Veja outros sites:
 Capa
 Índice
 Exclusivo Online
 Reportagens
 Testes
 Galeria de fotos
 Astrologia
 Dicionário
 Especiais
 Editorias
 E-Commerce
 Economia
 Entrevista
 Estilo Dinheiro
 Finanças
 Negócios
 Seu Dinheiro
 Seções
 Editorial
 A Semana
 Cobiça
 Empresas do bem
 Mercado digital
 Mídia & Cia
 Moeda forte
 Poder
 Cartas
 Busca
 Procure outras matérias
 Edições anteriores
 Assinaturas
 Expediente
 Publicidade
 Fale conosco
Assine a Newsletter

ECONOMIA Quarta-feira, 19 de Novembro de 2003
EXCLUSIVO continua...
OS ARQUIVOS DE DELFIM
O czar da economia fala pela primeira vez das manipulações na época do milagre e dos bastidores de como o Brasil quebrou com a ditadura

Clique aqui para comentar esta reportagem

Ouça trechos
Os segredos sobre a economia do regime militar

Por Marco Damiani e Ricardo Grinbaum

  Ana Paula Paiva
  “Geisel não aceitava perder
para Médici. Fez um plano de
crescimento econômico maluco
que o País não pôde agüentar”
DELFIM NETTO

Operador do milagre brasileiro, czar econômico do regime militar e ditador de normas, decretos e leis que moldaram a face produtiva do País entre as décadas de 1960 e 1980, Antônio Delfim Netto enfrentou nos últimos dias grossa pancadaria. Ele foi empurrado às cordas acusado de manipular os índices inflacionários de 1973, flagrado com sua vida financeira investigada por antigos parceiros de governo e alçado ao comando de um esquema para favorecer seus próprios interesses na indústria da carne. Tudo nos tempos em que foi ministro da Fazenda dos presidentes Costa e Silva (1967-1969) e Emílio Garrastazu Médici (1969-1974). Com a imagem atingida, o civil mais poderoso e bem informado do regime militar aceitou abrir seus arquivos à DINHEIRO num contra-ataque sem meias palavras. Em mais de três horas de conversa, repuxando os largos suspensórios vermelhos entre modulações de voz que denunciavam nostalgia em relação ao apogeu da ditadura e rancor à lembrança do ex-presidente Ernesto Geisel (1974-1979), Delfim apresentou sua versão da história. Ele retorquiu os críticos, revelou bastidores do regime e detalhou como o Brasil cresceu, parou e quebrou entre as décadas de 1960 e 1980. Confira o desabafo do homem que mandou e desmandou na economia durante os tempos mais duros da história recente do País.

O convite de Costa e Silva
A surpresa mudou sua vida e a economia brasileira

Os arquivos secretos do ex-ministro Delfim Netto sobre os bastidores da economia durante a ditadura militar têm o seu primeiro registro numa clara manhã carioca de outubro de 1966. Num apartamento em Copacabana, cerca de 20 homens estão reunidos desde as oito da manhã. Entre eles, o futuro presidente da República, general Arthur da Costa e Silva (1967-1969).

O Costa já havia sido escolhido pelos militares e queria ouvir
uma exposição sobre agricultura. Eu era secretário da Fazenda
de São Paulo e fui convidado pelo presidente da Associação Co-
mercial do Rio para falar. Preparei gráficos e projeções. Sabia
que era importante. Comecei às oito da manhã e terminamos
à uma da tarde
”, conta Delfim.

Poucas semanas depois chega a Delfim, em São Paulo, a surpresa que iria mudar a sua própria vida – e com ela toda a economia brasileira.

Um homem alto entrou no meu gabinete na Secretaria da Fazenda. Nunca o vira na vida. Era o coronel Mario Andreazza e trazia uma carta do Costa e Silva me convidando para ser ministro da Fazenda. Fiquei surpreso. Podia imaginar a Agricultura, não a Fazenda. Aceitei na hora. Peguei o telefone e disse sim ao presidente.

AI-5 e crescimento turbinado
Delfim baixa regras de mercado sem consulta

  Fotos: Prensa Três
  “Geisel teve medo que
eu fosse governador”
No Planalto, com o presidente e o chanceler Silveira: pedido para voltar de Paris

Indiretamente, Costa e Silva deu a Delfim instrumentos que nenhum outro ministro já teve para manobrar a economia em direção ao crescimento. Em dezembro de 1968, baixou o AI-5 e deu início à fase mais dura do regime militar, com o fechamento do Congresso, a cassação de mandatos políticos e a suspensão de garantias individuais. Presente à reunião do Conselho de Segurança Nacional que determinou o ato, Delfim votou a favor. A partir daí, tratou de usar o instrumento autoritário para tomar decisões sem consultar ninguém e, assim, turbinar índices de crescimento.

“Fui oportunista”, admite. “Usei as condições dadas pelo AI-5 para baixar um decreto-lei com praticamente toda a reforma tributária que eu queria fazer e mais uma porção de medidas importantes.” Sem debates ou oposição, ele criou o ICM, alterou o sistema de exportações, baixou regras sobre o mercado de capitais, mexeu no sistema financeiro e ditou regras para o funcionamento da indústria. Um pacotaço. Fez, aconteceu e não ouviu um pio de reclamação.

“Fui oportunista”, admite. “Usei as condições dadas pelo AI-5 para baixar um decreto-lei com praticamente toda a reforma tributária”

“Chamei os governadores e todos tiveram de entender que as regras eram aquelas. Se eu não tivesse baixado as medidas, provavelmente não teria havido o crescimento dos anos seguintes.”

– É mais fácil fazer política econômica sem democracia?

O regime autoritário impediu a confusão geral. A democracia exigiria muito mais paciência”, confessa.

1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6
ENQUETE I

Barbárie
A morte dos jovens Felipe Caffé e Liana Friedenbach abalou o Brasil. Para você, o País deveria:

• Construir
mais presídios
• Criar uma polícia
mais eficaz
• Melhorar o
Judiciário
• Adotar a pena
de morte
• Ter maioridade
penal aos 16 anos
Vote aqui
FÓRUM I

Polêmica
O arcebispo da cidade paulista de Aparecida, Dom Aloísio Lorscheider, defende a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Para o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos,
isso não diminuiria a criminalidade,
o que funciona é uma polícia mais eficaz. O que você acha disso?

FÓRUM II

Agora vai
Brasil e EUA começam a se acertar com a Alca, Brasil e União européia começam a se entender na agricultura, Brasil começa a produzir mais e a desempregar menos. Começou a prometida virada?

 

© Copyright 1996/2002 Editora Três