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MISSÃO ÍNDIA |
Lula
leva 104 empresários à Ásia para desbravar
país de 1 bilhão de pessoas, que cresce 7% ao
ano |
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Leonardo
Attuch
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COOPERAÇÃO
Lula assinará um
acordo para dar
acesso facilitado
a 800 produtos |
O executivo
indiano Ragvinder Rekhi recebeu uma tarefa que, anos atrás,
parecia impossível. Ele teria que implantar a operação
do McDonald’s na Índia. Primeiro problema: lá,
a vaca é um animal sagrado e, portanto, não se come
carne bovina. Segundo problema: quase metade da população
é vegetariana. Porém, pouco tempo depois, Rekhi havia
instalado 50 restaurantes, servindo carne de carneiro, peixe e até
hambúrgueres à base de vegetais. “Meus chefes
do McDonald’s foram pela primeira vez à Índia
sem acreditar no potencial do mercado”, disse Rekhi à
DINHEIRO. “Voltaram lamentando não terem ido antes.”
Rekhi saiu do McDonald’s, instalou-se no Brasil, montou uma
consultoria e é um dos 104 empresários que acompanham
o presidente Lula na missão que chega à Índia
no domingo 25. Rekhi foi con-
vidado pelo chanceler Celso Amorim para aproximar empresas dos
dois países. “Nossas economias se complementam”,
avalia Amorim. “Eles têm o software; nós temos
a indústria de alimentos mais competitiva do mundo.”
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RAGVINDER
REKHI: Big Mac ao povo que venera a vaca |
A Índia,
porém, ainda é uma miragem. Muitos empresários
brasileiros olham para o país, dez horas distante no fuso
horário, com as lentes do preconceito e do estereótipo.
O povo tem uma cor diferente, usa turbante e reverencia a vaca.
Porém, grandes empresas globais já colocaram a Índia
no centro de suas estratégias. É lá que corporações
como General Electric e Microsoft pesquisam novos produtos –
a base indiana de cientistas tem 300 mil engenheiros com Ph.D. Retardatário,
só agora o Brasil tenta recuperar o tempo perdido. “Ainda
há enormes perspectivas de exportação nos setores
de calçados, móveis, cerâmica e pedras preciosas,
entre muitos outros”, garante Juan Quirós, presidente
da Apex, a agência brasileira de promoção de
exportações. Convidado para as comemorações
do Dia da República, na segunda-feira 26, Lula irá
assinar um acordo de acesso a mercados, que criará condições
especiais para a venda de 800 produtos. É o primeiro passo
para um bloco de livre comércio entre Mercosul e Índia.
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TAJ
MAHAL: Além de atrair turistas para os seus
palácios, a Índia tornou-se um dos maiores exportadores
de software do mundo |
A missão
empresarial também se insere na nova geopolítica do
Brasil, que tenta se aproximar de países emergentes –
e a Índia é um dos mais dinâmicos. Tem um PIB
de US$ 515 bilhões e cresce 7% ao ano. No
ano passado, as empresas brasileiras exportaram US$ 550 milhões
para lá e importaram US$ 500 milhões. Foi um volume
de comércio que triplicou nos últimos cinco anos.
Porém, as importações indianas com origem no
Brasil ainda representam menos de 1% do total. “É muito
pouco perto do que se pode atingir”, diz Roberto Nóbrega,
presidente da Câmara de Comércio Brasil-Índia.
Um dos negócios recentes foi fechado pela Embraer, que vendeu
cinco jatos executivos Legacy para o governo de Nova Déli.
A metalúrgica Dedini, de Piracicaba, em São Paulo,
assinou um contrato com a empresa indiana Uttam para transferir
tecnologia na produção de álcool. “Vamos
ajudá-los a instalar 30 destilarias”, comemora José
Francisco Davos, vice-presidente da empresa. “Assim como o
Brasil fez no passado, a Índia também planeja ter
o seu Proálcool”.
A
transferência de tecnologia também ocorre no sentido
inverso. Há quatro anos, o executivo Harittar Balakrishna,
da Torrent, multinacional farmacêutica com receitas de US$
1 bilhão, desembarcou no País. Trouxe na bagagem remédios
para tratamentos cardiovasculares e psiquiátricos. No ano
passado, sua empresa vendeu US$ 7 milhões no Brasil e deve
chegar a US$ 20 milhões em 2004. “Nós sabemos
produzir remédios para uma população de baixa
renda”, diz Balakrishna. “É disso que o Brasil
precisa.”
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