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NEGÓCIOS |
Quarta-feira, 26 de Novembro de
2003 |
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| O NOVO
ESTILO DO GALLERY |
A boate
que reinou em São Paulo nos anos 80 volta repaginada,
com restaurante e enoteca. Mas sem perder a finesse jamais |
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Christian
Carvalho Cruz
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BRIQUET,
O DONO: Reforma
de US$ 1 milhão e serviço grátis
de cabeleireiro nos banheiros |
The
Gallery, Gallery 21, Gallery Oggi. O nome tanto faz, porque o endereço
é o de sempre: Rua Haddock Lobo, 1.626 (SP), colado ao Fasano.
Há 25 anos ali funciona o night club mais folclórico
do Brasil. Depois de uma reforma de US$ 1 milhão e três
meses, o Gallery reabriu as portas na segunda-feira 17. Na festa
de reinauguração, madames chegavam de Ferrari, aspirantes
a celebridades corriam atrás dos fotógrafos, camarão,
champanhe à vontade... Nas picapes, muito Village People
e Gloria Gaynor, os reis da disco music. E nos banheiros, caixas
e caixas de Epocler. Os bons tempos estão de volta? Por “bons
tempos” entenda-se anos 80, quando a nata da sociedade batia
cartão na pista de dança. Do general Figueiredo ao
cartola Vicente Matheus, de Hebe Camargo a Vera Fischer, de Chiquinho
Scarpa a Nelson Ned. Mais Pelé, Ayrton Senna, Luiza Brunet,
Tim Maia... Todo mundo ia ao Gallery. A turma do Rio chegava às
sextas, e fazia o trajeto Congonhas–Jardins a bordo de uma
limusine preta que os fundadores José Victor Oliva, José
Pascowich e Ugo di Pace colocavam à disposição.
A ponte-aérea
da volta só partia na manhã seguinte, depois de um
animado
desjejum no Maksoud Plaza.
O
problema é que a casa andava caidona nos últimos tempos.
“A insegurança da cidade afugentou a clientela”,
diz o atual proprietário Arthur Briquet, que, por causa da
queda de movimento, chegou a acumular dívidas de R$ 200 mil.
Dos 500 figurões de outrora, não
mais que 200 figurantes apareciam toda noite. Metade do faturamento
estava vindo de eventos empresariais, casamentos, festas de debutantes,
bodas de ouro e afins. Até a derradeira luta
de Maguila contra Daniel Frank, o “Touro de Carapicuíba”,
foi lá. Verdadeiro fim de carreira. Nessa época menos
glamourosa, o Gallery sobrevivia do nome, de uma fama que se perdeu.
E antes que não
a encontre nunca mais, Briquet resolveu mudar tudo. Menos disco-
teca e mais restaurante, eis o Gallery de hoje – aliás,
Gallery Oggi,
o novo nome do lugar.
A
decoração impecável é de Bia Barros,
ex-senhora Carlos Jereissati (Telemar) e sócia de Briquet
na empreitada. Ela dividiu o espaço de 600 m2 em cinco ambientes:
piano bar, terraço, enoteca com Veuve Clicquots de R$ 3,5
mil a garrafa, restaurante com trufas italianas e escargots franceses
e pista de dança, agora bem reduzida. É dela também
a idéia de servir almoços: R$ 39 por cabeça,
no sistema de bufê. “Eu quis um preço bem acessível
para atrair o público feminino”, explica Bia, que também
colocou cabeleireiros e maquiadores de plantão nos banheiros.
“Sempre tem alguém que precisa de um retoque de última
hora”, afirma ela.
Nessa
nova fase, o Gallery deixa de ser um clube exclusivo para sócios.
Agora entra qualquer um – qualquer um com pelo menos R$ 90
para bancar um jantar (sem o vinho). “O sistema de sócios
fazia sentido quando não existia o cartão de crédito”,
conta Briquet. “Eles consumiam à vontade e no final
do mês nós mandávamos a fatura. Era mais cômodo
do que ficar preenchendo cheques.” Aos 45 anos, 15 à
frente do Gallery, namorado de Viviane Senna, Briquet odeia badalação.
Não fuma, não bebe, acorda cedo e faz ginástica
todos os dias. “Meu negócio é o dia”,
diz, embora já tenha sido dono de outros points famosos como
Resumo da Ópera e Banana Café. Mas nenhum com histórias
tão saborosas quanto o Gallery. Coisas como a tarde de sábado
em que Gugu Liberato comandou um leilão de peças íntimas
da atriz Matilde Mastrangi. “Foi todo mundo em cana”,
relembra José Victor Oliva. Ou então o dia em que
o próprio Oliva foi dar um abraço em Tony Benett e
saiu com a peruca do cantor enroscada no relógio. Ou ainda
a noite em que Mikhail Baryshnikov parou a pista de dança
com suas piruetas tresloucadas. E Cindy Lauper, meio alta, improvisou
um showzinho com play-back ao ouvir sua música nas caixas
de som. Ah, se aquelas paredes falassem... 
Colaborou
Daniela Fernandes
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