiam ser compreendidas.
Já no meu caso, os conceitos de internet, hipertexto
e rede
mundial dos computadores já existiam. Eu só
fui responsável
por unir todas essas teorias.
O
princípio que o levou a criar a rede como conhecemos
hoje era para ser um ambiente para troca de informações
e experiências. A internet cumpriu a sua missão?
Mais do que nunca o conceito de trabalho colaborativo
é algo
que existe na prática. As pessoas procuram a internet
para se comunicar através de páginas de bate-papo,
blogs e outras ferramentas similares de interatividade.
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